Melhores do mundo de futebol de cegos, Ricardinho e Jefinho em Natal

Projeto objetiva em levar momentos de vivência da rotina de atletas paralímpicos ao maior número de pessoas, mostrando que barreiras físicas não impõem limitações

Ricardinho e Jefinho (1)

Ricardinho e Jefinho, dois dos melhores jogadores do mundo de futebol de cinco, estarão em Natal nesta terça-feira (25/2), na arena do projeto Experimentando Diferenças, sediada na praça de eventos do Natal Shopping. A partir das 16h, eles farão uma demonstração da modalidade, que é praticada por atletas cegos, e também vão interagir com o público presente.

Ricardo Alves, o Ricardinho, ficou cego aos seis anos de idade e, desde então, os obstáculos só se transformaram em superação. O sonho de jogar futebol, mesmo com a perda da visão, tornou-se realidade e o jogador foi reconhecido como o melhor do mundo nas Paralimpíadas de Londres, em 2012.

Jeferson Gonçalves, o Jefinho, perdeu a visão em decorrência de um glaucoma e compete no futebol desde 2003. O ala participou da conquista em Pequim e em Londres e foi eleito o melhor jogador do mundo em 2010, ano em que o Brasil conquistou o Mundial da modalidade. A seleção brasileira de futebol de cinco é tricampeã paralímpica.

O projeto Experimentando Diferenças segue em Natal até a próxima sexta-feira (28/2) e foi desenvolvido com objetivo de levar momentos de vivência da rotina de atletas paralímpicos ao maior número de pessoas, mostrando que barreiras físicas não impõem limitações. Na arena de 180 metros quadrados, é possível praticar futebol com olhos vendados e utilizando a bola sonora, bocha, além de basquete em cadeira de rodas e corrida. A iniciativa também se configura como uma oportunidade para difundir as regras e os esportes dos Jogos Paralímpicos de 2016, que serão sediados no Rio de Janeiro (RJ).

O evento é patrocinado pela Caixa Econômica Federal, maior apoiadora do paradesporto nacional, e traz o sucesso alcançado em diversas cidades como Brasília (DF), São Paulo (SP), Salvador (BA) e Niterói (RJ).

Saiba mais sobre Futebol de cinco

Existem relatos de que no Brasil, na década de 1950, cegos jogavam futebol com latas. Em 1978, nas Olimpíadas das APAEs, em Natal-RN, aconteceu o primeiro campeonato de futebol com jogadores deficientes visuais. A primeira Copa Brasil foi em 1984, na capital paulista. Das quatro edições da Copa América, os brasileiros trouxeram três ouros: Assunção (1997), Paulínia (2001) e Bogotá (2003). Em Buenos Aires (1999), o título não veio, mas os brasileiros chegaram a ganhar dos argentinos.

Em 1998, o Brasil sediou o primeiro Mundial de futebol e levou o título. Dois anos depois, em Jerez de la Frontera, na Espanha, a seleção se sagrou campeã novamente. Em Atenas (2004) a seleção masculina brasileira estreou nos Jogos Paralímpicos e conquistou a medalha de ouro numa vitória sobre a Argentina por 3 a 2, nos pênaltis. No Parapan do Rio de Janeiro, em 2007, o Brasil ficou em primeiro lugar.

O futebol de cinco é exclusivo para cegos ou deficientes visuais. As partidas normalmente são em uma quadra de futsal adaptada, mas desde os Jogos Paralímpicos de Atenas também tem sido praticadas em campos de grama sintética. O goleiro tem visão total e não pode ter participado de competições oficiais da Fifa nos últimos cinco anos. Junto às linhas laterais, são colocadas bandas que impedem que a bola saia do campo. Cada time é formado por cinco jogadores – um goleiro e quatro na linha. Diferente dos estádios com a torcida gritando, as partidas de futebol de cinco são silenciosas, em locais sem eco.

A bola tem guizos internos para que os atletas consigam localizá-la. A torcida só pode se manifestar na hora do gol. Os jogadores usam uma venda nos olhos e se tocá-la é falta. Com cinco infrações, o atleta é expulso de campo e pode ser substituído por outro jogador. Há ainda um guia, o chamador, que fica atrás do gol, para orientar os jogadores, dizendo onde devem se posicionar em campo e para onde devem chutar. O jogo tem dois tempos de 25 minutos e intervalo de 10 minutos. No Brasil, a modalidade é administrada pela Confederação Brasileira de Deportos de Deficientes Visuais (CBDV).

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