“Meu pai deve ser tomado como um exemplo”, diz filho de Reginaldo Rossi

"O que conforta é olhar ao redor e ver tudo o que ele construiu na sua carreira de mais de 50 anos", enfatizou Roberto

Milhares de pessoas já passaram pela Assembleia Legislativa para dar o último adeus ao cantor. Foto: Divulgação
Milhares de pessoas já passaram pela Assembleia Legislativa para dar o último adeus ao cantor. Foto: Divulgação

Num dia de luto e espanto, familiares de Reginaldo Rossi se despedem do cantor, que morreu vítima de câncer de pulmão na manhã desta sexta-feira (20), no Recife. Filho único do artista, Roberto Rossi disse no velório não saber mensurar a dor da perda e que encontra nos fãs a força para superar a falta do pai.

“O que conforta é olhar ao redor e ver tudo o que ele construiu na sua carreira de mais de 50 anos”, enfatizou Roberto. Ver o carinho que o público ainda guarda pelo pai é, para ele, uma forma de exultar a trajetória do artista.

Ele disse ainda que não teve um pai como nos moldes convencionais. “Não andei de bicicleta ou joguei bola com ele, mas comecei a acompanhá-lo nos shows com cinco, seis anos. Antes mesmo de conhecer o alfabeto já sabia ler partitura”, comentou.

Entre as lembranças de shows, ele comentou que, com cerca de seis anos, chegou a dividir o palco com o pai, tocando flauta doce. “Essa era uma forma de meu pai demonstrar seu carinho”, falou.

Roberto também agradeceu a nomes como Gaby Amarantos e Wagner Sarmento pelas mensagens solidárias divulgadas nas redes sociais.

Familiares do cantor, que está sendo velado no plenário da Casa, estão no local. Os deputados estaduais Sérgio Leite (PT) e André Campos (PSB), além do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos, já passaram pela Assembleia para se despedir de Rossi.

Doença

Para os familiares, a morte de Reginaldo Rossi foi uma surpresa. Roberto Rossi revelou que não teve tempo de ter uma última conversa com o pai, mas que, na última vez que o visitou na UTI, Reginaldo o elogiou e falou que o filho estava bonito. “Minha mãe, que estava comigo, falou que ele tinha sua contribuição para isso”, comentou.

A força de vontade e o amor pela música acompanharam Reginaldo Rossi em todos os dias em que esteve internado. Segundo o filho, sua primeira pergunta após o câncer ser diagnosticado foi: “Quando é que vou poder cantar de novo?”.

O filho do “rei do brega” aproveitou ainda para enfatizar o quanto é feliz por ter tido inúmeras oportunidades de dizer o quanto amava o pai. “Meu pai venceu o maior dos obstáculos que é o preconceito. Tomo-o como um exemplo, uma pessoa perseverante que sempre lutou.”

 Filho único do artista, Roberto Rossi disse no velório não saber mensurar a dor da perda e que encontra nos fãs a força para superar a falta do pai. Foto: Divulgação
Filho único do artista, Roberto Rossi disse no velório não saber mensurar a dor da perda e que encontra nos fãs a força para superar a falta do pai. Foto: Divulgação

Câncer no pulmão

O cantor do hit “Garçom” foi internado após ter recebido diagnóstico de derrame pleural, que é o acúmulo excessivo de líquido no espaço entre a pleura visceral (membrana que recobre o pulmão do lado de fora) e a pleura parietal (superfície interna da parede torácica). Na semana passada, foi descoberto que ele tinha câncer no pulmão.

O médico Iran Costa, que tratava o cantor, disse que apesar da melhora dos últimos dias, Reginaldo apresentou um agravamento nas funções renais e no pulmão nas últimas horas de vida. Segundo Costa, o tabagismo foi a principal causa da morte. O cantor era fumante assíduo há pelo menos 50 anos.

Reginaldo chegou a ser transferido para um quarto, mas retornou à UTI no dia 9 de dezembro, quando voltou a sentir dores. No mesmo dia foi submetido a uma nova cirurgia para a retirada de líquido no pulmão, com a instalação de um dreno.Logo em seguida, ele iniciou o tratamento de quimioterapia e sessões de hemodiálise diária. Chegou a ter uma leve melhora no quadro clínico, mas na quinta-feira (19) voltou a respirar com ajuda de aparelhos.

O empresário do cantor, Antonio Mojica, contou que antes de ser internado Reginaldo acreditava que estava com gripe. “Há um mês [antes do diagnóstico de câncer], ele falava que estava com gripe. Toda hora falava disso. Ele devia estar com problema no pulmão desde aquela época”. Antonio afirma que o cantor fumava muitos cigarros por dia. “Ele fumava toda hora. Chegava a acender um cigarro no outro”.

Reginaldo estava com show marcado para o Réveillon do Recife, no bairro do Pina. Ele deixa a mulher Celeide Rossi, com quem era casado havia mais de 30 anos, e com quem teve o filho Roberto.

