Mega-Sena: apostadores disputam a fortuna de R$ 166 milhões na Justiça

Entre os processos, reclamações por apostas não registradas e até roubo de bilhete premiado

Briga entre patrão e empregado, desentendimentos de pais com filhos e irmãos e até assassinato travam prêmios. Foto:Divulgação
Briga entre patrão e empregado, desentendimentos de pais com filhos e irmãos e até assassinato travam prêmios. Foto:Divulgação

A Caixa Econômica Federal sorteia neste sábado um prêmio de R$ 62 milhões, o maior desde que a Mega-Sena da Virada premiou quatro bilhetes com R$ 224 milhões em 31 de dezembro do ano passado. Os altos valores envolvidos nos sorteios podem resolver vários problemas dos premiados, mas esses milhões também costumam motivar desavenças e disputas, inclusive pelo dinheiro proveniente do bilhete vencedor.

Desde a criação da Mega-Sena, em 1996, apostadores e seus amigos e parentes já questionaram um total de R$ 166 milhões em prêmios, de acordo com levantamento feito com base nos registros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no noticiário. O mais famoso deles diz respeito ao prêmio de R$ 52 milhões sorteado em junho de 2005 e celebrizado pela “viúva da Mega-Sena”.

Dois anos depois de ganhar na loteria, o agricultor Renné Senna foi assassinado com quatro tiros na cabeça, no dia 7 de janeiro de 2007, em um bar no município de Rio Bonito (RJ). Sua viúva, a cabeleireira Adriana Ferreira Almeida, seria denunciada três meses depois, no dia 28 de março, acusada de ter oferecido recompensa aos cinco acusados de planejar e executar a morte.

Adriana foi absolvida em 2011, mas ainda briga com os irmãos de Renné pela herança, que ultrapassou os R$ 100 milhões — a quantia do prêmio de R$ 52 milhões rendeu enquanto ficou bloqueada, à espera de decisão judicial. Em outro caso de família, dois irmãos de Ribeirão Preto (SP) disputam R$ 7,8 milhões de um sorteio realizado em setembro do ano passado.

Em dezembro passado, a Justiça Federal de São Paulo determinou que a Caixa Econômica Federal informasse quais foram os dois jogos ganhadores daquele sorteio (um em Guarulhos e outro em Ribeirão), já que um dos supostos vencedores registrou na polícia o roubo de seu bilhete. Segundo José Agostinho dos Santos, de 40 anos, seu irmão Rogério, de 37 anos, teria sumido com papel que lhe asseguraria o prêmio.

Justiça

Em outro caso, registrado em 2006, o pai e o irmão caçula de um ganhador de R$ 26 milhões da Mega foram apontados como os principais suspeitos de contratar pessoas para matá-lo. O crime ocorreu Campo Grande (MS), mas não chegou a tirar a vida do homem de 40 anos. Depois de ganhar o prêmio, o apostador, que não tinha conta, colocou o dinheiro no banco em que o pai era cliente, dando início à confusão. Como consequência, os dois iniciaram uma briga judicial para ver de quem é o dinheiro.

Uma pesquisa no site do STJ aponta a existência de 71 processos alusivos a loterias desde 1991, desde casos que envolvem raspadinhas e ‘jogo do bicho’ até a disputa por R$ 53 milhões de um grupo de apostadores de Novo Hamburgo (RS) que dizem ter acertado as seis dezenas do concurso 1.155 da Mega-Sena, sorteado em fevereiro de 2010. O problema deste caso é que o bilhete premiado, resultado de um bolão composto por 25 apostadores, não foi registrado, levando o caso a parar na Justiça.

Em outra história que ficou célebre, um patrão e um empregado disputaram o prêmio de R$ 27,8 milhões, metade do concurso 898 da Mega-Sena (de R$ 55,6 milhões), sorteado em 2007.  O caso ocorreu em Joaçaba (SC), em setembro daquele ano, quando o empresário Altamir José da Igreja e seu então empregado, o marceneiro Flávio Biassi Junior, fizeram um bolão.

‘Luta de classes’

Os dois teriam concordado em dividir o prêmio, caso acertassem, mas, depois que os R$ 55,6 milhões saíram para dois bilhetes, Igreja sacou o dinheiro e deixou a cidade. O caso foi parar na Justiça e o valor do prêmio acabou bloqueado. Não bastasse a tensão entre patrão e empregado, sumiu a quantia de R$ 192 mil depositada em uma das seis contas bloqueadas pelo processo judicial.

Em agosto de 2012, o STJ determinou que o prêmio fosse dividido, mas nenhum dos dois envolvidos gostou da decisão, e ambos optaram por seguir pleiteando o valor integral de R$ 28 milhões na Justiça. A questão demorou tanto para ser resolvida que o valor corrigido do prêmio já ultrapassou os R$ 36 milhões.

Que os possíveis vencedores deste sábado tenham ainda mais sorte e não precisem passar por tantos problemas para conseguir receber o prêmio.

Fonte:R7

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