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Milho da Conab não chega e preços de insumos disparam

Data: 31 julho 2012 - Hora: 16:22 - Por: Marcelo Hollanda

João Maria Lúcio, superintendente da Conab no RN: culpa é do transportador. Foto: Wellington Rocha

Das 13 mil toneladas de milho da Companhia Nacional de Abastecimento que já deveriam estar disponíveis aos produtores, nos armazéns da Conab, em julho, só 207 toneladas chegaram ao Rio Grande do Norte. E das 17 mil toneladas previstas para chegar em junho, faltam ainda 4,3 mil toneladas.

A culpa é da falta de caminhões para entregar as cargas provenientes de Pedra Preta e Primavera do Oeste, no Mato Grosso, alegou esta manhã o superintendente regional da Conab, João Maria Lúcio. Ambas as remessas fazem parte do milho subsidiado a R$ 18,00 a saca para o agricultor familiar e a R$ 21,00 para os demais produtores como uma ajuda do Governo Federal para minimizar os efeitos da seca.

“Com o início da safra de milho no Sul e Centro Sul do País, as empresas transportadoras envolvidas nos pregões da Conab estão preferindo trabalhar para os produtores próximos”, explicou José Maria Lúcio. Ele espera que a situação com os transportadores se regularize a partir da segunda quinzena de agosto, mas os produtores ouvidos esta manhã por este vespertino não acreditam mais nessa possibilidade.

Para transportar as duas remessas prometidas pelo Governo Federal – 17 mil toneladas a primeira e 13 mil toneladas a segunda – a Conab empenhará quase R$ 10 milhões. “À medida que os caminhões são descarregados, nós conferimos as cargas e mandamos as notas para o pagamento”, informou João Maria Lúcio. “O atraso não é nosso”, argumenta.

Ele confirmou que hoje os estoques da Conab no Estado estão quase a zero. Sem milho fornecer aos criadores, o preço da saca de 50 kg no comércio livre saltou, na última semana, de R$ 46,00 para R$ 52,00, informou hoje o produtor Felipe Lopes, de Caicó.
A torta de algodão, cujo saco de 50 kg havia baixado para R$ 43,00, também voltou a subir na última semana para R$ 47,00. E o farelo de soja, que na semana passada podia ser encontrado a R$ 72,00 o saco de 50 kg, foi nos últimos dias para R$ 87,00, acrescentou o produtor.

“Minha sorte foi ter feito uma grande compra de milho um pouco antes no Piauí, mas ele já está acabando”, comentou Lopes, que aproveitou para ironizar o atraso na chegada do milho da Conab. “Quer dizer que não existe uma cláusula de contrato que obrigue as transportadoras a cumprir suas entregas?”, indagou.

Hoje, o superintende regional da Conab explicou que as transportadoras já começaram a ser notificadas e correm o risco de serem suspensas e pagar pesadas multas. Independentemente disso, a angústia para os produtores continua.

Pelos cálculos de Felipe Lopes, um pequeno rebanho de 20 vacas leiteiras consome em média 50 sacas de milhos por mês. “Se o pequeno produtor fosse pagar pelo preço do milho subsidiado, desembolsaria R$ 930,00, mas como não está encontrando é  obrigado a gastar no mercado R$ 2.500,00″.

Lopes contou que é comum, diante do menor boato da chegada do milho, o pequeno produtor pagar R$ 40,00 para que outro ordenhe suas vacas enquanto ele corre na sede mais próxima da Conab. “O que a gente vê é que, na maioria das vezes, ele volta para a propriedade com as mãos abanando”, completa.

Bruno Lira, produtor de São José do Mipibu, com um rebanho de 125 animais, diz que laticínios e queijarias já estão pagando pelo litro do leite R$ 1,10, muito mais do que os R$ 0,93 prometidos há dois meses pelo Governo do Estado e ainda nem pagos.

Antes da seca que atingiu o RN nos primeiros cinco meses deste ano, Bruno Lira chegava a produzir 3.300 litros por dia e hoje não atinge 1.600 litros/dia. Com isso ele está antecipando a secagem do leite das vacas do meio para o fim da lactação.

“Hoje, continuo mantendo o concentrado de milho e soja para aproveitar o pico de produção da vaca e, quando ela começa a entrar na linha de prejuízo, com a queda dessa produção, mando o animal para o pasto, realizando a ordenha ali mesmo”, disse.
Metade do rebanho de Bruno Lira já está nessa situação. Quando o animal entra na linha de prejuízo, ele tira o concentrado e a coloca no pasto, torcendo para ela ter emprenhado. “Se a vaca não emprenhar, aí é que a situação piora, pois o rebanho estará encolhendo”, ele explica.

Hoje à tarde, na Secretaria de Agricultura, acontece mais uma rodada de reuniões entre as lideranças rurais e o Governo do Estado, tendo como tema a crise no campo.

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  • Maria Jose C, Macedo

    Como pequena Propietaria Rural, estou passando grandes preoculpações, com a alimentação para um pequeno rebanho que sou propietaria..Gostaria de saber porque tanta burocracia., mas é só para o pequeno, o mais pobre. poque o que se sabe aqui ,é q/ grande o de melhor condição, tira mais milho, como 50,70,e 100 sacas. o pequeno tira 10 sacos e ainda estão falando em deminuir.se esta faltando poque não deixa para os mais pobres ???????????