Medina limpa a “troika” aussie e vence o Quiksilver Pro Gold Coast

Até na hora dos festejos, o jovem Medina foi discreto, saindo da água da forma como entrou no campeonato: silenciosamente

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Não é que se trate de uma surpresa absoluta, até porque estamos a falar de um dos mais talentosos surfistas mundiais, mas nada o faria prever antes do arranque da primeira etapa do Samsung Galaxy World Tour, na Gold Coast. O facto de ter fraturado o perónio em dezembro e de não se saber bem como estava em termos físicos, aliado à trajetória paradoxalmente silenciosa e também incrível, tornaram o triunfo de Gabriel Medina no Quiksilver Pro australiano num momento épico.

Gabriel enviou um recado a todos os profetas do Tour. Antes do circuito mundial começar muito se falou no ano de Jordy Smith. Até o próprio sul-africano não hesitava em dizer que estava preparado para ser campeão do Mundo em 2014. Outros apontavam esperanças no fenómeno-mas-também-incógnita John John Florence e até Julian Wilson surgia entre a lista de candidatos. Dos três, só o australiano chegou à terceira ronda, pois os outros dois foram a grande desilusão do evento. Alguém se esqueceu de um menino que é provavelmente o maior prodígio da história do surf brasileiro. Mas agora parece que não vão mais esquecer dele…

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Medina é um dos líderes da revolução progressista no Tour, mas a verdade é que em Snappers ele nem precisou de voar. Foi só backside – há dois ou três anos atrás alguém imaginaria este cenário? – e muito show de surf. Aos 20 anos, venceu o terceiro “major” da carreira e afastou a malapata de três finais seguidas perdidas. Em Snappers venceu limpinho, ou não tivesse ele enfrentado e eliminado os três principais favoritos aussies à etapa e ao título mundial. Fanning, Taj Burrow e Joel Parkinson, por esta ordem. E o atual campeão do Mundo teve direito a dose dupla!

O jovem brasileiro varreu a “troika” australiana, eles que nesta primeira etapa estão sempre nos lugares cimeiros e são os adversários que ninguém quer ter pela frente. Mas há mais, pois Gabe colocou ainda um toque de suspense em toda a história. Nos últimos três embates que disputou (quartas, meias e final) foi capaz de virar os resultados já na parte final da bateria, com destaque para a surreal reviravolta na final frente a Parko, quando a praia quase inteira já não imaginava outro cenário que não o de o troféu a ficar em casa.

Joel ainda tentou inverter o rumo dos acontecimentos com uma onda no último minuto da bateria. Charles, o padrasto de Gabriel, desceu para a praia já em tom de festejo, ainda antes de sair a nota do australiano, repetindo um cenário que noutras memórias acabou dando mau resultado. Contudo, desta vez, já ninguém tirava a vitória a… “Backside Medina”. Não só venceu os melhores um a um – exceção feita a Slater; e acrescentemos John John logo na primeira ronda – como ainda se deu ao luxo de nem sequer cair em nenhuma das fases de repescagem, tornando-se no primeiro brasileiro a vencer em Snappers.

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Não querendo nós tirar lugar a outros profetas, nem muito menos tentando antecipar cenários depois de eles terem acontecido, depois da terceira ronda da competição, ou seja, ontem, não nos deixou de saltar à vista a forma silenciosa como Gabriel Medina estava a avançar na competição. Sem ruído, sem aéreo, fazendo apenas o que tinha de fazer. Pensámos se isto era sinal de que seria este o ano de Medina na luta pelo título… agora é mais fácil falar. As respostas virão em Margaret River. Certo é que os que esperavam pela (demorada) revolução da turma mais nova já a viram hoje em Snapper Rocks. Os jovens estão aí. Pelo menos, Medina está! (Em termos desportivos) Foi um arranque de ano perfeito para a ASP, com um campeonato dos melhores dos últimos tempos e um culminar de festa já em tons noturnos, depois de um dia que mais pareceu uma maratona alucinante.

