Ministro da Saúde conhece realidade do Walfredo Gurgel e anuncia “ajuda” de R$ 14 mi

Alexandre Padilha é o primeiro ministro da Saúde a visitar o maior hospital de urgência e emergência do RN. Foto: José Aldenir
Às vésperas de completar 40 anos de funcionamento, comemorado no próximo dia 31, o maior hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, recebeu na manhã desta sexta-feira (22), pela primeira vez na história, a visita de um ministro da Saúde. O ministro Alexandre Padilha visitou as dependências do Pronto Socorro Clóvis Sarinho, o setor de politrauma e verificou in loco a caótica situação do hospital, que hoje tinha 47 pacientes em macas espalhadas pelos corredores.
Durante a visita, o ministro Padilha conversou com alguns pacientes do corredor, mas a imprensa não pode acompanhar a visita na área interna do hospital. Na ocasião, o representante do Governo Federal fez a assinatura da placa que marca a integração do Hospital Walfredo Gurgel ao programa federal SOS Emergência, que já estava em andamento na unidade, com ênfase na qualificação dos hospitais de urgência e emergência e melhoria da gestão e do atendimento em grandes hospitais.
Além de conhecer as dependências da unidade, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que serão investidos, anualmente, R$ 14 milhões, no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, sendo que R$ 11 milhões na criação de 118 leitos de retaguarda no Rio Grande do Norte, que serão instalados no Hospital da Polícia Militar Coronel Pedro Germano, no Ruy Pereira, no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), além do próprio Walfredo Gurgel.
Além disso, R$ 2 milhões serão destinados para aquisição de equipamentos e mais R$ 1 milhão para reforma e ampliação do setor de urgência e emergência do Walfredo. “Além disso, o Governo Federal vai investir R$ 300 mil por mês em custeio para o funcionamento do setor de urgência e emergência. O SOS tem dia para começar, mas não tem dia para terminar. A cada dia nós vamos enfrentando novas situações e nosso primeiro foco é garantir que pessoas não fiquem nos corredores”, afirmou.
“O programa SOS Emergência busca enfrentar as áreas mais críticas da baixa qualidade no SUS. Nós encontramos um hospital bastante lotado, com pacientes em macas nos corredores. É um hospital que concentra todo atendimento de urgência e emergência, não só de Natal, mas de quase todo o Rio Grande do Norte e é exatamente essa realidade que nós queremos mudar. Já estamos com nossa equipe acompanhando, conhecemos o grau de lotação, a quantidade de pessoas nos corredores, e sabemos que é uma situação que chegou a ser maior. Nós vamos enfrentar junto com o Estado, os municípios, os servidores do Estado. Sou o primeiro ministro que vem ao Walfredo Gurgel, porque entendemos que é uma realidade que precisa ser mudada e enfrentada”, destacou o ministro.
Dentro do Programa SOS Emergência, estão previstas também a instalação de câmeras em todo o hospital e a informatização do atendimento. “Isso vai ajudar o gestor a monitorar o que acontece no hospital, a ter um diagnóstico detalhado do funcionamento da unidade hospitalar, além de melhorar o tempo de espera”, afirmou o ministro. “Precisamos agir antes de chegar ao hospital, ações dentro do hospital e ações fundamentais depois da saída do paciente dos hospitais. Percebemos que as pessoas felizmente têm a vida salva nesse hospital, pelo esforço dos médicos e dos profissionais de saúde, mas muitas vezes ficam até quatro dias numa maca do Pronto Socorro para dar continuidade ao seu tratamento. A abertura de leitos de retaguarda vai contribuir para mudar essa realidade. Uma ação dentro do hospital é o Núcleo de Acesso e Qualidade, formado por servidores, que terão como papel visitar os pacientes que estão nos corredores para dar agilidade nos processos, como forma de retirá-los dessa situação o quanto antes”, destacou.
O ministro Alexandre Padilha disse que com o SOS Emergência, o Hospital Walfredo Gurgel terá que cumprir, administrativamente, algumas metas como de taxa de ocupação, de tempo de permanência dos pacientes, números de cirurgias. “O foco inicial e principal são todos os serviços de urgência e emergência nesse hospital, inclusive definindo melhor o que cabe a este hospital atender, o que deve ser realizado em outros hospitais e o SAMU trazendo para o Walfredo pacientes que precisam ser atendidos apenas por este hospital. Temos que estabelecer um perfil de pacientes porque esse hospital é muito valioso para salvar vidas”, afirmou.
Além disso, o ministro disse que é necessária a abertura imediata das Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) de Natal e da Região Metropolitana. “Definimos com os estados e municípios buscar a abertura imediata das UPAs 24 horas, inclusive o Ministério da Saúde está disposto a colocar mais recursos para ajudar na manutenção das UPAs, caso seja necessário, pois onde as UPAs estão funcionando, de cada 100 pessoas que precisam ir para o Pronto Socorro, 97 tem seu problema resolvido na própria UPA”, disse Padilha.
Governadora já vê resultados
A governadora Rosalba Ciarlini, que acompanhou o ministro Alexandre Padilha durante a visita ao Hospital, disse que já realizou outras visitas no Hospital Walfredo Gurgel e que já consegue perceber algumas mudanças. “Nós tínhamos mais de 100 macas nos corredores. Isso era uma constante e gradativamente estamos conseguimos reduzir, pois já abrimos mais de 80 leitos de retaguarda clínica. Quando concluirmos os mais 56 leitos até o final de abril, eu tenho certeza de que os 47 pacientes que estão no corredor hoje já não vão mais existir porque teremos leitos para abrigar esses pacientes. Vamos abrir a quantidade de leitos clínicos e de UTI necessários para que possamos retirar todas as macas dos corredores”, destacou.
