A modorra

Vem de velhíssimos saberes, Senhor Redator, desde o sono que os marinheiros antigos chamavam de modorra. E até hoje, quem…

Vem de velhíssimos saberes, Senhor Redator, desde o sono que os marinheiros antigos chamavam de modorra. E até hoje, quem consultar bons dicionários vai encontrar modorro, madorra, modorral, modorrento, modorrentamente e amadorrar, como expressões de sono leve, indolência ou apatia, se por doença; ou notícia de um certo mal que acomete as ovelhas. Por estes dias diante do mar,  vem a modorra, trazida pelo vento, como um manto a envolver os olhos desinteressados e sonolentos.

Não é aquela soneira, indolente e doce, que vem com a brisa logo nas primeiras horas da tarde, depois do almoço. Também não é a moleza de uma prostração nascida da enfermidade que derrama a tristeza e o desânimo sobre a carne. É aquela outra que dorme nos relatos dos marinheiros, espécie de uma letargia que faz o olhar se perder nos longes do mundo. Vago e sem desejos, como se de repente todas as coisas perdessem a cor e o cinzento triste e sem vida cobrisse a paisagem perdida na distância.

Por isso já arrumo os teréns e vou indo. O caminho é curto até chegar debaixo da minha sombra do lado de lá, depois da ponte. Bom é retomar a rotina nas horas mais brandas e mais íntimas, cercado dos bichos que parecem ter vida, de livros e papéis, de tudo. Nesses tempos modernos o computador e o telefone são extensões dos braços e pernas, dos olhos e ouvidos. Tudo se sabe sem sair da rede ou da mesa de trabalho, perto do café que de vez em quando vem afagar a alma na solidão da sala de jantar.

Não reclamo dos que ficam. E se ando deslembrado das coisas que passaram, recolho pedaços de um poema que enchia a vida de presságios aparentemente doces naquelas tardes, Senhor Redator. E como se fossem restos de um naufrágio de triste lembrança, sirvo como postas de um peixe morto para que viva nos versos de Miriam Coeli, no seu tristíssimo adeus ao mar, que nos avisa assim: ‘Caravelas, caravelas, / quando vos hei de avistar? / Velas brancas, altas velas / meus adeuses no além-mar…’.

Às vezes, não é difícil entender, ir é deixar a vida nesses becos por onde fogem a dor e o medo. E estendidas nos varais as roupas escuras que esconderam os nossos pecados, segundo o evangelho de Newton Navarro. E as roupas brancas, serão as últimas bandeiras de um tempo de ingenuidade que não volta mais? Quem lembra que ali, no alpendre daquela casa, Olinto Rocha fiava um fio fino tirado de um poema de Bandeira – ‘Vou embora pra Redinha / lá sou amigo de Cidôra / dona da toca do Rei?’.

Outros, quando chegassem, diriam, como o poeta Walflan de Queiroz: ‘Eu venho do mar’. Ou, voluptuosa e dolente nas águas tristes de Zila Mamede, confessariam: ‘Quero partir levando nos braços / a paisagem que bebo no momento’. Se o presente por onde se passa, e quando se passa, já é passado, como um dia nos ensinou o poeta Luiz Carlos Guimarães, e se só as palavras fazem companhia como disse Miguel Cirilo, a quem pertence esse mar se posso levá-lo comigo guardado na concha das mãos?

 

DECISÃO
O prefeito Carlos Eduardo Alves encerrou a discussão em torno do seu nome para ser o candidato da família ao governo. Resta saber se Henrique e Garibaldi também retiram e lançam Fernando Bezerra.

VISITA
Poderá ser mais breve que se pensa a presença do Visitador Apostólico da Nunciatura ao Estado. Para ver de perto a situação das três dioceses. Ele sabe que pedem seus olhos há tempos. Por isso visitará.

FESTA
Padre José Freitas Campos, festeja durante três, de 18 a 20, os 65 anos da paróquia de São Sebastião, no Alecrim. Freitas merecia ser Monsenhor pelos serviços prestados à Igreja do Estado e até do Brasil.

JOÃO
Quarta, amanhã, 18hs, na nova Catedral, será celebrada a missa de sétimo dia de João Faustino que era participante do Terço dos Homens, celebrado por padre José Mário na Igreja do Bom Jesus das Dores.

CARDEAL – I
Já era esperada a nomeação a elevação a cardeal de D. Orani Tempesta a cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro. Inesperada é a não elevado de D. Murilo Krieger que ainda permanece arcebispo de Salvador.

SÁBIA – II
São os desígnios da Santa Madre Igreja na sua sabedoria de dois mil anos. Salvador é a Arquidiocese Primaz do Brasil e fica sem cardeal. Como foi Dom Eugênio Sales. Mas não significa que não merece.

MARCO
Não deixa de ser um marco, e um exemplo para o Governo Rosalba Ciarlini, a notícia de que o prefeito Carlos Eduardo Alves, no primeiro anjo, assina contratos para construção de treze escolas municipais.

ALIÁS
Se o prefeito fechar o segundo ano de gestão com treze novas escolas construídas e quatro bibliotecas funcionando nas regiões da cidade, com seus alunos fardados e material escolar, será um gol de placa.

CARTA
Chegou ontem a esta coluna carta do prefeito Carlos Eduardo sobre a reclamação do leitor Nuremberg Ferreira de Sousa denunciando a falta de insulina nos postos de saúde da Prefeitura. Ei-la, na íntegra:

 

‘Caro jornalista Vicente Serejo,

Em atenção ao seu leitor, Nuremberg Ferreira de Sousa, gostaria de esclarecer que a falta de alguns itens de distribuição gratuita e que compõem a farmácia do Centro Clínico Dr. José Carlos Passos, na Ribeira não se deve a falta de recursos. Nem tampouco tem nada a ver com recursos destinados a obras de mobilidade ou outro evento promovido pela Prefeitura.

Esses itens são adquiridos com recursos do SUS, mas infelizmente o que acontece é que conforme a secretaria de Saúde me justificou as fitas e lancetas usadas para determinação da glicemia e a insulina Lantus foram compradas em processos licitatórios encerrados no final de dezembro.

Não houve tempo para as empresas ganhadoras do certame realizassem a entrega destes itens, ainda mais coincidindo com os feriados e o período de recesso de final de ano que muitas empresas concedem a seus funcionários.

Infelizmente, a burocracia criada no serviço público muitas vezes atrapalha a necessária agilidade quando se trata de compras e serviços indispensáveis à saúde.

O SUS é um plano de Saúde que atende a 170 milhões de brasileiros e que tem muitas falhas sob os cuidados de qualquer gestor e de qualquer partido e em qualquer parte do Brasil.

Aqui em Natal, senhor Nuremberg, estamos tentando arrumar a casa e colocar os serviços para funcionar e para isso um dos pontos é reconquistar a credibilidade junto a fornecedores, garantindo os pagamentos.

O senhor nunca ouviu ou leu qualquer declaração minha dizendo que pretendo ser governador. Pretendo, isso sim, senhor Nuremberg, cumprir com os compromissos assumidos junto a população de Natal. Inclusive o de melhorar os serviços de saúde. Ainda há muito por fazer, mas vamos continuar perseguindo essa meta.

Carlos Eduardo

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