Vagas soltas:

Joel Parkinson – Estava a ser de longe o melhor surfista do último dia, até se ter cruzado com Medina na decisão final. Apostou nos tubos de Snapper Rocks e estava a dar-se bem. Parko pode não ter ganho, mas se recuarmos até 2012 vemos que foi esta a estratégia que levou o australiano rumo ao primeiro título da carreira; pontuações bem altas e regularidade e assiduidade no pódio.

Kelly Slater – O careca foi o surfista em destaque na primeira metade do evento, mas começou a vacilar cedo neste dia final. A primeira derrota no round 4 para Adriano de Souza era só um aviso, que depois se concretizou com a eliminação nos quartos-de-final, novamente frente a Mineiro, talvez a sua maior besta negra. É preciso mais para lutar pelo 12.º…

Adriano de Souza – Nós avisámos que o brasileiro estava em super forma. Depois de vencer o Australian Open e de fazer outro grande resultado em Newcastle, levou toda a motivação até Snappers e só foi parado por um Joel Parkinson devastador. Mineirinho andou a 80 pela Austrália, restando agora esperar que, ali depois da etapa brasileira, ele não meta a oitava, como vem sendo seu timbre.

Tiago Pires – Saca voltou (finalmente) a competir frente aos melhores e deu-nos novamente aquelas alegrias das quais já tínhamos saudades. Pode ter perdido fácil para Slater, mas colocou já um descarte nas contas de um dos favoritos ao título e isso ninguém apaga. Um 13.º lugar pode não ser maravilhoso, mas é bom. Muito bom até, se pensarmos que isto o ajuda a subir uns bons lugares no seeding, o que pode ser fundamental em Margaret River para não ter de enfrentar repetidamente nas primeiras rondas os tops mundiais. Bem-vindo sejas, Tiger!

Stephanie Gilmore – A última época não deixou saudades e fez com que muitos duvidassem das suas reais aspirações para 2014, inclusivamente nós. O peso dos cinco títulos mundiais pareciam causar já algum desgaste na australiana, que lembre-se é ainda jovem mas ao mesmo tempo já a mais velha do Tour feminino. Ainda assim, atribuímos-lhe o estatuto de darkhorse, pois sabemos bem que o talento está lá todo. Pois bem, Steph voltou a sorrir e pelo meio ainda se vingou de Carissa Moore, enviando a mensagem de que a havaiana pode ser a princesa do surf mundial, mas a rainha ainda está bem viva. Não a deixem embalar porque aquele sorriso é fatal e quando derem por ela já tem o sexto no papo.

Quiksilver Pro Gold Coast Final Results:

Final: Gabriel Medina (BRA) 16.33 def. Joel Parkinson (AUS) 16.27

Roxy Pro Gold Coast Final Results:

Final: Stephanie Gilmore (AUS) 15.80 def. Bianca Buitendag (ZAF) 10.47

Quiksilver Pro Gold Coast Semifinal Results:

Semifinal 1: Gabriel Medina (BRA) 14.13 def. Taj Burrow (AUS) 14.10
Semifinal 2: Joel Parkinson (AUS) 18.70 def. Adriano de Souza (BRA) 9.67

Roxy Pro Gold Coast Semifinal Results:
Semifinal 1: Stephanie Gilmore (AUS) 17.10 def. Carissa Moore (HAW) 13.40
Semifinal 2: Bianca Buitendag (ZAF) 15.90 def. Lakey Peterson (USA) 12.50

Quiksilver Pro Gold Coast Quarterfinal Results:

Quarterfinal 1: Taj Burrow (AUS) 15.00 def. C.J. Hobgood (USA) 12.46
Quarterfinal 2: Gabriel Medina (BRA) 15.83 def. Mick Fanning (AUS) 14.00
Quarterfinal 3: Adriano de Souza (BRA) 16.53 def. Kelly Slater (USA) 12.17
Quarterfinal 4: Joel Parkinson (AUS) 17.93 def. Miguel Pupo (BRA) 13.26

Fonte: Surf Portugal

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