Minoria, professores homens de educação básica ganham mais

No Brasil, a cada cinco professores da educação básica, só um é homem; pesquisa reúne relatos de preconceito

Apesar de ser uma profissão desempenhada predominantemente por mulheres, os docentes homens ganham mais em todas as etapas da educação. Foto: Divulgação
Apesar de ser uma profissão desempenhada predominantemente por mulheres, os docentes homens ganham mais em todas as etapas da educação. Foto: Divulgação

Quando pensa sobre os seus anos de ensino fundamental, de quantos professores homens você recorda? É bem provável que você não tenha tido nenhum professor do sexo masculino no ensino infantil nem nos anos iniciais do fundamental. É mais comum encontrá-los nas séries mais avançadas, em que já existe mais de um professor para cada disciplina. Segundo dados do Censo da Educação 2012, do total de 2 milhões de docentes da educação básica brasileira, 411 mil deles são homens, e 1,6 milhão, mulheres – ou seja, para cada 4 mulheres, há um professor do sexo masculino. Na educação infantil, exercem a função 429,8 mil mulheres e apenas 13,5 mil homens.

Apesar de ser uma profissão desempenhada predominantemente por mulheres, os docentes homens ganham mais em todas as etapas da educação. No Censo de 2010, os professores homens de universidades recebiam, em média, R$ 5.403,81, e as mulheres, R$ 3.873,18. No ensino pré-escolar e fundamental, as professoras informaram receber R$ 1.258,67, e os professores, R$ 1.685,55. No ensino médio, docentes do sexo masculino recebiam R$ 2.088,56, e do feminino, R$ 1.822,66.

A pós-doutora em ciência da educação Amanda Viveira Rabelo não considera que a diferença salarial tenha relação com preconceito. “Segundo constatei em minha tese, os homens têm maior facilidade de progressão na carreira para cargos de gestão, ganhando geralmente salário maiores, por estarem em cargos que ganham mais”.

Por outro lado, Amanda, que também é autora de uma pesquisa sobre as representações de gênero que envolvem a docência nos primeiros anos do ensino fundamental, em que analisou casos do Rio de Janeiro e de Aveiro, em Portugal, conclui que a renda maior não garante aos professores de séries iniciais uma posição de respeito; pelo contrário. Minoria nessa fase do ensino, a presença do professor do sexo masculino na sala de aula pode provocar reações de preconceito e estranhamento.

A pesquisadora entrevistou 149 professores do ensino público no Estado do Rio de Janeiro e 60 no distrito de Aveiro, em Portugal, e constatou que os professores homens das séries iniciais sofrem com questões de gênero – mais fortemente no Brasil –, definidas pela diferenciação social de atributos diferentes de homens e mulheres. No Rio de Janeiro, 43,54% dos entrevistados já presenciaram discriminações, enquanto em Aveiro foram 15,25%. A pesquisadora atribui o resultado à diferença cultural e hierarquia da profissão docente: no Brasil, os anos iniciais são menos remunerados, enquanto em Portugal a remuneração é feita por carga horária, não havendo diferenciação entre as séries. “O dado mostra que, no Brasil, a discussão de gêneros não está muito desenvolvida, está começando. O assunto precisa avançar mais aqui”, diz Amanda.

 

Fonte: Terra

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