Ministério Público vai investigar serviço de segurança nas unidades de saúde de Natal
A falta de segurança tem comprometido o atendimento nas unidades de saúde do Município. Em muitas, a segurança é feita apenas pela Guarda Municipal, que com o efetivo insuficiente não consegue cumprir com as escalas. Em outras, em parceria com a Guarda Municipal, a segurança também é feita por uma empresa privada, como é o caso da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no Pajuçara, na zona Norte de Natal. A escala por plantão é de cinco seguranças, sendo três guardas municipais que trabalham armados e dois vigilantes de uma empresa privada que trabalham desarmados. No entanto, esta escala, há mais de uma semana está irregular. Na manhã deste sábado (9), apenas dois vigilantes desarmados faziam a segurança do prédio.
No dia 15 de fevereiro, a UPA do Pajuçara passou boa parte da noite com as portas fechadas, por conta da falta de segurança, já que não é raro a unidade ficar desguarnecida. Neste dia, a Guarda Municipal não estava presente e dois tumultos na unidade agravaram ainda mais a situação. Um paciente psiquiátrico tentou agredir outro paciente. E no outro caso, tudo ao mesmo tempo, o parente de um paciente se desentendeu com um médico e um enfermeiro.
Após o bate-boca, o homem deixou a unidade prometendo voltar armado para matar o médico. Como não havia segurança, a direção achou mais prudente fechar as portas. Depois desse incidente, a UPA fez um novo contrato com a empresa de segurança privada Interfort, que disponibiliza dois vigilantes desarmados por plantão de doze horas.
Diante da situação de insegurança nas unidades de saúde, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu um inquérito civil para averiguar o serviço de segurança nas unidades de saúde da rede municipal, que vem sofrendo constantes assaltos e ameaças de agressões aos profissionais que trabalham nas unidades. O MP deve entrar em contato com a Secretaria de Saúde do Município (SMS) e com a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semdes). A reportagem de O Jornal de Hoje tentou entrar em contato o secretário de saúde de Natal, Cipriano Maia, mas ele não atendeu as nossas ligações. Na UPA, não havia nenhum representante da direção no local.
Na porta de entrada, o vigilante Diogo Borba, que trabalha há aproximadamente um mês na unidade, fazia na manhã deste sábado o controle dos pacientes que entravam na unidade. Os acompanhantes não podem entrar e são obrigados a ficar numa recepção improvisada no lado de fora. Diogo conta que desde que começou a trabalhar na unidade não aconteceu nenhum caso mais grave. “Quando as pessoas começam a se exaltar, conversamos e elas se acalmam. É um local muito delicado, pois as pessoas chegam doentes e seus acompanhantes querem vê-los atendidos, mas precisam respeitar os profissionais que estão trabalhando aqui”, afirmou o vigilante.
Na guarita, que fica na lateral do prédio, o vigilante Miguel Felipe estava responsável por controlar a entrada e saída de veículos que entram na Unidade. Ele conta que quando soube que trabalharia na UPA do Pajuçara, a empresa informou que o clima era pesado e que os médicos e profissionais estavam com dificuldades de trabalhar por conta da ameaça constante dos pacientes. “Trabalhamos desarmados, mas isso não impede que imponhamos a nossa autoridade. Nos casos em que os pacientes se exaltam, a maioria nos respeita, mas a presença da Guarda Municipal é fundamental nos casos mais graves”, afirmou o vigilante.
A manicure Silvana da Silva, que mora no conjunto Jardim Progresso, na zona Norte, conta que nunca presenciou nenhuma ação de violência na UPA, mas que o clima já é de tensão ao chegar à unidade. “Nunca vi, mas sempre conhecemos alguém que já presenciou alguma coisa. O complicado é que, como não podemos entrar, temos que ficar esperando aqui fora e ficamos de frente para qualquer bandido que ameaçar entrar aqui. Se tiver um tiroteio ou coisa do tipo seremos os primeiros a ser atingidos. Aqui é um perigo constante e não tem ninguém para nos proteger”, desabafou a manicure.
A dona de casa Tânia Farias, que mora na Redinha, revela que pela falta de segurança teme em ir à unidade quando está precisando de atendimento médico. “Só venho em caso de urgência mesmo, de extrema necessidade. Se der para agüentar, eu aguento e não venho, pois o medo de acontecer algo é maior e quando começou essa onda de assaltos o clima de insegurança ficou ainda maior”, destacou. Para a dona de casa, a solução seria colocar uma guarita, com um guarda, também na entrada da UPA, como forma de identificar as pessoas que entram na unidade e combater possíveis ações de violência. O costureiro Marcos Dantas, do Igapó, acredita que a presença de uma viatura policial como ponto de base, tal como acontece em outras unidades hospitalares, seria o ideal para transmitir mais segurança aos moradores.
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