Mito de mídia
Se Dedé, zagueiro do Vasco for um Mito, como é chamado pela mídia metida entender de futebol, podem me cumprimentar como Gay Talese, o monstro do jornalismo. Dedé, bom jogador, analisado com a isenção chutada para a linha de fundo no Brasil, é um Abel Braga quando beque de roça, rebatedor e com algum recurso na saída de bola.
Dedé é subproduto da falta de jogador no país tomado por merchandising e gente forçando a barra em blogues, jornais impressos e emissoras de televisão, nas peladas em HD Digital ou em mesas-redondas irritantes.
Começa pelo seguinte. Qualquer vascaíno razoável sabe que é blasfêmia chamar Dedé de mito quando no Almirante jogaram pelo seu setor, Bellini e Orlando, os titulares do miolo de zaga da seleção campeã do mundo de 1958.
É mítica, sim senhor, a imagem de Bellini erguendo a Jules Rimet com as duas mãos na Suécia após a decisão, aquele chocolate nos anfitriões por 5×2, com um camisa 10 que jogava até direitinho, de 17 anos e cabelo de recruta. Morava em Santos, o rapazola.
Orlando foi tão bom quanto o tempo em que jogava. Tempo que só não rendia grana. Vendido ao Boca Juniors, da Argentina, ficou fora da Copa do Mundo de 1962 e o quarto-zagueiro campeão, Zózimo, do Bangu, ganhou de Garrincha o apelido de “Boneco da Esso”, pela cabeça comprida e o cabelo espetado.
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Naquele tempo era o contrário. Só se convocava quem jogasse no Brasil. Mazolla, o Altafini de 1958, barrado por Vavá, se naturalizou italiano para jogar o Mundial de 1962. Julinho, o segundo maior ponta-direita da história, colado ali, com George Best, o maluco irlandês, preferiu ficar fora de 1958 por jogar na Itália, abriu mão para Garrincha, pois o titular de Feola chamava-se Joel, do Flamengo. Graças a Julinho, tivemos Mané.
Chamar Dedé de mito é uma afronta a Bellini e a Orlando, certo? Certo. E a Domingos da Guia, também com passagem pelo Vasco, doravante(doravante é uma demonstração de bagrismo da escrita), o maior zagueiro brasileiro da história?
Domingos driblava dentro da área e dava chapéus em atacantes. E além do mais, Domingos era pai de Ademir da Guia, o que lhe dá anos-luz de redundância talentosa. Domingos jogou com o goleiro Batatais na seleção brasileira de Leônidas da Silva e Batatais era do Fluminense de 1938, quando meu avô torcia fervorosamente pelo tricolor.
Dedé ser chamado de mito pela torcida do Vasco e a imprensa mauricinha é um soco(seria prontamente revidado ) na pança de Hécules de Brito Ruas. Brito segurou, com Fontana, a retaguarda vascaína durante a década de 1960 e foi tricampeão do mundo quando já estava no Flamengo.
Brito e Fontana batiam da cintura para baixo ou para cima e estão na história mais do que Dedé, pela definição de um estilo, a porrada. Brito foi o melhor preparo físico da Copa de 1970 e Pelé mesmo batia nos outros confiando nos golpes do zagueirão de bigode de Jalisco.
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Aí Dedé é chamado de mito. Tudo bem, fez duas boas temporadas em 2010 e 2011, conquistou uma Copa do Brasil e desde então se meteu a jogador clássico, a Baresi da Itália, a Passarela da Argentina, a Beckenbauer, a Djalma Dias(quanta saudade!) a Bobby Moore, a Luís Pereira, o Luís Chevrolet 74, a Luizinho sem as falhas de 1982.
Dedé é Dedé, um zagueiro que provoca frio na espinha do torcedor. Mito ele não é. O Vasco, em respeito, também, a Ricardo Rocha e a Mauro Galvão, dois luminares, não pode admitir a glorificação do corriqueiro.
Na miséria, areia vira filé mignon. Dedé é um exemplo da esqualidez produtiva no Brasil. Ele e Ganso, do São Paulo. Ganso teve duas boas fases, até o começo de 2011 e desapareceu, depois de ser comparado a Sócrates e a Pita, que quem viu jogar, sabe bem o que faziam na armação cerebral de um time.
O Vasco deveria vender logo Dedé enquanto a louvação falsificada prevalece. Até para preservá-lo. Deixa ele ir para o Corinthians enquanto há tempo e pode entrar uma grana boa. Dedé tomou um baile contra o Flamengo, outro contra o Bangu e contra o Fluminense corre o risco de virar nome de avenida no Engenhão.
Afinal, O mito é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus. É um mito brilhante e mudo. O trecho do poema Ulisses, claro, não é meu. É de Fernando Pessoa, ele, sim, um mito. Eu estou mais ou menos para Dedé.
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Mesquinharia
Se um tocantinense fosse eleito o terceiro na hierarquia do poder nacional, o Estado estaria em celebrações. Aqui, tem gente se contorcendo de ira e inveja, dois pecados capitais ao mesmo tempo, pela vitória do deputado federal Henrique Eduardo para presidente da Câmara Federal. É o Rio Grande do Norte perfeito.
Bairrismo
Se por aqui tem gente chateada com a vitória de um deputado da bancada potiguar(tenho boas relações e nenhuma vinculação empregatícia com Henrique), em Salvador, a imprensa suavizou o chocolate do ABC sobre o Bahia. Noticiário flozô, morno, murcho.
Frescura
O nome do cara é Júnior Xuxa. Do ABC. E a bola dele é grande. Júnior Alvinegro é besteira de xiita. Romário jogou no Flamengo e não virou Seminário. Edmundo também. E não mudou para Clarimundo. Júnior Xuxa e Jean Carioca devem formar as duas meias. Sem medo do Ceará. É acabar a freguesia.
Se garantir
O América tem que se garantir jogando bola. Não vá esperar pelo Vitória usando time misto. É admitir fraqueza e minimizar a capacidade do time.
Há 30 anos
Vi o jogo pela Rede Globo. Narração de Natan Oliveira, trabalhou em Natal na Rádio Poti, década de 1970. Dia 05 de fevereiro de 1983, semana pré-carnavalesca, América arrancou empate contra o Sport na Ilha do Retiro: 1×1. Mário para o América e Merica para o Sport. Apenas 3.824 pagantes.
Times
América: Rafael; Saraiva, Ivan Silva, Noronha e Vassil; Hélio, Gilson Lopes(Júnior) e Valério; Sandoval(Roberto), Mário e Severinho. Sport: Serginho; Betão, Bianchi, Marião(Edvaldo) e João Luís; Merica, Givanildo(Wilson Carrasco) e Edson; Denô, Roberto Cearense e Joãozinho.
Escândalo
Dúvida após escândalo descoberto pela Europol: Quem vai ver a Copa nos estádios e nos presídios?


