Militares do Exército treinam em Natal para missão de paz no Haiti

Turmas de várias regiões do País estão em fase final de treinamento no 7º (BECMB) e deverão substituir tropa atual em Porto Príncipe

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Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Todos os anos o Exército Brasileiro envia homens e mulheres para prestar apoio ao Haiti, país que passa por graves problemas sociais, principalmente após o terremoto que devastou a região em 2010. Em Natal, o 7º Batalhão de Engenharia de Combate (BECMB) está em fase final da formação de novas turmas que irão para aquele país a partir de 13 de maio.

O processo seletivo desses militares que irão para o Haiti começa com a inscrição voluntária dos mesmos. Alguns nomes são escolhidos para chegar a 189 homens e mulheres que passarão por um longo processo de preparação, que dura um ano, para que 177 sejam escolhidos e enviados para o país caribenho. “Depois da seleção inicial, fazemos exames médicos, estágios técnicos, tudo para saber se essas pessoas estão aptas a participarem da missão no Haiti. Todo o processo leva em torno de um ano para ser concluído. Aqui temos militares de todas as regiões do Brasil e de 69 organizações militares”, destacou o comandante do treinamento, o tenente-coronel Alessandro da Silva, que é natural de Brasília.

Essa semana foi a primeira da fase final do treinamento. Os militares estão partindo para a prática com armamentos e treinos para situações que eles podem encontrar no dia a dia do Haiti. “Agora estamos na fase em que fazemos um adestramento mais forte da tropa. Agora eles vão ter prática de tiros com as armas que são utilizadas pelo exército, além de treinos que serão utilizados para conter possíveis problemas que venham ocorrer no Haiti”, frisou o tenente-coronel.

Quando a reportagem do Jornal de Hoje esteve no 7º BECMB, na manhã desta sexta-feira (11), a tropa estava participando do treino de tiros, que é comandado pelo capitão Milton, que explicou a utilidade daquela atividade. “Aqui nós temos três munições. Um que é utilizada para dispersar uma maior quantidade de pessoas. Essa munição tem um raio de impacto maior. Temos as 3 Bolotas, que é a chamada bala de borracha, que é munição não letal e temos a munição High Precision. Esse é para caso queiramos atingir uma pessoa específica em um grupo grande de pessoas. Por isso também fazemos o treinamento de posições para cada tipo de munição. A High Precision, por exemplo, o militar precisa ficar apoiado com o joelho para ter uma precisão melhor. A intenção do exército é sempre acaba com qualquer tipo de problema, sempre tentando não machucar”.

Alessandro da Silva também explicou quais serão as atribuições da tropa em solo haitiano. “Iremos tentar contribuir com um ambiente mais seguro para a população do Haiti. Também iremos prestar apoio a todos os órgãos que estão na o Haiti e que fazem parte da missão das Nações Unidas para ajudar o país. Também iremos ajudar na reconstrução do país, principalmente depois do terremoto que teve em 2010”.

Os militares que serão enviados para o Haiti este ano integram o 20º Contingente de Engenharia de Força de Paz. O tenente-coronel Alessandro da Silva fez parte do 5º Contingente, que esteve naquele país em 2007. Ele também visitou o Haiti recentemente e destacou o que os militares irão encontrar por lá. “Comparando com 2007 e também com aquele período logo depois do terremoto, a situação por lá melhorou bastante. Hoje já existe uma Polícia Nacional por lá. A situação social também melhorou bastante, principalmente com o apoio de ONGs e da Organização das Nações Unidas (ONU)”.

Os médicos militares também integram essa tropa que será enviada para solo haitiano. De acordo com o 1º tenente Araripe, a qualificação para se prestar serviço em um país que vive uma situação como a do Haiti tem que ser especial. “Nós temos que estar preparados para qualquer tipo de situação, como algum terremoto que possa vir a acontecer. Também para algum ato hostil. Também estamos sendo preparados para agir de uma maneira mais rápida, pois muitas vezes teremos pouco tempo para prestar socorro, tanto para a tropa quanto para a população”.

Durante a última semana de treinamentos, será realizada uma ação “surpresa” com os militares, que poderão ser abordados a qualquer momento para fazer algum tipo de exercício. “Nos últimos dias de treinamento, pessoas ligadas ao Centro Conjunto de Operações de Paz do Rio de Janeiro, virão para cá fazer algum evento pela cidade para simular situações que possam ocorrer no Haiti. Eles vão ao Haiti, se atualizam sobre a situação de lá e voltam para fazer esse exercício. Para se ter uma ideia, nem eu mesmo sei o que pode acontecer, vai ser surpresa. A qualquer momento, de manhã ou de madrugada, eles podem nos acordar para e nos mandar para esse exercício”, destacou o tenente-coronel Alessandro da Silva.

 

Difícil, mas prazeroso

Ao irem para o Haiti, os militares terão que deixar familiares e amigos por seis meses, que é o período que dura a missão de cada tropa. Para o soldado Penha, que é de Natal-RN, apesar da saudade que vai sentir, ele se casou há quase quatro meses, a oportunidade não poderia ser recusada.

“Eu no meu 6º ano de Exército e nunca tinha passado por um treinamento desses aqui. Pela primeira vez eu tenho a oportunidade de realmente prestar um serviço mais efetivo para o exército. A minha família é bem apegada a mim, assim como eu sou com eles, mas eles entendem e me apoiam nisso que eu estou fazendo. Então isso também acaba ajudando nesse tempo que eu vou ficar longe”.

Segundo o tenente-coronel Alessandro da Silva, todos os militares que voltam do Haiti sentem um prazer muito grande em ter ajudado aquela população. “Além da experiência profissional que será de grande valia para eles, também existe a experiência social. Todos se sentem muito bem em ajudar aquelas pessoas, pois a população do Haiti realmente precisa de ajuda”, finalizou.

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