Repercussão

Após a morte de Reginaldo Rossi, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, decretou luto oficial de três dias na cidade.
Em entrevista por telefone, o cantor Falcão disse que o bom humor e “breguice” tão característicos do seu trabalho tiveram influências de Reginaldo Rossi. “Eu me inspirei nessa parte melódica e bem-humorada, quase sacana, que ele tinha”, disse o cantor cearense.

Filho do cantor observa o pai, ao lado de parentes e fãs. Foto: Divulgação
Filho do cantor observa o pai, ao lado de parentes e fãs. Foto: Divulgação

Veja o que artistas postaram no Twitter

Roberta Miranda, cantora
Gente ! Acordei com esta triste noticia . Temos registrada uma linda história . Obrigada meu Reginaldo Rossi

Serginho Groisman, apresentador
“A música brega é talvez a mais popular. Seu rei está morto. Passou a vida fazendo o que mais amava: cantar. RIP Reginaldo Rossi”

Astrid Fontenelle, apresentadora
“RIP meu querido #reginaldorossi. Muitas entrevistas, muita bagunça… Sujeito da melhor qualidade”,

Nany People, humorista
“A música Romântica está triste… vá Brilhar no Céu Querido Mestre … faleceu #ReginaldoRossi”

Tati Quebra Barraco, cantora
“Hoje é um dia de luto para todos os garçons o rei do brega Reginaldo Rossi, infelizmente fez a passagem. Vai em paz, vai com Deus!”

Falcão, cantor
“#Reginaldo O céu ficou mais brega, alegre e romântico”

Tico Santa Cruz, cantor
“Figuras emblemáticas de qualquer estilo merecem nosso respeito. Figuras emblemáticas de qualquer estilo merecem nosso respeito. O Brega de Reginaldo Rossi sempre foi leve e divertido. Fica esse brega de mal gosto atual e parte mais um artista que marcou sua história na música brasileira. Quando trabalhei como operador de Videokê, ouvi e até cantei sorrindo muitas vezes suas músicas. Luz no seu caminho”

Karina Buhr, cantora
“Reginaldo Rossi. O que vai ser de nós sem ele é que ele vai ficar do lado sempre, não tem jeito. Amor eterno”

Gaby Amarantos, cantora
“Nem consigo explicar o que estou sentindo, um mix de tristeza com alívio pois quando a gente ama alguém não aguenta ver o ser amado sofrendo e este homem na minha opinião é um dos MAIORES artistas do Brasil, estando no mesmo nível de Roberto Carlos mas a hipocrisia que alimenta o preconceito fez com que esse REI da música/voz/coragem não tivesse o reconhecimento que merecia”

Paulinho Serra, humorista
“Morreu com 69… Ironia ou não é uma maneira divertida de falar de um cara tão divertido. #RipReginaldorossi”

Ana Hickmann, apresentadora
“Gente, estou muito triste. Nosso grande amigo Reginaldo Rossi partiu. Papai do céu recebe este anjo ao seu lado, ele vai fazer muita falta. Força pra toda a família e para os fãs deste grande cantor”

Roberta Miranda, cantora
“Gente ! Acordei com esta triste noticia . Temos registrada uma linda história . Obrigada meu Reginaldo Rossi”

Arnaldo Branco, cartunista
“Morreu Reginaldo Rossi, uma espécie de Dicró da Jovem Guarda”

Trajetória

Reginaldo Rodrigues dos Santos Rossi nasceu em Recife no dia 14 de fevereiro de 1943 e ingressou na faculdade de engenharia, mas não chegou a se formar e trabalhou como professor de matemática.

Começou a carreira artística em 1964 imitando Roberto Carlos em bares e clubes da capital pernambucana. Na época, ele era acompanhado pelo conjunto The Silver Jets.

Em 1966, lançou o primeiro LP, “O Pão”, seguido por “Festa dos Pães”, no ano seguinte. Em 1970 se afastou do rock com “À Procura de Você”, que o introduziu no gênero brega-romântico, do qual se tornaria um dos maiores expoentes, ao lado de nomes como Odair José, Amado Batista, Wando e Agnaldo Timóteo.

Em meados dos anos 1980, já com 18 discos gravados, Rossi era um sucesso de vendas no Norte e Nordeste, mas permanecia desconhecido no eixo Rio-São Paulo. Em 1987 lançou um de seus maiores sucessos, “Garçom”, que o tornaria conhecido no Sul e Sudeste no fim dos anos 1990.

Ao longo de sua carreira, o cantor gravou com artistas como Wanderléa, Roberta Miranda e Planet Hemp, e aceitou de bom grado o título de “Rei do Brega”. Com cerca de 50 álbuns lançados, ele recebeu 14 discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e um de diamante.

Em 2011, Rossi venceu o Prêmio da Música Brasileira na categoria de melhor cantor popular, pelo álbum ao vivo “Cabaret do Rossi”, que também rendeu um DVD, em que fazia releituras de sucessos como “Taras & Manias”, “Dama de Vermelho”, “Boate Azul”, “Amor I Love You”, “Só Você” e “I Will Survive”.

Em 2009, ele participou do quadro “Dança dos Famosos”, no programa “Domingão do Faustão”.

Fonte:Uol
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