Melhores e piores – Rubens Lemos

A seleção brasileira nasceu em 1914. Pelas estatísticas oficiais – e nada é mais patético do que um arquivista de…

A seleção brasileira nasceu em 1914. Pelas estatísticas oficiais – e nada é mais patético do que um arquivista de futebol sem talento para escrever -, o centenário combina com a Copa do Mundo. Estreamos perdendo da Argentina por 3×0 no campo do Gimnasia y Esgrima em Buenos Aires.

Uma enquete do Portal Uol, escalou a melhor seleção de todos os tempos. Definida por leitores cibernéticos. Velha Guarda dos anos Zizinho não mexe em geringonça. Eleição de computador sempre acaba em controvérsia nuclear.

O time com maior número de votos foi: Gylmar; Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos de Oliveira, Aldair e Nilton Santos; Falcão, Didi e Pelé; Garrincha, Ronaldo e Romário. Técnico: Telê Santana.

O reserva: Taffarel, Djalma Santos, Luís Pereira, Domingos da Guia e Júnior; Zito, Clodoaldo, Gérson e Zico; Tostão e Rivelino. Técnico: Zagallo.

Aldair foi um senhor zagueiro, mas a briga pode começar por aí. Bellini, o primeiro capitão campeão, Oscar, impecável nas Copas de 1978 e 1982 e o sofisticado e preterido Djalma Dias, falecido pai do cracão Djalminha.

Quase esqueço Júlio César, fabulosa muralha negra da Copa de 1986. Intransponível na batalha campal, perdeu o pênalti que não poderia, contra os franceses.

Gérson certamente não gostou da reserva. Nunca aceitou banco. O papagaio vai protestar se for entrevistado. Ganhava na genialidade e no grito. O conformado Ademir da Guia, solista da Academia do Palmeiras, sempre aceitou resignado perder a vaga para Gérson.

Há 10 anos, o camisa 8 lançador do tricampeonato de 1970 rompeu com Edson Arantes do Nascimento, corpo de Pelé, quando ficou fora da lista dos 100 maiores do século lida pelo companheiro de time.

Gérson berrava na televisão: “Vai te catar, ô Pelé, eu ficar fora para Nakata e Higashi (do Japão), é brincadeira hein? Tá de sacanagem, quero mais papo contigo não”. Sem a menor sutileza, o filme Pelé Eterno excluiu a cena do segundo gol contra a Itália, petardo de Gérson. O gol que abriu o clarão da vitória.

Gérson até aceitaria jogar de volante, saindo Falcão do time. Didi seria o meia e Pelé o ponta de lança. Domingo, vou ouvir o Canhotinha de Ouro no rádio na certeza de que virão torpedos contra os internautas.

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Djalma Santos foi o maior lateral-direito do Brasil. Do mundo. Do século passado. Carlos Alberto Torres, seu sucessor, era tão bom que jogava em quase todas na defesa. Só não arriscou o gol e a lateral-esquerda.

Mas e Leandro? Leandro, no mínimo, ocuparia o lugar de Aldair numa zaga assim: Djalma Santos, Leandro, Carlos Alberto e Nilton Santos. Todo mundo craque. Cafu ficou de fora, o que é um considerável alívio.

A internet é dos jovens e a qualquer hora, tiram Rivelino do time para botar esse magrinho do Chelsea, Oscar, um Dirceuzinho em fotoshop. Ou escalam Paulinho, apontado como espetacular e reserva no seu time inglês, ocupando o lugar de um Zito.

Aliás, ou é Zito ou é Clodoaldo. Com tantos craques no passado, é absurdo jogar com dois volantes. Há homens de meio-campo sobrando. De um Dirceu Lopes aos mais novos, tipo Rivaldo de 1998 e 2002. E Sócrates, Sócrates não entra?

Três caras, publicitários, encarregados de ganhar dinheiro pela criatividade e a inteligência acima do padrão deixaram de votar em Pelé.

Se descobrir os nomes , faço uma carta aberta pedindo que sejam demitidos por incompetência. No mínimo, o crioulo sublime saiu para Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho na cabeça de vento dos obtusos de calças mostrando o umbigo.

A crueldade com a geração de 1950 é pavorosa. O gol de Ghighia assassinou esperanças e a reputação de nomes gloriosos da bola nacional.

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Qualquer escrete atemporal que se dê a respeito é obrigado a escalar ou lembrar Zizinho, Mestre Ziza, o maior de todos antes de Pelé, sumidade driblando, lançando e fazendo gol. Completo.

O volante Danilo Alvim, que morreu com expressão extenuado pelo Maracanazzo, era chamado de Príncipe. Um violino andante de canelas delgadas, dribles humilhantes nos adversários que tinham de marcá-lo. Sim. Danilo Alvim era volante que não corria atrás, os outros o perseguiam.

O meio-campo de 1950 era um manjar, um pudim celestial: Danilo Alvim, Jair Rosa Pinto (e não da Rosa Pinto) e Zizinho. Jair, outro injustiçado.

Nem é necessário cobrar a uma simples menção a Ademir Marques de Menezes, Ademir Queixada, goleador prejudicado pelo vice-campeonato mundial e ainda pela ausência de imagens de suas arrancadas e seus gols.

Barbosa, o condenado, foi um dos maiores goleiros da história. Nem falhou no gol uruguaio, tomou uma atitude em milésimos de segundo. Barbosa pagou a vida inteira.

A memória bem poderia resgatá-lo e juntá-lo a Gylmar e a Taffarel no trio dos maiores de todos os tempos. Vou escrever sobre os piores do centenário. O espaço aqui é pequeno, mas a quantidade lotaria três ou quatro Maracanãs dos tempos em que cabiam 170 mil pessoas a cada clássico.

PS. Os meus onze do centenário: Taffarel, Djalma Santos, Leandro, Carlos Alberto e Nilton Santos; Gérson, Didi, Pelé e Zico; Garrincha e Romário. Os reservas: Barbosa; Marinho Chagas (tinha de caber ele e Júnior), Mauro Ramos de Oliveira, Djalma Dias e Júnior; Falcão, Zizinho, Sócrates e Rivelino; Tostão e Ademir Menezes.

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