Moradores ameaçam abrir vala na Capitão Mor Gouveia para escoar água da chuva

Comerciantes contabilizam prejuízos e perda de clientes. Prefeitura garante finalização das obras em 15 dias

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Moradores e comerciantes das proximidades da Avenida Capitão-mor Gouveia, no bairro do Bom Pastor, estão sofrendo com o alagamento gerado com as chuvas que começaram a cair em Natal desde ontem (27). Segundo eles, o problema começou depois do início das obras de mobilidade urbana na região.

Para amenizar o problema, eles pretendem até quebrar o asfalto para que a água acumulada escoe. “Um martelete está vindo hoje para cá. Vamos fazer uma abertura larga no asfalto e não vai dar para carro passar. Só assim eles vêm resolver”, disse o comerciante Adauto Parente, na tentativa de chamar a atenção da Prefeitura de Natal. Segundo Parente, o martelete é um equipamento capaz de perfurar asfalto.

A água da chuva está empoçando no sentido zona Sul – zona Oeste na Capitão-mor Gouveia e também afeta mais cinco ruas entre as ruas Sampaio Correia e Barão de Mauá. Na noite de ontem, os moradores da região tentaram quebrar o asfalto da faixa contrário para que a água escoasse pelo outro lado, mas não obtiveram sucesso porque os equipamentos eram manuais. O asfalto inclusive ficou rachado.

O comerciante Adauto Parente possui um restaurante no trecho prejudicado há sete anos. “Inundou tudo, tudo alagado. Isso aqui ficou um rio ontem”, disse enquanto sua mulher lavava o chão do estabelecimento. Segundo ele, a água subiu cerca de 15 centímetros. Mesmo assim, os veículos grandes se arriscaram a passar pelo local, o que acabava empurrando as águas acumulados para dentro de alguns imóveis. “Os ônibus quando passavam botavam com força”, relatou.

Para agravar a situação de Adauto, o seu restaurante ficou abaixo do nível das novas calçadas padronizadas construídas pelo município. Além disso, a nova calçada não tem a mesma largura da antiga. Desse modo, o estabelecimento ficou mais vulnerável a alagamentos. Na tentativa de amenizar a situação, a empresa responsável pela obra instalou uma galeria de água pluvial na parte da calçada de Adauto que ficou mais baixa (sem padronização).

O que deveria ser uma solução tornou-se outro problema. “A água em vez de escoar pela galeria está voltando. Na hora da agonia ontem, coloquei esse isopor e esses sacos para tapar. Se em 40 minutos de chuva aconteceu isso, imagine quando chover mais”, comentou o comerciante.

Outro morador do local contou que sempre quando procurava algum encarregado pela obra, era ridicularizado pelos responsáveis. “Quando a gente chega para falar do problema, eles ficam mangando da gente”, acrescentou Paulo Sérgio. O presidente do Conselho Comunitário do Bom Pastor, João Silvino, se preocupa com o período de junho, tradicionalmente chuvoso. “Eles disseram que iam resolver esse problema, mas a gente só não sabe quando”, declarou.

 

Prejuízos

As obras de mobilidade começaram em outubro do ano passado. Desde desse momento, Adauto Parente contabiliza os prejuízos com a perda da clientela. Um cozinheiro e uma atendente foram demitidos em razão da diminuição do movimento. “Teve uma queda aqui de, no mínimo, 60%. Tem semana que não ligo a churrasqueira. O cliente do self-service de dois, três anos, você não encontra mais por aqui. Quando dá 12h30 a gente fica olhando um para a cara do outro porque não tem cliente. Às vezes, a gente ficava até quatro horas da tarde na correria”, reclamou.

No entanto, o secretário de Obras Públicas e Infraestrutura Tomaz Neto, promete que o transtorno será temporário. “A drenagem daquela região ainda não foi concluída. Quando ligar a drenagem direto para as lagoas de captação, vamos acabar com 100% desse problema”, disse. O secretário também reafirmou que as obras da Capitão-mor Gouveia estarão prontas em 15 dias.

Sobre as calçadas padronizadas, Tomaz Neto afirmou que o resto da largura das calçadas será completada por concreto. Segundo ele, na semana passada o Ministério Público entregou uma série de recomendações sobre os problemas encontrados nas calçadas.

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