Militares cobram mais valorização e ameaçam iniciar nova greve no RN

Categoria reivindica há anos a criação de uma lei de promoção para os servidores da Polícia e Bombeiros

Protesto-da-PM--JA

Diego Hervani

Repórter

A falta de diálogo entre o Governo e os praças da Polícia Militar e Bombeiros do Rio Grande do Norte pode levar a uma paralisação da categoria. Nesta terça-feira (8), vários policiais participaram de um protesto pelas ruas de Natal, que terminou com os manifestantes montando acampamento em frente à Governadoria.

A principal reivindicação segue sendo a homologação da Lei de Promoção de Praças, que estaria “engavetada” no Gabinete do Governo do Estado desde 2012. “A lei está toda pronta, só falta agora passar pela Assembleia Legislativa para ser homologada, só que isso não acontece. Desde 2012 que está nessa situação. O que queremos é a valorização da categoria. Se isso não acontecer, já estamos com indicativo de greve para o próximo dia 22″, declarou o presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM-RN (ACS-RN), Roberto Campos.

O dirigente ainda lembrou a importância dos praças terem possibilidade de ascensão dentro da corporação. “Isso é valorizar o profissional. A nossa atividade é diferenciada. Todos os dias nós nos deparamos com situações que colocam a nossa vida em risco. Pessoas estão sendo mortas apenas por serem policiais. Então essa lei é uma questão de reconhecimento. O Rio Grande do Norte é o único Estado onde se entra como soldado e depois de 30 anos vai para a reserva ainda como soldado”. “Hoje um soldado da Polícia Militar recebe R$ 2.200, é o menor salário da segurança. Um agente penitenciário recebe R$ 3.200. Um policial civil recebe R$ 2.800, que é o salário de um soldado quando ele vai para a reserva. É um absurdo. É completamente desproporcional. Temos a necessidade urgente de corrigir esse erro histórico”, completou.

Segundo Campos, a valorização dos policiais e bombeiros militares também trará benefício para a própria sociedade. “Um policial que se sente valorizado trabalha melhor. Se dedica mais ao trabalho. Nós temos bons policiais, que fazem seu trabalho. E também temos aqueles policiais que têm desvio de conduta. Caso a Lei de Promoção de Praças entre em vigor, todos irão se dedicar mais, cada vez mais eles tentarão se capacitar. Quanto melhor for o desempenho, mais chances eles irão ter para serem promovidos. E isso reflete na sociedade, que terá melhores policiais nas ruas”.

Apesar de a Lei de Promoção de Praças ser a principal reivindicação dos manifestantes, outros pontos também são questionados. Segundo os policiais, a condição de trabalho no dia a dia precisa melhorar. “Hoje várias viaturas da polícia estão totalmente erradas em relação às leis de trânsito. Sucateadas. Em condições que deixam os próprios policiais em risco na hora de trabalhar. Faltam equipamentos básicos, como coletes, armas e munições. Totalmente em desacordo, o que prejudica o trabalho do policial e deixa a sociedade insegura”, frisou Eliabe Marques, presidente da Associação dos Subtenentes E Sargentos Policiais Militares e Bombeiros do RN (ASSPMBM-RN).

Recentemente, o comandante geral da Polícia Militar do RN, coronel Francisco Araújo, confirmou que investimentos estão sendo feitos, principalmente para a realização da Copa do Mundo. Porém, de acordo com Eliabe, isso não pode ficar restrito apenas para o Mundial. “Nós não temos nada contra a Copa do Mundo. Concordamos com tudo o que está sendo feito para garantir a segurança no Mundial. Porém, não queremos apenas investimentos para a Copa do Mundo. Queremos que o dinheiro seja investido para melhorar a corporação sempre e não apenas em alguns momentos”.

Além de tudo o que já foi dito, a alimentação também é motivo de grande revolta por parte dos manifestantes. Segundo eles, os vales para refeições foi cortado por parte do Governo e a qualidade das comidas tem deixado a desejar. “Atualmente nos alimentamos apenas por meio de quentinhas que são fornecidas. Porém, várias vezes os policiais reclamaram da qualidade da comida, que visivelmente estavam bem comprometidas e sem condições alguma de servir de alimento”, explicou Eliaber.

Coronel Araújo anunciou o possível retorno dos vales alimentação para os PMs que trabalham nas Unidades Operacionais, afirmando que já existe uma licitação em andamento no valor de R$ 7 milhões para custear a alimentação dos PMs.

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    • Paulo

      Desse governo só papa índia chales alfa.

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