Menino do veraneio
Menino assim na faixa de 7 anos. Malcriado, mimado. Daquele tipo que diz eu quero um joguinho. Um joguinho de papel? Nunca. Um eletrônico, de dois mil reais e o pai, remediado, boboca, estoura o limite do cartão de crédito só para fazer a vontade do pequeno monarca. Está sendo criado um monstro e a família faz que não vê.
O menino andou pela casa de praia de um conhecido comum a mim e ao pai dele. Chegou com uma mochila moderna, mimo de gente rica( e não metida) em Natal. Havia uma turma no programa automático: Tomando cerveja, uísque e comendo churrasco.
O menino abriu a bolsa e sacudiu um monte de brinquedo. Sentou perto dos bebuns e os pais passaram a exibi-lo: “Ele é muito inteligente.” Começava a sessão de tortura: “Diga o nome desse boneco?” O menino fazia careta, charminho, choramingava para responder, abusado: “É o Jaspion, vocês não sabiam?”
O menino puxava um carrinho eletrônico. Apertava um botão e a miniatura de Porsche disparava, trombando nos chinelões dos convidados e nos saltos de suas mulheres. “Mãe, mãe, ele bateu no meu carrinho!”, berrava o tal do menino, de apontador ereto, denunciando o cidadão cuja culpa era estar sentado, se deliciando com a brisa e a bebida.
Menino assim chora alto que é para chamar atenção. O dito-cujo parecia uma Tetê Espíndola(a cantora gasguita) da impertinência. “Quero sorvete”. Vinha o sorvete. “Mas não é da Kibon. É da (concorrente), não quero, haaaaaaaa!”.
O menino foi tão cativante, tão simpático, tão sedutor, que ganhou, nos resmungos da trairagem, o apelido, no masculino e diminutivo, de uma certa ex-prefeita de Natal extremamente popular, a ponto de ser apeada do cargo.
O menino foi enchendo o saco e a malta enchendo o pote de álcool. “Mãe quero refrigerante mas a Coca-Cola daqui não é a Coca-Cola mesmo não. É daquela mais barata, que eu não gosto. Vai comprar, mãe, vai.”
O casal não fez a desfeita de sair à mercearia apenas para trazer um garrafão da original.Suportou com certo orgulho a pantomima da criança rolando pelo chão, movendo o corpo como uma cobra, xingando os coleguinhas que apenas a observavam, entediados e preparados para uma correção coletiva. Desde minhas eras, menino assim aprendia apanhando dos outros.
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O show do Pequeno Chucky do litoral potiguar durou até umas cinco horas da tarde. Alguém cogitou comprar uma caixa de foguetões para saudá-lo no momento em que os pais decidiram ir embora. O anfitrião, puto de raiva, foi deixá-los à porta.
Na frente, os pais, atrás, o menino insuportável e o dono da casa. O menino olhava e estirava a língua para o cidadão que perdeu a paciência e fez a careta mais horrorosa que a sua natural cara feia seria capaz de produzir.
O menino abriu o berreiro outra vez. “O que foi amor?”, agitou-se a mãe. “Nada”, cortou o anfitrião. O menino levou uma topada. Sorte(muita, e sinceridade maior ainda, imagino), que não arrancou a unha. ”
Quando me contaram a presepada, comum nos manuais da classe média que vira familiar de Eike Batista entre janeiro e o carnaval nas praias do Rio Grande do Norte, lembrei-me do advogado Eduardo Jales, irmão do saudoso procurador Jales Costa e pai do gentleman e competente operador do Direito Fernando Jales.
O humor de Eduardo Jales, puxado ao de Jales Costa, é repentino, sarcástico, ferino, cruel com os emergentes. Com os metidos a besta de Natal. Houve um tempo, me disse Eduardo, no qual ser chique era estacionar no caixa de um supermercado e gritar para o outro, lá no extremo oposto: “Tá na praia?, eu tô na praia, veja a feira!”.
Segundo Eduardo, para os deslumbrados, quem não fizesse parte do circuito representava um excluído, um pobretão, um apátrida. Um humilhado. Para não ficar por baixo, Eduardo sempre respondia: “Estou na praia. Na Praia do Meio, comendo uma ginga, bom demais.” Imagino Eduardo Jales conhecendo o menino chato. Seria repertório para dez anos.
Vitória
Deola; Léo, Gabriel Paulista, Renié e Iuri; Rodrigo Mancha, Neto Coruja, Leílson e Arthur Maia; Marquinhos e Lúcio Maranhão. É o time que o técnico Caio Júnior treina para enfrentar o América na estreia da Copa do Nordeste. Time bem mais fraco do que o do ano passado.
Pingo e Magno Alves
Pode ser este o ataque do Ceará contra o ABC dia 19 no primeiro jogo dos alvinegros pela Copa do Nordeste. O veterano Magno Alves sabe mais que a meninada inteira e Pingo foi um calo do ABC quando estava no América.
Esmola demais
O vencedor da Copa do Nordeste na Sul-Americana seria esmola demais da CBF. A especulação demorou o tempo de uma arrancada de Pelé rumo ao gol: 10, 15 segundos. Não vai ter vaga nenhuma. O Nordeste só serve para votar em presidente maculado.
Cascata e Júnior Xuxa
Foi numa roda de alpendre bem frequentado. O moralista falou: “Cascata e Júnior Xuxa são dois desagregadores, paneleiros, tumultuam o ambiente. O pragmático respondeu perguntando: “Você prefere um deles, ou, com todo respeito, o arcebispo com a camisa 10?”O moralista engasgou.
Brincadeira
A Coleção Ídolos Imortais lançou agora os 10 melhores da história do Atlético Mineiro. Uma piada Marques ser escolhido e Paulo Isidoro, o Tiziu, ter ficado de fora.
Albimar e o JL
Albimar Correia de Morais não é apenas o irmão do velho Abmael, a irreverência do jornalismo potiguar e paraibano com show de talento no Pará. Albimar é ótima figura, recuperado de grave problema de saúde e que surpreende os amigos com relíquias sobre futebol. Escolheu sua seleção do Estádio Juvenal Lamartine.
A seleção
Eis a seleção de Albimar, que usaria um misterioso boné de Pedrinho 40: Erivan (ABC); Gaspar (ABC), Edson (ABC), Berilo de Castro (Alecrim /América) e Danilo Damásio (ABC); Jorginho (ABC) e Alberi (ABC); Toinho de Macau (ABC), Evaldo Pancinha (América), Cocó (ABC) e Nogueira (ABC)
Melhor time de fora
Albimar, piolho de JL, manda o melhor time de outro Estado que viu jogar por lá. O Campinense(PB): Augusto, Braga, Zé Preto, Preta e Massangana; Tonho Zeca e Araponga: Zé Ireno, Cocó, Erandyr e Nogueira. Melhor batedor de pênaltis: Zé Ireno. Melhor time local: ABC de 1959: Ribamar, Biró e Calado; Gonzaga, Cadinha e Ney Andrade; Cocó, Jorginho, Delgado, Cileno e Nogueira.


