Moradores de casas inundadas pela lagoa querem as indenizações

"Além do prejuízo material, sofremos risco de várias doenças. Toda vez que tem enchente, o piso afunda e temos que trocar tudo"

Transbordamento da Lagoa causou inúmeros prejuízos materiais aos moradores, que já ganharam ações na Justiça, mas ainda não conseguiram reaver perdas. Foto: Heracles Dantas
Transbordamento da Lagoa causou inúmeros prejuízos materiais aos moradores, que já ganharam ações na Justiça, mas ainda não conseguiram reaver perdas. Foto: Heracles Dantas

Moradores que residem em frente à Lagoa de Captação de São Conrado, no bairro de Dix-Sept Rosado, e que há anos enfrentam os transtornos causados pelos transbordamentos da lagoa, em épocas de fortes chuvas esperam ser ressarcidos pela Prefeitura de Natal por causa dos prejuízos devido à inundação de suas casas desde 1995.

A costureira Rita de Cássia, que mora desde 1989 na Avenida Lima e Silva, em frente à lagoa, conta que um grupo de moradores já entrou duas vezes na justiça, nos anos de 1995 e 2008, em busca de indenização por danos materiais. As causas, segundo ela, já foram ganhas, mas até agora sequer foram contemplados pela determinação judicial. “Nossa ação foi para precatório. A justiça já autorizou o pagamento, mas a Prefeitura sempre recorre. É impressionante como a lei brasileira tem brechas e, enquanto isso, amargamos no prejuízo”, contou Rita, que viu sua casa ser inundada por seis vezes, durante o período de 15 anos.

Em 2007, Rita abriu uma loja de roupas e já em 2008 o transbordamento da lagoa nos meses de julho e agosto destruiu todo o investimento de quase R$ 30 mil. “Perdi tudo. Seis máquinas de costura, computador, a minha mercadoria inteira e até hoje meu nome está sujo. Tenho 60 anos e me sinto humilhada. Em 2008, ganhamos a causa novamente e nada de dinheiro. Agora saiu de novo e a Prefeitura já recorreu. Faço um apelo ao prefeito [Carlos Eduardo] que tenha piedade de nós. Estou com meu CPF sujo por causa de dívidas e não posso nem vender esta casa porque vão querer um preço muito abaixo do que vale. Ninguém quer morar aqui”, desabafou.

Ainda segundo a costureira, não são feitas limpezas periódicas na lagoa para evitar o transbordamento. “Não tem manutenção e só limpam quando tem chuva. Disseram que cavaram uns sete metros, colocaram duas bombas, mas acho que não resolve não porque a lagoa está muito cheia e se chover, só Deus para ajudar. As bocas de lobo vivem entupidas. Tem vizinho aqui próximo que estava internado por causa de leptospirose. Além do prejuízo material, sofremos risco de várias doenças. Toda vez que tem enchente, o piso afunda e temos que trocar tudo”.

A reportagem d’ O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com o Procurador Geral do Município, Carlos Castim, para comentar o caso, mas as ligações não foram atendidas nem retornadas.

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