Meu nome é James – Rubens Lemos

Sou do time reserva do terceiro reserva do romantismo. Quanto mais criticado, mais defendo o belo acima do sistemático e…

Sou do time reserva do terceiro reserva do romantismo. Quanto mais criticado, mais defendo o belo acima do sistemático e modista. Morrerei defendendo o futebol de toques, dribles, lançamentos e gols desenhados. Ninguém vai a um show de Chico Buarque de Holanda, o setentão, para ouvir música de Catinguelê ou Peidões do Forró. Forró bom, o de Gonzagão, de Dominguinhos. Serra pega pelo pé.

Mantenho-me no subsolo. No lugar destinado ao arquivo dito morto da preservação convicta do futebol gingado e sincopado. Prefiro um replay do falecido Denner do que três ingressos para ver Jô. Um calcanhar reprisado do mago magérrimo Sócrates a um cabelinho pintado de Daniel Alves.

Morando na esnobada filosofia, gostei da Colômbia. Parece um time brasileiro dos anos 1970/80. Bola de pé em pé, uma firula aqui, uma moganga ali, um meia-armador nato e clássico – e ainda por cima, canhoto, comandando as ações.

O camisa 10 colombiano, Jámes Rodríguez é a personalidade de um Rivaldo aos 27. A bola é quem corre. Ele fica por ali, de delegado, dando as ordens, prendendo e soltando na meiúca.

James Rodríguez é tudo o que imaginávamos ter sido Paulo Henrique Ganso. A esperança 90% perdida por contusões, máscara e preguiça. Dos pés de Rodríguez, a bola sai precisa e ligeira, doce e faceira até o ataque.

Quando o jogo está quente, muita gente embolando o meio, como vemos em cada pelada do Campeonato Brasileiro, Jámes Rodríguez pede licença, pisca o olho para a bola e a chama pra um namoro, escondendo-a com a parte interna do pé. Pronto. Está tudo resolvido e os lances recomeçam a fluir.

A atual geração da Colômbia pode me enganar, mas esbanja alegria no seu jogo, contentamento aliado ao ímpeto ofensivo. Mais pé no chão do que aquela turba de mascarados de 1993/94, com os comediantes Higuita (goleiro) e Valderrama (meia cabeludo), o craque Rincon e o fugaz Asprilla.

É bom ver a Colômbia praticar o futebol de acordo com a regra do fazer bem e exótico. Obra de um argentino formador de craques, José Pekerman. Técnico que escolheu a técnica como doutrina.

É justo e lógico chamar James Rodriguez de craque, de dominador de volantes, de conhecedor dos palmos e detalhes de um meio-campo. Seus toques têm o sal da sutileza, irmã da carícia (que arrepia) e sacramenta o prazer, clímax da alcova. Fatal Sean Connery, 007 camisa 10 dos mapalés de dança típica, o nome dele é James. James Rodríguez.

 

Ciclos e fins

Parte da geração brasileira tricampeã mundial em 1970 iniciou seu ciclo no fracasso de 1966. Estavam lá o zagueiro Brito, o armador Gerson, os atacantes Jairzinho, Tostão e Edu. Fora Pelé, um veterano de 1958.

Humilhados na Inglaterra, estavam consagrados no México em 1970. O ciclo acabou em 1974. Rivelino, Jairzinho e Piazza foram titulares do TRI integrantes da pífia campanha brasileira na Alemanha. Zé Maria, Piazza, Marco Antônio, Paulo Cézar Caju e Edu também participaram.

Moral da história: o tempo é implacável no futebol. Da Itália, que muita gente acha azarã, mas tinha um timaço em 1982 (apenas demorou a engrenar), havia gente da vergonhosa eliminação na primeira fase de 1974. A base, liderada pelo lendário goleiro Zoff – jogou bem em 1978, derrotando a campeã Argentina, terminou em quarto lugar e levantou a taça, amadurecida e forte.

Em 1986, quem sobrou, sem fôlego, caiu na terceira fase num jogo em que a Azzurra não foi goleada pela França de Platini, Tiganá e Giresse por absoluta piedade.

Moral da história: o tempo é implacável (também) no futebol. O que aconteceu com a Espanha, renovadora artística e resistente, é repetição natural. Em futebol, não existe botox ou photoshop. Envelheceu, é seguir para a galeria nobre da imortalidade.

Quase time

Jéferson; Maicon, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo (porque Maxwell não é jogador de seleção); Luiz Gustavo, Hernanes e Oscar; Neymar, Hulk (salve Stalonne!) e Fred (misericórdia), seria um time menos ruim do que o atual. O ataque está causando saudade – sacrilégio – de Luís Fabiano e Leandro Damião.

 

Camarões

É pior time de todos os que disputaram Copas. Contra a Croácia, apanharia de oito ou onze a zero sem sobressaltos. O Brasil não pode fazer festa se vencer Camarões por menos de seis gols de diferença. Mas o Brasil optou pelo temor gerado pela mediocridade. O jogo é barbada, mas não aposto ou entro em bolão.

 

França x Suíça

Depois de Itália x Costa Rica, o jogo interessante da sexta-feira é França x Suíça. Os dois times surpreenderam na primeira rodada. A França nem tomou conhecimento da falta de Ribery. A Suíça aposentou a retranca. Jogo bom. Honduras contra Equador é prenúncio de castigo maior do que prazer.

 

Celeste

O Uruguai vai decidir seu destino na Copa do Mundo em Natal contra a Itália. Para dar um prêmio ao eterno craque do ABC, Danilo Menezes e ao jornalista Dionísio Outeda. Um clássico para a retina do planeta inteiro.

 

Suárez

Um atacante pleno. Finalizador, decisivo. O segundo gol foi uma porrada ao estufar as redes e trazer Montevidéu para cá. Comovente Uruguai, investido do espírito banto de Obdúlio Varela, comandante campal da vitória de 1950.

 

Ignorância

Faz 60 anos que o Brasil empatou com a Iugoslávia por 1×1 na Copa do Mundo de 1954, o Jogo da Ignorância. Sem conhecer o regulamento, a seleção inteira chorou após o resultado e foi consolada pelos adversários. No Estádio La Pontaise em Losanne, na Suíça, Zebec abriu o placar e o gênio Didi empatou.

 

Brasil de Zezé

O Brasil do técnico Zezé Moreira: Castilho; Djalma Santos, Pinheiro e Nilton Santos; Brandãozinho e Bauer; Julinho Botelho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues. Iugoslávia: Beara; Stankovic, Crnkovic e Cjaikoviski; Horvat e Boskov; Milutinovic, Nitic, Zebec, Vukas e Dvornic.

 

Pedrinho

Legal Pedrinho Mendes no Sportv com sua Linda Baby, declaração de amor à cidade. Pedrinho é craque desprezado como o Marinho Chagas da música.

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