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Mercado sinaliza demissões, após aumento de adicional dos vigilantes

Data: 28 janeiro 2013 - Hora: 16:13 - Por: Portal JH

Um reajuste de 30% no Adicional de Risco de Vida dos vigilantes promete agitar o mercado de segurança privada. Aprovada pela presidente Dilma Rousseff no dia 12 de dezembro passado, a lei 12.740 elevará custos dos empresários, que sinalizam com demissões em massa. Eles esperam por uma normatização do Ministério Público do Trabalho, para a plena execução da lei, mas já planejam como enfrentar as primeiras consequências.

Enquanto o Sindicato Intermunicipal dos Vigilantes (Sindsegur) anuncia uma paralisação nacional para o próximo dia 01 de fevereiro, representantes da classe empresarial e do Sindicato das Empresas de Segurança Pública do Estado (Sindesp/RN) falam em até 40% a porcentagem dos seguranças demitidos – caso as previsões pessimistas se confirmem, o total de desempregados, no Rio Grande do Norte, pode passar dos dois mil profissionais (ao todo, são 6,5 mil vigilantes).

“Eu acho o aumento justo, mas nós não temos com arcar com isso. Sem dúvida, haverá uma forte retração no mercado. E não serão 10%, 15%”, alerta Ricardo Roland, diretor-secretário do Sindesp e proprietário de uma empresa de vigilância. “O que lamento é a ineficiência do Estado, que não tem capacidade operacional para prover segurança à população e transfere a responsabilidade para o cidadão comum. O crescimento do crime é latente e diário”.

Ricardo diz que, após comunicar o futuro reajuste para os clientes, seis deles apontaram que a renovação está comprometida. “Eles pediram o cancelamento. E nesta semana, outras três também solicitaram o aviso-prévio. Não tem o que fazer”. Com a fraqueza estatal, pessoas que contratam segurança privada reavaliarão contratos e optarão por correr o risco de ficar sem o serviço, segundo o dirigente e empresário. “Ficará difícil para todo mundo. E sem a iniciativa privada, muitos empresários recorrem a contratos com órgãos públicos. Mas é sempre um problema, por problemas de pagamento”.

O lado bom do reajuste, para empresários e consumidores, é a possível qualificação posterior dos profissionais, agora melhor remunerados. O mesmo fenômeno observado na polícia civil, que deu um salto de qualidade após a oficialização de que apenas pessoas com o 3º grau completo poderiam entrar na força, é a expectativa de Ricardo. “Nesta semana, entrevistei quatro candidatos, três eram universitários. Quem não for formado, vai procurar por qualificação, por conhecimentos adicionais” – 22 empresas de segurança privada que atuam no mercado potiguar.

Para o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Vigilantes (Sindsegur), Francisco Benedito, a parada nacional programada pela categoria para o dia 01 de fevereiro será um primeiro aviso aos empresários. “A lei tem que ser cumprida. Lutamos desde 2003 para aprová-la e, agora que conseguimos, queremos o pleno cumprimento. Alguns não querem pagar e estão com essa história de esperar pela decisão do Ministério Público, que apoia o reajuste”. Quanto às possíveis demissões, cautela e aprimoramento na carreira serão fundamentais, segundo Francisco.

“Nós sabemos que terá de existir um sacrifício de ambas as partes. Mas, do mesmo jeito que o vigilante terá de se capacitar, para permanecer no mercado, só vai continuar empresa séria, que paga em dia e cumpre contratos. Todo dia abre empresa de segurança. E nas menores aparecem algumas que atrasam os salários e dão calote nos funcionários”, critica Francisco, na espera por definições quanto a uma pauta com outras reivindicações, como aumento salarial de 17% – o que subiria o piso de R$ 905 para R$1.058.

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