Mesmo interditado, Morro do Careca vem sofrendo degradação popular

Visitantes não respeitam proibição de subir no cartão postal mais conhecido de Natal, que sofre com descaso

Pequena placa avisa sobre  a proibição, mas turistas continuam “escalando” o cartão postal. Foto: Wellington Rocha
Pequena placa avisa sobre a proibição, mas turistas continuam “escalando” o cartão postal. Foto: Wellington Rocha

Ana Paula Cruz
anaprcruz@gmail.com

O Morro do Careca, um dos principais cartões postais da cidade, vem sofrendo degradações por parte dos frequentadores da praia de Ponta Negra. Turistas desavisados sobem o morro em busca de aventura ou de um registro da bela paisagem que o morro proporciona, infringindo assim a Ação Civil Pública de 1997, que proíbe a subida.

Para alguns turistas, a proibição da subida do morro pode até ser uma forma de preservar o patrimônio natural, mas eles se sentem frustrados por não poder subir.  “A gente não sabia que era proibido subir o Morro, mas eu acho que não deveria ser. Queremos subir para tirar fotos e apreciar a vista e não podemos. Se é uma questão de preservação deveria proibir também o passeio de buggy nas Dunas de Genipabu”, disse a cabeleireira de Apodi, Cássia Freire.

A paulista Amanda Pontes, disse não ter gostado de chegar ao Morro e ser impedida de subir. “Há muitos anos vim aqui e subi o Morro, tirei muitas fotos bonitas, mas hoje não podemos fazer isso. Acho muito injusto”.

De acordo com a Companhia de Policiamento Ambiental (Cipam), quando os turistas começam a subir o Morro são abordados pelos policiais ambientais. Eles conversam com eles, explicando que por questões ambientais eles não podem subir. “É mais uma ação de educação ambiental, aí não é aplicada uma multa. A multa só é aplicada quando é constatado o dano ao meio ambiente, como a retirada de areia do local. Caso o dano seja constatado, é dado voz de prisão e o indivíduo é encaminhado à delegacia para que seja autuado por dano ao meio ambiente”, afirmou o Subcomandante da Cipam, Tenente Márcio Lima.

O estudante carioca, André Nogueira, atentou para a falta de informação em relação à proibição. “Quando cheguei aqui em Natal não sabia que era proibido subir, quando vi a cerca deduzi que não podia. A placa que informa a proibição é muito pequena, deveria ser maior e os turistas que chegam aqui deveriam ser orientados antes sobre os motivos da proibição, evitando assim, o constrangimento de serem abordados pelos guardas ambientais”.

A cerca que circunda o morro é de responsabilidade do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), mas a responsabilidade de fiscalização do Morro do Careca é da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipam). Enquanto a equipe de

O Jornal de Hoje estava no local, não foi visto nenhum policiamento. No entanto, comerciantes e frequentadores da praia disseram que todos os dias policiais ambientais cumprem expediente no Morro.

O tenente Márcio Lima não soube precisar a ausência dos policiais, mas afirmou que há sim fiscalização no Morro. “Mantemos fiscalização 24h no local, com o objetivo de evitar a subida de desavisados no Morro. Não posso lhe dizer no momento o porquê de não haver policiais na hora em que estavam lá, mas provavelmente a equipe estava em alguma ocorrência”.

A Cipam informou que a proibição do Morro do Careca foi determinada em 1997, por uma ação impetrada através do Ministério Público. “O objetivo da ação foi impedir que o Morro fosse danificado, pois a subida das pessoas estava prejudicando local. A medida que as pessoas subiam, elas jogavam a areia para o mar, gerando dano ecológico  ambiental”, afirmou o Tenente Márcio Lima.

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