Moradores de Emaús relatam assaltos constantes e reclamam da insegurança

Segundo população, somente nos últimos 10 dias quatro casas foram arrombadas na região

Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir

Diego Hervani

Repórter

A sensação de insegurança com os constantes casos de violência no Rio Grande do Norte é constante. Porém, há regiões em que a situação é ainda pior. Esse é o caso do bairro de Emaús, em Parnamirim, município da Grande Natal. Os moradores reclamam que os assaltos são diários e relatam que nos últimos 10 dias quatro casas foram roubadas.

De acordo com Johilton Vargas, os criminosos agem durante a madrugada e são bastante violentos com as vítimas. “Teve uma casa assaltada que os criminosos entraram durante a madrugada e ficaram com a família até o início da manhã. Eles levaram carros e até agrediram uma criança. É muito complicado. Você acordar com uma arma apontada para a sua cabeça. Ainda tem os assaltos nos estabelecimentos comerciais”, reclamou. Além dos casos nas residências, assaltos na rua são os mais comuns, tanto que as pessoas até evitam andar a pé no bairro. “Se você observar, poucas pessoas andam a pé. O pessoal prefere andar de carro. Até mesmo no centro do bairro, poucas pessoas estão circulando. O medo é muito grande”, frisou Johilton.

Já a empresária Tatiene Gomes, que também é moradora de Emaús e tem uma academia no bairro, lembra que quem tem que andar nas ruas da região, está preferindo sair apenas com a roupa do corpo. “Aqui você não pode mais andar com nada. Eu mesmo fui assaltada. Quando estava saindo de casa os bandidos me abordaram. Teve um caso de uma mulher, que estava andando na rua e foi abordada pelos criminosos. Eles pediram o celular, mas ela falou que não tinha. Então eles baixaram as calças da mulher para saber se ela não estava escondendo o aparelho”, disse a mulher. “Aí você pode perguntar se não tem policiamento. Faz tempo que não vemos uma viatura fazendo ronda. Acho que vou colocar uma câmera para saber se ainda tem, pois eu não vejo”, completou Johilton.

Sem a segurança necessária, os próprios moradores têm buscado alternativas para tentar escapar das ações criminosas. “Nós temos um grupo no WhatsApp, que é o “Vizinhos Unidos pela Segurança do Bairro”. Somos 25 pessoas e ficamos passando informações sobre alguma ação suspeita. Outro dia me passaram que tinham dois homens de bicicleta no bairro. Peguei meu carro e fui investigar. Encontrei os dois homens e pouco tempo depois eles assaltaram uma mulher em um terreno. Eu persegui os dois, mas não consegui pegá-los”, disse Johilton Vargas.

Até mesmo fechar o bairro e deixar apenas moradores passar já foi uma alternativa estudada. “Nós estamos estudando as possibilidades. Estamos analisando se vamos começar a pagar alguma segurança particular. A questão de fechar a rua é complicado, pois se fizermos isso, rapidamente vem alguém do Governo reclamar, mas para nos ajudar na segurança não aparece ninguém”, concluiu Tatiene.

PM diz que tem reforçado policiamento na região

Em contato com a reportagem do Jornal de Hoje, o coronel Jair Júnior, comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, afirmou que está ciente dos problemas que o bairro de Emaús tem enfrentado, mas disse que a PM tem se esforçado para conseguir inibir a ação dos criminosos. “Até os bairros próximos de Emaús também têm sofrido com a insegurança. Estamos colocando polícia ostensiva nas ruas. Deslocamos uma viatura somente para cobrir o bairro de Emaús. Nós estamos agindo na busca de prender esses meliantes”.

O coronel também lembrou que recentemente algumas pessoas foram presas suspeitas de estarem agindo na região. “Nós fizemos a prisão de uma quadrilha que estava em um HB20 em frente para um posto da região. Também identificamos uma casa que estava com três carros roubados. Todos os dias estamos trabalhando para tentar trazer uma resposta positiva para a população”.

Jair Júnior também pediu o apoio dos moradores, principalmente denunciando o que tem acontecido. “A população precisa entender que prender esses criminosos não é um processo simples. Quando se prende, precisamos ter provas que aquela pessoa realmente cometeu um delito. Uma das coisas importantes é termos testemunhas que aquela pessoa é um criminoso. Estamos trabalhando em conjunto com a Polícia Civil e estamos avançados em alguns inquéritos, para conseguirmos provas suficientes e prender alguns elementos”.

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