MP pede arquivamento de inquérito da conduta do policial do “porque eu quis”

Para promotor, vídeo que mostra o uso do spray de pimenta pelo capitão foi editado

 

Capitão Bruno virou piada na internet, após a justificativa "porque eu quis". Foto: Reprodução / Facebook
Capitão Bruno virou piada na internet, após a justificativa “porque eu quis”. Foto: Reprodução / Facebook

A Promotoria de Justiça Militar manifestou-se pelo arquivamento do inquérito policial militar instaurado para apurar a conduta do capitão Alexandre Bruno da Rocha nas manifestações do Dia 7 de Setembro de 2013. No entendimento do MPDFT (Ministério Público do DF e Territórios), não houve indícios mínimos para indicar que o policial praticou crime comum ou militar. O inquérito investigava o uso desnecessário de spray de pimenta pelo capitão Bruno.

Após diligências, ficou comprovado que os manifestantes não mantiveram a distância mínima de 20 metros previamente acordada, o que, de acordo com os procedimentos adotados pela corporação e, atendendo determinação do comandante da operação, levou os policiais a usar o gás, o meio menos letal disponível para manter os manifestantes à distância.

O vídeo ganhou notoriedade por reproduzir imagens do capitão Bruno, que, questionado por um dos manifestantes sobre o motivo do uso de gás lacrimogêneo, respondeu: “Sim, porque eu quis, pode ir lá denunciar”. Entretanto, segundo o promotor de Justiça Nísio Tostes, é possível constatar que o vídeo foi editado para levar a crer que o capitão usou o spray de forma arbitrária.

No exame das imagens, nota-se que o policial militar que utilizou o spray de pimenta não é o capitão Bruno.

— Percebe-se que são duas pessoas distintas em razão do primeiro ter bigode e cavanhaque, além de uma insígnia no velcro do braço direito, enquanto o capitão não apresenta esses detalhes, como se vê nas próprias imagens — explicou o promotor.

A manipulação das imagens torna o vídeo sem utilidade como prova, segundo o MPDFT.

— É lamentável a afirmação feita pelo policial, mas o uso da expressão ‘fiz porque quis’, isoladamente, não configura crime. Se houve falta disciplinar, o fato deve ser apurado pela Corregedoria da Polícia Militar — concluiu Tostes.

Um vídeo amador, amplamente divulgado, flagrou o suposto em que o capitão da Tropa de Choque da PMDF usa spray de gás lacrimogêneo contra manifestantes e diz “pode denunciar”. A ação aconteceu durante as manifestações do feriado do Dia da Independência e o militar afirma que fez “porque quis”.

Ao todo, 50 pessoas foram presas durante as ações da polícia. A SSP-DF (Secretaria de Segurança Pública do DF) disse que entre os detidos estavam 15 menores de idade.

 

Fonte: R7

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    • francisco nunes de araujo

      Se fosse na china,no lugar do spray,seria bala.

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