Mick Jagger fala sobre a cinebiografia de James Brown que está produzindo

No penúltimo dia de filmagem da cinebiografia de James Brown, que ganhou o nome de Get On Up, Chadwick Boseman,…

Mick Jagger. Foto: Divulgação
Mick Jagger. Foto: Divulgação

No penúltimo dia de filmagem da cinebiografia de James Brown, que ganhou o nome de Get On Up, Chadwick Boseman, resplandecente em uma gola alta cor de mostarda, calças e colete pretos, atravessa o palco do Mississippi Coliseum, em Jackson, Mississippi, gira e dá um soco no ar com o pedestal do microfone para pontuar os sopros de da música de Brown “I Got the Feelin'”. Então, ele se vira novamente para a banda para cantar: “Baby, baby, baby/baby, baby, baby”.

Hoje, o Coliseu substitui o Boston Garden, e Boseman está interpretando Brown durante o famoso show de 1968, na noite seguinte ao assassinato de Martin Luther King Jr. Logo ao lado, o diretor do filme, Tate Taylor, e dois produtores, Mick Jagger e Brian Grazer, estão parados, de braços cruzados, observando os monitores de vídeo, absorvendo tudo.

“É um papel realmente difícil de fazer”, diz Jagger, uma hora mais tarde, durante um intervalo nas filmagens. “Teria sido mais seguro achar alguém da Broadway, com muita experiência em cantar e dançar. Chad seria o primeiro a dizer isso, ele não era um bailarino. Mas depois que ele trabalhou nisso por seis semanas, ele se tornou o personagem sem dúvida nenhuma.”

Jagger é alguém que saberia dizer. Apesar de dizer que ele e Brown não eram amigos próximos quando a lenda do soul ainda era viva (Brown morreu em 2006), o Rolling Stone passou bastante tempo com ele em camarins e casas de shows, estudando e absorvendo a interação de palco de Brown, a dinâmica dele com a banda e, claro, os passos de dança. “A forma como ele interagia com o público, o timing, eu fiquei absorvendo tudo e tentando entender tudo”, diz Jagger.

Boseman, inicialmente, não estava interessado em interpretar o Padrinho do Soul. “Eu achei que não seria uma boa ideia fazer mais um ícone, mais uma cinebiografia”, disse ele, que encarnou o jogador de beisebol Jackie Robinson em 42: A História de uma Lenda. “E ter que cantar e dançar. Eu consigo segurar uma nota e eu danço se for a uma casa noturna, mas fazer isso está em outro nível. James Brown influenciou o hip-hop, influenciou Michael Jackson e Prince. É meio que a base para muitas das coisas que ainda estamos fazendo.”

Taylor estava convencido, contudo, de que Boseman, que cresceu em Anderson, Carolina do Sul, relativamente perto da cidade de Brown (Augusta, na Geórgia) era o cara certo para a missão.

“Eu queria alguém que tivesse a terra vermelha dessa parte do EUA correndo nas veias”, diz Taylor, nativo de Mississippi, que dirigiu o (surpreendentemente) vencedor do Oscar Histórias Cruzadas (2011). “Quando soube que Chad era de Anderson, não podia acreditar. Ele é um protetor dos homens do sul e disse: “Não podemos estragar tudo! Não sei se consigo fazer direito!’. E eu disse: “Concordo com você, só venha aqui’. E ele foi e arrasou.”

O filme, que Grazer tem tentado fazer desde a década de 90, vai contar a história de Brown desde a infância difícil até seus tempestuosos anos posteriores. Além de todas as exigências físicas do papel, Boseman teve que acertar a mão no limite entre viver o personagem e simplesmente imitá-lo.

“Você não está atuando se está simplesmente fazendo uma imitação. Esse é o exato oposto do que você quer fazer. É uma pessoa de verdade e você tem a pressão de tentar achar o espírito dessa pessoa sem imitá-la”. As filmagens daquele dia foram cansativas, segundo ele, mas não chegaram nem perto de serem as mais difíceis que ele já encarou.

“Teve um dia em que dancei por 15 horas, take depois de take depois de take depois de take. Eu fui contando e acho que fiz 90 espacates.

Compartilhar:
    Publicidade