Minhas desculpas, amigo – Rubens Lemos

Amigo Alex Medeiros, minhas desculpas, mas você dançou. O nosso Albimar Morais, o querido e irrequieto Bima, me entregou novas…

Amigo Alex Medeiros, minhas desculpas, mas você dançou. O nosso Albimar Morais, o querido e irrequieto Bima, me entregou novas joias do arco da velha do futebol feito arte. Foi assim, de supetão, como de repente é sempre Bima.

O lote de exemplares da Revista do Esporte é de fazer o colecionador fanático delirar. Numa delas, Alex, calcule, está escalada e identificada, uma por uma estrela, a seleção do Campeonato Carioca de 1962 conquistado pelo seu Botafogo.

Veja se esse time daria para vencer a farandola que envergonhou o Brasil na Copa do Mundo das Arenas e das Alemanhas fulminantes: Manga (Botafogo); Jair Marinho(Fluminense), Mário Tito (Bangu), Nilton Santos (a Enciclopédia de quarto-zagueiro pelo Botafogo) e Altair (Fluminense);

O meio-campo, Alex Medeiros, vem com Maranhão do Vasco, o Maranhão Bicudo depois ídolo da torcida do ABC e Damião do Cosme Danilo Menezes. Maranhão ganhou o mérito de revelação do ano. O saudoso Maranhão foi o volante de 1962, com Gerson, o Canhotinha de Ouro, ainda no Flamengo, na armação.

O ataque arrasa com Mané Garrincha na ponta-direira, destruidor do Flamengo na decisão, Saulzinho, do Vasco, de centroavante, o espetacular Dida, do Flamengo, ídolo de Zico, na meia-esquerda, e Zagallo na ponta-esquerda, falsa. O técnico é o sisudo Flávio Costa e o melhor árbitro, o insuportável Armando Marques.

Eis apenas um detalhe do incalculável prêmio que recebi pelo afeto ranzinza do grande Bima, remoçado e feliz. Fomos almoçar e ele me passou um raio-x das futricas e intrigas do soçaite natalense que tanto eu quanto ele, desprezamos. Agradecemos por não merecer atenção dos esnobes.

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Agora mesmo, Alex Medeiros, passo a mão sobre uma entrevista com o ponta-direita Dorval, o camisa 7 da constelação da Praia do Zé-Menino, em Santos. Dorval enlouquecia laterais e cruzava para cabeçadas mortais de Pelé ou tocava leve para tabelinhas entre o Rei e o parceiro Coutinho.

Incrível, a Revista do Esporte informa que Dorval não gostava de dormir depois do almoço e pescava. Em campo, fazia o Peixe virar lobo devorador de adversários do mundo inteiro.

Pois é, Alex Medeiros. Convicto de que você não dará esporro ciumento em Bima, compartilho a notícia de que Garrincha ameaçava abandonar o futebol naquele 1962 (mas a revista é outra, para você não esquecer que a fartura me encantou).

Garrincha reclamava dos baixos salários propostos pelo Botafogo na renovação do contrato. Elza Soares já estava cantando e governando o Pai do Drible, que, na prática, fez sua última temporada extraordinária naquele ano. E terminou aceitando a permanência no clube pelo dinheiro que o Botafogo lhe oferecia.

Tem mais, há Djalma Santos e Julinho Botelho na Academia do Palmeiras, o perfil completo de José Mendonça dos Santos, nosso orgulho mossoroense chamado Dequinha, melhor volante do Flamengo e, na época, emprestado ao suburbano Campo Grande. Dequinha usava sabonetes Gessi, Alex e creme dental Colgate, só para seu governo.

Vou parando por aqui, meu companheiro, sem esperar que reajas com impropérios. Reclame de Bima. A culpa não foi minha. Proteste sabendo que ele vai lhe compensar, porque é o tipo de amigo que ganha presente fazendo a alegria de quem quer bem. Viva Bima, Papai Noel fora de época.

PS. Alex virá tal Jairzinho no contra-ataque. Aqui mesmo, no O Jornal de Hoje.

Castigo e impunidade

Aprendi, menino, a ser obediente e disciplinado no olhar firme de minha suave avó. Ou no pigarro sem cigarro do meu pai. Quando errava, o castigo era irrevogável: distância de futebol, fosse nas peladas de rua, na leitura da Revista Placar, na ida religiosa ao Castelão (Machadão).

Perdão inaceitável

Daí não aceitar o perdão do América a Max, campeão mundial de reincidência, depois de agredir o colega Rodrigo Pimpão. A foto dos dois apertando as mãos é um deboche.

Comparando para entender

Manterei meu ponto de vista mesmo que Max faça oito gols na decisão de amanhã contra o Atlético Paranaense. Hélcio Jacaré, Didi Duarte, Souza e Moura, grandes ídolos, nunca usurparam da condição de sumidades para dar mau exemplo. E Max, com todo respeito, está a milhas e milhas históricas dos quatro.

Jogo tenso

O Vasco, surrado, humilhado e destroçado pelo Avaí (5×0), chega a Natal no desespero. E aí mora o perigo. O ABC precisa apenas de um 0x0, mas não pode simplesmente se fechar assim que o árbitro ordenar o início da partida. Será um desafio fazer o time andar. Zé Teodoro é mais retranqueiro do que Leandro Campos, o Comendador do título da Série C em 2010.

Recorde

É quase unanimidade: ABC x Vasco decidindo a vaga na Copa do Brasil será o maior público da Arena das Dunas, jogo com padrão de assistência de Copa do Mundo. A torcida do ABC está eufórica, apesar da gangorra de resultados. Vascaínos virão de todo o Nordeste.

Boa nova

A Câmara dos Deputados analisa projeto que aumenta o tempo que torcedor envolvido em brigas em eventos esportivos poderá ficar preso ou proibido de frequentar estádios (PL 7063/14).

Estatuto defasado

Atualmente, o Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671/03) já pune quem promover tumulto, praticar, incitar violência ou invadir local restrito com penas de reclusão de um a dois anos, com multa, e de banimento pelo prazo entre três meses e três anos.

Seis anos de cadeia

A proposta, do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), prevê penas de reclusão de três a seis anos e multa e de banimento no prazo de três a dez anos, de acordo com a gravidade da conduta.

Outras sanções

O texto determina ainda que o torcedor condenado deverá entregar seu passaporte à autoridade competente, caso time brasileiro jogue no exterior, até cinco dias antes, podendo retirá-lo no dia útil seguinte. A determinação vale apenas para a modalidade esportiva na qual se deu a punição.

Medida inadiável

Segundo o deputado Mendonça, o agravamento das penas é necessário em função dos diversos incidentes de violência provocados por torcidas brasileiras nos estádios.O projeto será analisado pelas comissões de Esporte e Turismo; de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votado pelo Plenário.

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