Melhor do Ano e de Sempre

O prêmio de melhor jogador do ano em todo o mundo nasceu em 1991, entressafra de gênios. Maradona saía do…

O prêmio de melhor jogador do ano em todo o mundo nasceu em 1991, entressafra de gênios. Maradona saía do irracional da perfeição para a antessala empoeirada da desgraça pessoal, culminando seu ocaso no doping da Copa do Mundo de 1994. Romário e Zidane, seus mais próximos exemplares em virtude, eram então projetos de sumidades.

O alemão Lothar Matthaus venceu, por merecimento, a primeira disputa, com dois nomes de segunda hierarquia no reinado ludopédico: os oportunistas atacantes Jean-Pierre Papin, francês do Milan e o inglês Gary Lineker, um tipo que nas peladas de rua ou campos de várzea levava o nome de “garapeiro”, por estar sempre colado à trave, bem colocado, apenas para empurrar a bola às redes, sem mísera qualidade ao entendimento para uma tabelinha ou articulação a partir do meio-campo.

Largava daí a era dos momentâneos. Que pode ser interrompida no dia 13 de janeiro em Zurique com o tetracampeonato de Lionel Messi, o melhor jogador da Terra e ungido ao status de gênio. O Melhor do Mundo passou a ser unificado ao Bola de Ouro em 2010, o segundo, a distinção com sotaque exclusivo europeu.

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Disputam com Messi, que passou boa parte do ano machucado e se recupera para tentar o coroamento de sua carreira ganhando uma Copa, o que se não acontecer em nada diminuirá o seu brilho, o português Cristiano Ronaldo e o francês Ribéry. Tanto um quanto o outro foram brilhantes em seus clubes e nas suas seleções. Não podem ser chamados de sempre. Messi pode dentro de seu tempo.

Na eternidade, será Pelé. Em cujo reinado, não havia certificados ou reconhecimentos anuais para carimbar sua imortalidade inigualável, sua luz negra de pantera desbravadora de defesas e esquemas táticos.

Pelé aos 21, 22 anos, era inquestionável até numa discussão entre extraterrenos de sua espécie em Saturno ou Plutão. Aos 24 anos, havia feito 675 gols. Aos 26, Messi marcou menos da metade.

A Fifa nem precisava promover enquetes entre jornalistas e quando alguém caía na tentação do pecado da dúvida, por exemplo, ao citar o fantástico Eusébio, da Copa de 1966, o Rei tratava de surrá-lo pelo Santos contra o Benfica ou pela seleção. Uma vitória de Portugal diante de um raquítico Brasil na Copa da Inglaterra bastou para que alguns ousados quisessem compará-los.

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A figura de Pelé será sempre provocada. Na Argentina, um trio esplêndido lhe deseja o trono: Di Stéfano, precursor de Maradona, predecessor de Messi. Os três, quando se decidirem, ficam com o segundo e merecido lugar. Já acho Messi mais completo do que Maradona que foi sensacional quando duelava e perdia para Zico nos confrontos diretos.

Antes de Pelé, o mundo pode ser dividido em Puskas, Di Stéfano, Schiaffino, Fritz Walter, Gento, Labruna, Didi e Zizinho. Com ele, Garrincha e – coadjuvando – Kopa, ainda Di Stéfano, Beckenbaeur, Charlton, Moore, Cruijff, Albert, húngaro criativo e pouco lembrado, Overath, Muller, Gerson, Tostão, Riva, Rivera, Rivelino.

Pelé, carambolas, disputou quatro e ganhou três Copas do Mundo, o sacramento papal em 1970, no México, encerrando o ciclo e iniciando a orfandade brasileira encerrada por Romário, 24 anos depois.

Um período pelo qual passaram outros catedráticos sem holofotes e aplausos ao luxo da Fifa: Zico, Sócrates, Falcão, Platini, Tiganá, Giresse, Mário Kempres e Ardiles da Argentina, Antognioni, Bruno Conti, Tardelli e Cabrini da Itália, Rummenigge, Hansi Muller e Breitner, da Alemanha. Lato e Boniek da Polônia. Kevin Keegan da Inglaterra. A constelação guiada pela estrela canhota de Dieguito.

Romário e depois Zidane comandaram a geração sequencial com técnica, belos gols, liderança, sorte e a capacidade sanguínea do melhor sempre de decidir quando lhe convém. No capricho, na malícia e na frieza.

A Bola de Ouro de 2013 pode ser erguida por Cristiano Ronaldo ou Ribéry. O melhor no sempre de agora por se perpetuar, até encerrar sua carreira, será Lionel Messi, o pleonasmo hermano-catalão. De todos os mundos, por jamais ter sido exclusivo de nenhum e acima de todas as vidas, Pelé.

 

Série B
ABC e América contam com quatro públicos espetaculares na Série B, com os jogos de Vasco e Fluminense. A julgar pelo futebol dos cariocas, devem contar também com os três pontos de cada partida. Dois rebaixamentos por incompetência explícita.

Reforços
O ABC se movimenta e busca parcerias no Rio de Janeiro. Deveria buscar no Botafogo e no Flamengo, aos quais se resume um futebol que já foi a glória nacional. Na seleção campeã mundial de 1958, havia sete titulares de clubes do Rio de Janeiro: Bellini, Orlando e Vavá (Vasco), Nilton Santos, Didi e Garrincha (Botafogo) e Zagallo (Flamengo).

STJD
É com ansiedade que se espera o rigor do STJD no julgamento da barbárie da Arena Joinville. O martelo que bate nos times sem costas quentes tem que bater nos tradicionais com intensidade merecida.

Empurra
Tão chocante quanto as cenas repetidas de violência, que mancham a imagem do Brasil no mundo inteiro, é o jogo de empurra sobre quem proibiu a presença da Polícia Militar dentro do estádio. Escapismo que tem a cara do país.

Interagindo
Os técnicos Roberto Fernandes, do ABC, e Leandro Sena, do América, se reciclam no Futecoon, evento sobre futebol no Rio de Janeiro.
 
Na antologia
Um dos mais belos jogos da história do Estádio Castelão (Machadão) completa 36 anos amanhã. Domingo de sol, eu estava lá. Para ver ABC 2×2 Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro, com 25.356 pagantes e o alvinegro de igual para igual contra o campeão mineiro. Destaque para o segundo gol do ABC, marcado por Zezinho Pelé em linha de passe, de cabeça, com o uruguaio Danilo Menezes.

Gols e Times
O ABC fez 1×0 com Noé Macunaíma e o Cruzeiro virou com Revétria e Joãozinho. Zezinho empatou e balançou as estruturas do Poema de Concreto. O ABC do técnico Waldemar Carabina: Hélio Show; Orlando, Pradera, Cláudio Oliveira e França (Fidélis); Moreno, Danilo Menezes e Maranhão Barbudo; Gilvan, Santa Cruz (Zezinho Pelé) e Noé Macunaíma.

Raposa de Aymoré
Treinado por Aymoré Moreira, comandante da seleção brasileira bicampeã mundial no Chile em 1962, o Cruzeiro jogou com Raul; Nelinho, Zezinho Figueroa, Morais e Vanderlei; Flamarion, Eli Carlos (Lívio) e Erivelto; Eduardo Amorim, Revétria e Joãozinho.

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