Mistura de dança sensual e ginástica conquista mulheres na capital potiguar

Modalidade trabalha musculatura e eleva a autoestima e feminilidade das praticantes

O pole dance entrou na vida de Suely há apenas nove meses, mas os resultados são facilmente perceptíveis, segundo ela. “Cada dia me sinto mais segura”. Foto: Wellington Rocha
O pole dance entrou na vida de Suely há apenas nove meses, mas os resultados são facilmente perceptíveis, segundo ela. “Cada dia me sinto mais segura”. Foto: Wellington Rocha

Fernanda Souza fernandasouzajh@gmail.com   Sensualidade. Certamente essa é uma das primeiras palavras que associamos ao pole dance, integração de movimentos de dança e ginástica utilizando como elemento uma barra vertical. Em português, pole dance significa dança do poste e de acordo com relatos históricos, para dar origem à modalidade foi necessária a mistura de elementos da Índia, França, Canadá e Estados Unidos. Na Índia, desde os séculos XII, havia a prática de uma variante da yoga, chamada Mallakhamb, mas os adeptos contavam com o auxílio de um poste de madeira e cordas. Duzentos e cinquenta anos depois, a modalidade virou esporte, sendo mais praticado por homens do que por mulheres. Na França, o chamado estilo burlesco, que se refere a um tipo de apresentação teatral com paródias ou sátiras, e que muitas vezes implica em apresentações de strip tease, e a casa de shows Moulin Rouge, fundada em 1889 em Paris, também influenciaram o surgimento da forma atual do pole dance. Já nos Estados Unidos, a dança começou a se tornar semelhante à forma atual entre 1920 e 1930, com apresentações de dançarinas em feiras, mas foi em 1968, no Oregon, e ao longo dos anos 70 e 80, que a prática se popularizou nas casas noturnas. Nos anos 90, a canadense Fawnia Mondey-Dietrich lançou o primeiro DVD com instruções do pole dance para mulheres “comuns” e a dança começou a ganhar outros espaços e a partir do ano 2000, quando surgiu o pole dance fitness. O Cirque du Soleil também é considerado um é incentivador porque incorporou os mastros chineses em suas coreografias. Embora a história do pole dance esteja intimamente ligada ao erotismo, às casas noturnas e ao strip-tease, hoje existem diferentes vertentes da modalidade. Um das mais difundidas é o pole dance fitness, que tem como finalidade o trabalho de determinados grupos musculares e deixar o corpo em forma. O pole dance artístico visa mais o lado acrobático e é usado em espetáculos circenses. Já o pole dance sensual ou erótico é o utilizado em casas e shows de strip teases. No Brasil, a prática do pole dance fitness é cada vez mais crescente em academias e centros especializados. Em Natal, a academia Summerfit é pioneira em oferecer à modalidade dentro do seu leque de modalidades. De acordo com Luciene Medeiros, sócia da academia e professora de pole dance, a ideia de trazer a dança surgiu a partir da sua cunhada, Tatiana Andrade, também educadora física e professora da modalidade, que fez um curso em São Paulo. “Isso aconteceu há pouco mais de três anos. Ela veio com a ideia, montamos a estrutura e iniciamos com apenas duas alunas. Foi surgindo o boca a boca e hoje temos várias praticantes, inclusive dois homens”. Luciene explica que ainda há preconceito quanto à modalidade, que hoje já pode ser considerada um esporte, com competições nacionais e associações da categoria. “Tem aquela imagem de ser associada a cabarés, a dança de prostitutas, ao aspecto sexual. Mas quem vem com este intuito acaba não ficando, porque se exige muito do físico. Ensinamos primeiro os passos básicos, montamos uma coreografia em cima destes passos e depois evoluímos para os que exigem mais do físico, como giros, subidas e poses. Costumo dizer que a sensualidade faz parte do pole dance, mas depende da forma, da maneira que vai ser feita, que pode ser suave ou mais ousada. Fiz uma coreografia para uma aluna e ela pediu algo mais simples, mais leve, para apresentar ao marido”, contou. A professora também explica que por causa da alta demanda, a estrutura da academia será ampliada. “É uma modalidade nova, mas que vem conquistando as mulheres. Elas chegam tímidas, achando que não vão ter coragem, que é tudo difícil e que não vão ter força para executar os movimentos, mas acabam se adaptando, se divertindo, fofocando e trabalhando o corpo. O índice de desistência é baixo. Quem vem, fica, gosta e quer evoluir. Temos alunas entre 15 e 40 anos, baixas, altas, magras, cheinhas e outras que nunca fizeram dança, nem outro tipo de expressão corporal. Lembro de uma situação interessante, entre duas alunas, mãe e filha. A mãe incentivava a filha, dizendo que as aulas seriam boas para ela futuramente usar a dança como uma arma de sedução para o namorado”.   BENEFÍCIOS Luciene também elenca os diversos benefícios para o corpo através da prática regular da modalidade. “A parte cardiorrespiratória é muito trabalhada, por causa dos movimentos executados. E para aprender as coreografias, as alunas costumam suar muito. O gasto médio em cada aula de uma hora, é de, no mínimo, 300 calorias, mas depende do nível de cada turma. Abdômen, costas, bíceps, tríceps e parte interna da coxa são as partes da musculatura mais trabalhadas. A aula também tem o aspecto lúdico e dependendo da turma, as alunas ficam bem soltas. Quando as alunas veem o resultado no físico e na alma, não querem sair mais do pole dance”.   “Me sinto feminina sem ser vulgar” A administradora Suely Bezerril sempre se preocupou com o corpo e é praticante de musculação e outras atividades físicas há vários anos. Mas foi há nove meses, que o pole dance surgiu na sua vida de uma forma inusitada. “Meu professor de ginástica me trouxe para fazer uma aula de abdominal aqui e já gostei do que vi. Fiz uma aula experimental, me identifiquei e fui muito bem recebida, mas tinha dúvidas se ia conseguir executar os movimentos. Sempre quis fazer dança e aqui me encontrei, encarei como uma oportunidade. Tive o interesse pelo lado sensual, mas este não foi o foco”, contou. Segundo Suely, várias mudanças no corpo e na sua maneira de agir já são facilmente notadas. “Os alongamentos me deixam com mais flexibilidade, me sinto mais feminina, e realmente acho que é um “up”, porque a cada dia me sinto mais segura. Outra grande vantagem é que trabalho o meu abdômen sem sentir e ele melhorou muito, além da parte superior. Inclusive fiz uma tatuagem nos meus braços, que estão fortes, do jeito que eu queria. Quem chega aqui acha que não vai conseguir, mas cada movimento é uma vitória e quando saio da aula me sinto poderosa. Meu nível de autoestima é imoral. Me sinto feminina sem ser vulgar”.

Compartilhar: