Mercado de veículos está em baixa. É hora de comprar?… – Marcos Aurélio de Sá

O Brasil está entre os países que pagam pelo automóvel novo o preço mais alto do mundo, com diferenças que…

O Brasil está entre os países que pagam pelo automóvel novo o preço mais alto do mundo, com diferenças que chegam a ser até três vezes maiores na comparação, por exemplo, com o valor pago no mercado norte-americano. Para esta situação concorre, além do excesso de ganância das montadoras estrangeiras (que trabalham aqui com margens de lucro muito acima das praticadas em seus países de origem), a gigantesca e injustificável carga tributária que o governo brasileiro aplica ao consumo desse bem durável.

Mas eis que nos deparamos hoje, no Brasil, com uma situação social, econômica e mercadológica capaz de propiciar profundas mudanças nesse cenário. Os pátios das montadoras estão abarrotados; os estoques das concessionárias idem; o limite de crédito dos potenciais compradores de carros novos (a classe média) está comprometido por dívidas acumuladas; e as autoridades financeiras do país levam as mãos à cabeça em busca de saídas para o problema, já que uma crise na indústria automobilística sempre faz estragos enormes em outros setores.

Para que os automóveis retomem o ritmo normal de vendas o governo só terá um caminho: reduzir tributos; e as montadoras (juntamente com suas redes de revenda) se verão forçadas a praticar margens de lucro civilizadas. E para que tais mudanças ocorram mais rápido bastará que o mercado consumidor se conscientize de sua força e pare – apenas por alguns meses – de comprar e de se submeter à “tirania” dos impostos escorchantes e dos lucros extorsivos.

Tudo só depende da vontade do comprador de automóvel zero quilômetro. Para ajudar o mercado a tomar a decisão certa, a coluna transcreve o artigo abaixo, de autoria do educador financeiro paulista Reinaldo Domingos.

 

Consultor financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e autor dos livros “Terapia Financeira”, “Sabedoria Financeira” e “Papo Empreendedor”.

Os últimos meses estão sendo marcados pela queda de vendas de veículos novos no Brasil. Os números apontam que a indústria automobilística encerrou o mês de abril com queda de 12 por cento nas vendas frente ao mesmo mês do ano passado. Em todo 2014 o setor acumula redução de 5 por cento nas vendas e redução de 12 por cento na produção, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Essa queda é gerada por vários motivos, principalmente pelo alto endividamento da população nos últimos anos e o panorama econômico, que demonstra a necessidade de cautela. Além disso, também ocorreu a volta da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que refletiu em aumento no preço dos veículos.

Quem quer aproveitar esse momento para melhor negociar essa compra, com certeza encontrará muitas promoções, pois os pátios das fábricas estão abarrotados e com as vendas de automóveis em queda o poder de argumentação é muito maior. Lembrando que as montadoras precisam fazer caixa, pelo menos 11 delas já anunciaram medidas para diminuir a produção no país, como férias coletivas, na tentativa de reequilibrar a oferta com o apetite do consumidor.

Contudo, além dessa questão, o grande problema que observo é que a maioria dos consumidores só pensa nos valores da compra do veículo e das prestações que pagará mensalmente, esquecendo que isso ocasionará diversos outros custos, como despesas de manutenção, combustível, IPVA, seguros, licenciamento, lavagens e, até mesmo, possíveis multas. Em média, o custo mensal das despesas equivale a 3 por cento do valor do carro. Assim, a manutenção de um veículo de R$ 30 mil, por exemplo, tem um custo de aproximadamente R$ 900,00 mensais.

Para saber o momento certo de adquirir um veículo é preciso descobrir em que situação financeira o consumidor se encontra, para tanto separo em três grupos a situação das finanças pessoais: os endividados, os equilibrados financeiramente e os poupadores, e cada um desses grupos devem tratar a compra de formas diferentes.

Os endividados não devem nem pensar em comprar um veículo nesse momento. A prioridade deve ser sair das dívidas e um custo a mais em seu orçamento é praticamente assinar o certificado de falência financeira. A prioridade deve ser resolver os problemas com finanças pessoais, reduzindo gastos desnecessários e, caso tenha o sonho de ter um veículo, este deve ser planejado em um prazo longo de tempo, quando, além do fim das dívidas, essa pessoa já tenha feito uma poupança que dará a garantia de que pode comprar com reservas para os gastos extras que terá.

Os equilibrados financeiramente também preocupam, pois, por não possuírem dívidas, pensam que essa é hora de “investir” em um novo veículo ou em trocar o que já possui, agindo por impulso. Mas, não percebem que não possuem dinheiro em caixa para comprar à vista e que para um financiamento longo é necessário planejamento. A compra acaba sendo um grande passo para sair do equilíbrio financeiro, se tornando endividado. Sem contar que se esquece do valor de manutenção que este veículo acrescentará em seu orçamento financeiro.

Já o consumidor equilibrado deve refletir sobre se realmente quer esse bem de consumo. E, caso a resposta seja positiva, iniciar imediatamente uma poupança, que terá como objetivo a troca, nunca se esquecendo dos gastos extras.

Para os poupadores o momento é de análise, tendo que refletir se é realmente necessário um novo veículo. Se for e tiver dinheiro para compra a vista, essa é uma boa hora. Se faltar alguma quantia que terá que financiar, pode até fazer, mas cuidado para que a parcela caiba em seu orçamento mensal e que também tenha dinheiro para os gastos de manutenção.

Caso a pessoa já possua um veículo e queira outro, terá que refletir quais as vantagens de um novo carro e se os gastos de dois veículos não são arriscados. Sempre reforço que um veículo não é investimento, em função de sua rápida desvalorização. O consumo de bens deve sempre estar associado a reais necessidades e não a impulsos consumistas do momento.

Novo modelo da “ZPE do Sertão” será tratado na AL

– O novo modelo proposto para a Zona de Processamento de Exportações (ZPE) a ser implantada no município de Assu, na região Oeste do Rio Grande do Norte, será tema de uma Audiência Pública marcada para as 9:00 horas da próxima segunda-feira, na Assembleia Legislativa Estadual.

– Proposto pelo deputado George Soares, o evento servirá para que se coloque em discussão pela classe política, pelo empresariado e pelos técnicos vinculados ao Poder Público o melhor caminho a ser seguido para a construção do equipamento, visto atualmente como essencial para a criação de mais um polo de desenvolvimento industrial no interior potiguar.

– Segundo o parlamentar assuense, a ZPE deverá atrair grandes investimentos para a região do Vale do Açu, principalmente nas áreas de mineração e beneficiamento da fruticultura.

– Entre os convidados para a Audiência Pública que já confirmaram presença estão representantes de entidades como a Associação Brasileira das Zonas de Processamento de Exportação (Abrazpe), Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Federação da Agricultura e Pecuária, Federação dos Municípios, Secretaria Estadual do Desenvolvimento Econômico e Prefeitura Municipal de Assu. São esperados também vários prefeitos de toda a região.

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