Mineiro: “Gesane Marinho aderiu a Henrique; ela que preste conta”

Deputado do PT comenta decisão da parlamentar do PSD, que negou apoio a Robinson para se unir a adversário

Foto: Márlio Forte
Foto: Márlio Forte

Alex Viana

Repórter de Política

A deputada estadual Gesane Marinho (PSD) aderiu à pré-candidatura do deputado federal Henrique Alves (PMDB) a governador e, se for o caso, será ela que deverá prestar contas à sociedade pela mudança de atitude, não o PT. A declaração é do deputado estadual Fernando Mineiro (PT), em entrevista esta manhã ao Jornal da Cidade (FM 94). Segundo o petista, Gesane encontrou uma justificativa para virar casaca e foi em frente. “Eu acho que, primeiro, é um problema dela. Eu acho que é uma justificativa que ela deu e ela é quem tem que responder à sociedade”, afirmou o deputado. “Eu acho que é um alto grau de desculpa nesse processo. Ela aderiu ao outro lado e ela que preste contas à sociedade”, disse o petista.

A deputada Gesane Marinho deixou o projeto de Robinson alegando falta de apoio e abandono do partido, por não ter priorizado, nas tratativas com o PT, o palanque proporcional. “Até porque ninguém do PT fez nenhum debate, nenhuma proposta de ter alianças com o PSD na proporcional estadual”, diz Mineiro. “Desde o início, quando nós falamos com o PSD, nós falamos que teríamos chapa própria para estadual. Inclusive ela acompanhou algumas reuniões e sabia disso. Então, e se não tivesse aliança com o PT, qual era o argumento dela para aderir ao outro lado?”, questionou Mineiro, ao responder se o PT tinha parcela de culpa pela defecção da deputada, uma vez que foi o PT que restringiu a chapa proporcional estadual a apenas PT e, depois, PC do B, deixando de fora o PSD de Gesane e José Dias.

Nesta segunda, Dias apontou que Gesane teria, supostamente, recebido recursos financeiros do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, para aderir a sua candidatura. Nos bastidores, entretanto, a informação é que a parlamentar trocou a reeleição pela eleição do irmão, o vereador em Natal Bertone Marinho, que é o do PMDB, à Assembleia Legislativa. “Isso é um problema do PSD, é um problema dela (Gesane), não nosso”, contou ainda Mineiro, ao se reportar ao fato. “Nós, inclusive, estamos fazendo aliança na proporcional com o PC do B em uma reunião pactuada inclusive com o próprio presidente do PSD. Então esse assunto foi colocado à mesa desde as primeiras conversas. Agora, chegou um momento em que ela está usando esse fato, está usando essa afirmação, para aderir ao outro lado. A sociedade vai julgar. Como vai julgar todos nós os que fazemos política”, concluiu Mineiro.

“PT dará grande contribuição para a campanha de Robinson”

Ainda segundo Mineiro, o PT não poderá ser responsabilizado por eventual insucesso na chapa Robinson Faria governador, Fátima Bezerra senadora, por ter priorizado a proporcional. De acordo com ele, o PT dará grande contribuição à eleição de Robinson. “Pelo contrário, o PT dará a sua grande contribuição para a eleição de Robinson na disputa para o governo do estado, assim como o PSD dará a sua contribuição para a eleição da Fátima em uma aliança em que você tem ajudas e contribuições mútuas”.

Mineiro explicou, ainda, que em todas as coligações há desenhos de coligações proporcionais diferenciadas. “Não existe nenhuma eleição no Rio Grande do Norte em que você tenha a replicação automática da coligação majoritária para a coligação proporcional, e não vai ser assim, inclusive, no lado que Gesane aderiu. Não terá aliança própria lá – só uma chapa para a proporcional – mas terão várias chapas, inclusive vários arranjos eleitorais, é só esperar para ver. Por isso que eu afirmo que é uma justificativa para tentar passar a ideia para a população, ou esconder da população que, de fato, ela aderiu. Mas é direito dela, aliás, cada um faz aquilo que acha que deve fazer na política e a sociedade é quem julga”.

“queda é natural”

Ainda na entrevista, Mineiro defendeu o governo Dilma Rousseff, do PT, afirmando que a queda da presidente na intenção de voto é natural, sobretudo por causa da “pancadaria” da oposição e do apoio da mídia a qual classifica oposicionista. “Eu acho natural. Você tem um processo, uma pancadaria, digamos assim, na mídia oposicionista, porque eu fico brincando dizendo que no Brasil a mídia faz mais oposição ao governo do que fazem os partidos de oposição. Se fosse oposição só partidária, mas você está vendo aí, enquanto de um lado a presidenta Dilma tem variações para baixo e em outras variações se mantém, tanto na avaliação do governo como avaliação de perspectiva eleitoral, mas a oposição não cresce, fica lá. Nessa última pesquisa todos caíram, mas o destaque é a queda da Dilma”, afirmou.

Ainda conforme Fernando Mineiro, o prognóstico de segundo turno deve se confirmar por uma questão histórica e não por má avaliação da presidenta. “É lógico que vai ter segundo turno, até com Lula teve segundo turno. Nós não tivemos nenhum momento onde nós disputamos eleição e ganhamos, no caso em 2002, 2006 e 2010, em primeiro turno. Então haverá sim segundo turno e será uma disputa boa”, afirmou.

De acordo com Mineiro, é preferível ganhar de 65 milhões de votos contra 35 milhões de votos no segundo turno do que de 51 milhões de votos a 49 milhões de votos no primeiro turno. “Dá mais legitimidade”, afirma. “No primeiro turno você tem vários projetos, no segundo turno você tem dois projetos que a sociedade escolheu e já filtrou no primeiro turno. A sociedade vai debater melhor, você discute melhor as alternativas, porque se trata disso, quais os caminhos que o Brasil vai trilhar no próximo período. Eu acredito, estou convencido que o Brasil vai querer avançar, vai querer mudar mais e mais e não querer dar marcha a ré. Então esse é o debate que vai ser estabelecido na sociedade”.

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