Moradores atingidos por transbordamento lutam por indenizações

Famílias já ganharam várias ações judiciais, mas todas foram contestadas pela Prefeitura do Natal

Foto: Wellington Rocha
Foto: Wellington Rocha

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Os moradores do entorno da Lagoa de São Conrado que tiveram suas casas alagadas pelo transbordamento ocorrido em 14 de junho passado se reuniram nesta quarta-feira (02) na Procuradoria Geral do Município (PGM) para pedir o pagamento urgente das indenizações. A maioria das cerca de 70 famílias afetadas perderam tudo e, por causa do incidente, estão morando em casas de parentes e amigos, sem perspectiva de retomar suas rotinas.

Segundo o diretor do Movimento Natal Agora, Jailson Soares, eles pedem um acordo com a Prefeitura Municipal para que esta faça o ressarcimento dos prejuízos causados pela última enchente no local e o pagamento de aluguel social, já que muitas casas foram interditadas pela Defesa Civil após vistoria realizada nesta última segunda-feira (1). E também o pagamento das ações judiciais anteriores, que já foram ganhas pelos moradores e contestadas judicialmente pelo município.

“Queremos fechar acordo sobre a última tragédia e as indenizações referentes às ações que os moradores já ganharam na justiça, mas que a Prefeitura sempre recorre para não efetuar o pagamento, deixando as famílias atingidas sempre em prejuízo, como se fossemos os culpados pelas enchentes. Quase todos os atingidos perderam tudo, ficaram só com a roupa do corpo e terão que começar tudo de novo, como das últimas vezes”, explicou.

Ontem (1), técnicos da Defesa Civil visitaram os imóveis atingidos pela enchente para levantamento dos danos materiais sofridos pelas famílias. A residência de Silvana Fonseca, que participou da reunião na PGM e onde o nível de água alcançou 1,60 metros de altura, foi uma delas. Emocionada, ela disse que não tem perspectivas imediatas e que espera receber o aluguel social para tentar reconstruir uma nova vida.

“Perdi tudo, minha casa está toda mofada, insalubre e estou com meus filhos espalhados nas casas de familiares e amigos, sem nada. Meu prejuízo é incalculável, porque além dos danos materiais, que já é muito, também sofro na parte emocional, pois perdi documentos, fotografias de momentos importantes da minha família, minha história, saímos com a roupa do corpo e a vida apenas. Trabalhei, lutei tanto, para ver tudo se perder debaixo da água”, revelou.

 

Temor de novo

transbordamento

Como a lagoa continua recebendo água das obras de drenagem do entorno do estádio Arena das Dunas e já está cheia, segundo os moradores, eles temem que aconteça um novo transbordamento. Cerca de 70 famílias foram atingidas na área, quando passaram entre dois e três dias com os imóveis invadidos pelas águas da lagoa.

Silvana Fonseca disse que aguarda uma decisão do executivo municipal para reiniciar sua vida e que teme pelas próximas semanas. “É desumano porque tem idosos, cadeirantes, pessoas cirurgiadas que tiveram que enfrentar a enchente de águas sujas e contaminadas por fezes, ratos e lixo e, como o inverno começou agora, se chover mais um pouquinho, a lagoa transborda de novo porque já está cheia, com água das obras”, desabafou.

Segundo a procuradora do Meio Ambiente, Cássia Bulhões, a Prefeitura de Natal tem interesse em firmar acordo com os moradores do entorno da São Conrado sobre as perdas materiais e solicitou um levantamento, por parte destes, para identificar os prejuízos. Ela disse também que o prefeito Carlos Eduardo entrou em contato com os representantes da construtora que faz as obras de mobilidade – apontada pelos moradores como responsáveis pelo transbordamento, na semana passada, mas não revelou o teor da conversa.

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