Mineiro critica o PMDB: “Não vamos subir num palanque com três cabeças”

Deputado critica articulação do PMDB, que exclui o PT em favor do PSB, PSDB e DEM, legendas adversárias da presidente Dilma

Deputado Fernando Mineiro. Foto: Divulgação
Deputado Fernando Mineiro. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

 

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) declarou hoje que o PT terá um palanque nítido no Rio Grande do Norte, sem tergiversações. “A prioridade do PT é para a eleição de Dilma. Queremos no Rio Grande do Norte um palanque claro, com rumo definido. Não vamos subir num palanque com três cabeças”, declarou o parlamentar, durante entrevista ao Jornal da Cidade (94 FM).

A referência do parlamentar é à chapa que está sendo construída pelo PMDB no Rio Grande do Norte, que teria, no mesmo palanque, três partidos que são contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff: o PSB, o PSDB e o DEM. “No PT temos uma prioridade absoluta que é fortalecer o palanque de Dilma e Michel Temer no RN. Um palanque nítido, sem dúvidas e tergiversações. Nossa prioridade é a reeleição de Dilma e Michel”, afirmou.

Mineiro disse que o PMDB deixou claro esse projeto durante uma reunião com PT há duas semanas, quando os líderes Henrique Alves e Garibaldi Filho deixaram claro que estavam buscando uma aliança com o PSB da ex-governadora e atual vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria. “Nós tivemos uma conversa muito franca com o PMDB, onde o PMDB nos disse que tem preferência por buscar uma aliança com o PSB no cargo para o Senado. Eles estão discutindo, fazendo consulta às bases do partido, mas existe um movimento no PMDB de priorizar a aliança com o PSB. É um direito deles, nós não íamos intervir, e dissemos que não dava para nós, porque que nós estávamos sendo excluídos da chapa majoritária. E nós não vamos aceitar a exclusão da chapa majoritária. Isso está claro”, contou Mineiro.

O deputado do PT aproveitou para rebater declarações da ex-governadora Wilma de Faria, que chegou a afirmar que o PT estava excluindo ela das conversas e possíveis alianças no Estado. “Nós não temos vetos a ninguém. Não temos veto nenhum a ninguém. A questão é nacional, que tem orientado e dito para nós que a prioridade é Dilma e Michel”, disse o parlamentar. Wilma é correligionária do governador de Pernambuco Eduardo Campos, que será candidato do PSB a presidente da República disputando contra a presidente Dilma Rousseff.

Mineiro afirmou ainda que, no que depender dele, irá defender a construção de outros caminhos para o PT no RN. “Um projeto para o RN, que contemple na chapa a deputada federal Fátima Bezerra ao Senado, a manutenção do espaço do PT na Câmara federal e ampliação das vagas da legenda na Assembleia Legislativa”.

“Uma vez que o PMDB está querendo essa aliança mais ampla e a decisão de chapa própria do PT está descartada, hoje à tarde vamos debater com o PSD do vice-governador Robinson Faria. Então, temos um caminho que é PSD. Vamos debater. Vou defender que estabeleçamos a discussão. Não podemos ficar esperando que os aliados nacionais fiquem parados. Defendo que seja definido o quanto antes. O prazo é março”.

 

“Retirei a candidatura para facilitar aliança, mas o PMDB nos excluiu” 

Fernando Mineiro confirmou a intenção do PT de coligar com o PSD do vice-governador Robinson Faria para as eleições de 2014 no Rio Grande do Norte. O objetivo da legenda é construir uma forte aliança que tenha Robinson candidato a governador e a deputada federal Fátima Bezerra (PT) candidata ao Senado.

O prazo para o fechamento da chapa é março próximo e, pelo andamento das conversas, a aliança entre PT e PSD com a chapa Robinson e Fátima seria algo irreversível. A classe política do Estado já tem como certa a aliança. Só uma reviravolta mudaria o quadro. PT e PSD se reúnem hoje para discutir detalhes da aliança, que conta com aval nacional das duas legendas, lideradas pelo presidente do PT, Ruy Falcão, e do PSD, Gilberto Kassab.

Mineiro criticou as articulações politico-eleitorais conduzidas pelo PMDB no estado. O partido do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, e do ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, segundo ele, excluiu o PT de uma possível aliança, dando preferência a compor com partidos que não apoiarão a reeleição da presidente Dilma Rousseff, como o PSB, o PSDB e o DEM.

“Hoje à tarde vamos debater com o PSD. O PMDB está nos excluindo dessa chamada ampla aliança. Vou defender que chame outros partidos para o debate. Não vamos esperar a definição de outros partidos aliados. O nosso prazo é março. Estamos sendo excluídos da aliança com o PMDB”, afirmou o petista.

Mineiro foi além, ao dizer que retirou sua candidatura ao governo do Estado para facilitar os entendimentos com o PMDB. Ainda assim, segundo ele, o PMDB preferiu excluir o PT em prol de uma aliança com o PSB, da ex-governadora Wilma de Faria, possível candidata ao Senado.

“O PMDB tem que decidir qual o caminho que quer seguir. Retirei minha candidatura ao governo para facilitar as conversas com o PMDB, para facilitar as conversas nacionais. Quero deixar claro que nossa posição não é adotar um palanque que cabe todo mundo. Não podemos se aliar e mudar nossa ideologia nacional. Esse assunto foi decidido nacionalmente”, acrescentou o petista.

Mineiro disse ainda que a candidatura da deputada federal Fátima Bezerra ao Senado é considerada irreversível pelo PT. “Fátima está muito firme na posição de sair ao Senado. Está muito firme e decidida nesse caminho aí”, afirmando que a petista não irá escolher adversário e não teme enfrentar a ex-governadora Wilma de Faria nas urnas.

Mineiro destacou, por fim, que a decisão final quanto a uma aliança com o PSD de Robinson Faria caberá à direção nacional dos dois partidos, que, segundo ele, já estão com conversas bastante adiantadas. Ele disse ainda que não há lógica em o PT ser excluído de uma aliança pelo PMDB e ser obrigado a aceitar compor aliança com este partido.

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