Para a governadora, a solução do problema da superlotação do Walfredo será a construção do Hospital de Trauma, que está em processo de licitação e deve ter suas obras iniciadas em abril deste ano. A governadora confirmou que o novo hospital será construído na zona Oeste, próximo ao prolongamento da Prudente de Morais, nas proximidades do bairro Planalto.
O secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Fonseca, considera que a visita do ministro ao hospital como um marco, haja vista que é a primeira vez que um ministro de Estado visita o maior hospital do RN, mas no tocante ao que já vinha sendo realizado e a visão prioritária do Governo do Estado em relação ao Hospital não muda nada, pois, segundo o secretário, a concepção do conceito das ações é prévia a vinda do ministro Alexandre Padilha.
“A vinda do ministro ratifica a vontade do Ministério da Saúde, através do Programa SOS Emergência, e do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde Pública e da gestão local do Walfredo Gurgel, em resolver os problemas desta importante unidade. O servidor do Walfredo Gurgel é aguerrido, faz mais do que deveria e é sugado acima da capacidade de resposta porque um hospital com 288 leitos, as vezes tem que dar resposta a 450 pacientes internados. Isso é muito próximo do desumano. A vinda do ministro significa dizer que estamos no caminho certo e tem um significado do ponto de vista simbólico gigantesco, de dizer que é essa forma que está sendo é o correto”, destacou Luiz Roberto Fonseca.
Diretora geral desiste de entregar o cargo e permanece à frente do Walfredo Gurgel
A diretora geral do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro, disse que já teve uma conversa com o novo secretário de Saúde, Luiz Roberto Fonseca e desistiu de entregar o cargo e permanece como diretora do maior hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte. “Conversei com ele e chegamos ao consenso de que o mesmo grupo continuará a frente do Hospital, pois estamos fazendo um trabalho de formiguinha e as pessoas só não percebem se não quiserem. Somos um grupo, os diretores, o NAC, o grupo de educação permanente. Com isso, temos conseguido conscientizar as pessoas e elas estão aderindo ao processo. Sei que vai dar certo e só estou aqui porque acredito”, destacou a diretora geral.
Com experiência de 25 anos de atuação como plantonista do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho, Fátima Pinheiro assumiu a direção geral do Walfredo Gurgel no dia 23 de junho do ano passado. Médica especialista em cirurgia geral, Fátima chegou a pedir a exoneração no final do mês de janeiro e permanecia no cargo até que fosse encontrado um novo diretor para o hospital. À época, o então secretário de Saúde, Isaú Gerino, aceitou o pedido, mas teve dificuldade de encontrar um substituto.
Em relação à presença do ministro Alexandre Padilha e a formalização do Walfredo Gurgel como integrante do SOS Emergência, Fátima Pinheiro disse que a partir de agora a unidade será monitorada pelo gabinete da presidente da República, pelo Ministério da Saúde, pelo gabinete da Governadora e pela diretoria do Hospital. “Vamos acompanhar as entradas e saídas, as classificações e vamos identificar as possíveis falhas para poder resolver imediatamente. Estou feliz por ser diretora e poder contribuir com isso”, destacou.
Fátima Pinheiro disse que o grande desafio será implementar a classificação de risco na unidade, já que hoje conta com um acolhimento com enfermeira 24 horas. “Vamos ter um treinamento com 100 pessoas, médicos e enfermeiros, para treiná-los e termos plenamente a classificação de risco. Além disso, o Hospital Albert Einstein dará todo o suporte de capacitação”, destacou.
Médicos entregam relatório da situação da pediatria do RN ao ministro Padilha
A pediatra Kátia Correia Lima, vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Norte (Sopern), acompanhada da pediatra do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Sônia Godeiro aproveitaram a visita do ministro Alexandre Padilha para entregar a ele e a governadora Rosalba Ciarlini um relatório detalhando a situação caótica da pediatria do Rio Grande do Norte. O principal problema é o déficit de profissionais para cumprir as escalas médicas. No Hospital Santa Catarina, o Pronto Socorro Infantil está fechado desde o dia 19 por falta de médicos, e essa situação se repete desde janeiro. No Hospital Walfredo Gurgel e Deoclécio Marques de Lucena, a escala só está garantida até o dia 27 e no dia 28 encerra-se o atendimento no Pronto Socorro Infantil Sandra Celeste.
“O Estado já foi avisado há mais de três meses e nada foi feito. Por isso, a escala se encontra deficiente. Houve um grande número de aposentadoria e, no momento, as escalas não fecham. A partir do dia 27 nenhum pronto socorro do Estado terá atendimento pediátrico para dar assistência à população infantil. É uma situação lastimável, pois a pediatria não está sendo priorizada e quem sofre é a população”, afirmou a pediatra.
A solução de imediato, segundo Kátia Correia, seria a contratação de novos profissionais, com a realização de um novo concurso público. “Profissionais tem, mas ninguém quer dar um plantão eventual com os valores pagos hoje, pois não compensa, já que quem ganha mais é em torno de R$ 400. Pela cooperativa, o valor pago pelo plantão é de R$ 1 mil”, destacou.
Sônia Godeiro, que é pediatra do Walfredo, conta que o grande problema foi o grande número de aposentadorias que não foi reposto pela Secretaria. Hoje, o Walfredo conta com apenas 12 pediatras, quando o necessário seria mais nove médicos. “Não atendemos só a urgência e emergência não. Atendemos o Setor de tratamento de Queimados, no setor infantil, a enfermaria do 3º andar e o ambulatório. Precisamos ter, no mínimo, dois pediatras para poder dar uma boa assistência ao paciente. A direção quer impor apenas um pediatra, mas temos respaldo do Conselho Regional de Medicina que recomenda pelo menos dois pediatras por plantão”, destacou a médica.
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