Moradores de Felipe Camarão denunciam redução na frota de ônibus

Usuários reclamam que espera por ônibus pode chegar a até 1 hora e 30 minutos

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Há mais de três meses que os moradores do bairro Felipe Camarão, zona Oeste de Natal, estão registrando atraso dos ônibus que compõem o sistema de transporte coletivo na região. Segundo os usuários, eles chegam a esperar entre 40 minutos a uma hora e meia pelas linhas, situação que se repete quase que diariamente, comprometendo o cumprimento dos horários no trabalho e nas escolas.

A Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) informou que não houve nenhuma alteração com relação à quantidade do número de ônibus e de linhas em Felipe Camarão. Segundo Clodoaldo Cabral, secretário adjunto de Transporte, o atraso dos ônibus está relacionado à mudança do itinerário em função das obras de mobilidade urbana, principalmente no trecho que compreende a Avenida Capitão-Mor Gouveia.

“Consequentemente, as obras naquela região deixaram o trânsito mais pesado, interferindo na agilidade do fluxo de veículos”, disse. O sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Natal (Seturn) também garantiu que não houve alteração no sistema de transporte público do bairro, reafirmando o que já havia sido dito pela Semob.

Apesar de não ter havido mudanças, os usuários de ônibus alegam que o sistema não está funcionando como deveria. João Maria Gomes, líder comunitário e membro do Movimento Voluntariado de Felipe Camarão, disse que “quem mora no bairro sabe dos problemas recorrentes”.

“A gente que mora aqui sabe a quantidade de veículos, de linhas e os horários que os carros passam. Houve mudança sim na quantidade ônibus. É visível. Como os empresários não conseguiram o aumento das passagens de ônibus, eles encontraram uma forma de boicotar a nós e ao sistema”, afirmou.

João Maria também informou que há 15 dias esteve reunido com os titulares da Semob, apresentando a reclamação dos usuários, mas não teve nenhum retorno. “Eles ficaram de nos apresentar um levantamento de como está funcionando o transporte público na nossa região, mas até agora não nos mostraram nada. Enquanto isso, ficamos nessa situação caótica”, disse.

Os horários em que há maior concentração de usuários nas paradas de ônibus em função do atraso, segundo os próprios moradores, são nas primeiras horas da manhã, entre as 6h e 9h. As linhas que vêm apresentando atraso com mais frequência são a 22, 30, 31, 63 e 71. A reportagem do Jornal de Hoje passou por algumas paradas na manhã de hoje, mas não registrou superlotação. Entretanto, as pessoas ouvidas confirmaram o problema de atraso e também da falta de estrutura dos veículos.

A dona de casa Glória Barbosa, de 67 anos, disse que já estava esperando pelas linhas 21 ou 63 há mais de uma hora. “Faz muito tempo que enfrentamos isso. Além de não podermos fazer nada com horário marcado, por depender do transporte público, ainda temos que aguardar horas e horas em um lugar assim, insalubre e sem proteção alguma”, disse, sobre a parada de ônibus localizada na Rua da Tamarireira, no cruzamento com a Avenida Nossa Senhora do Rosário.

Já Simone Felipe também destacou que os atrasos recorrentes podem ser pela diminuição do número de veículos. “Sabemos que há obras que atrapalham, mas também não somos bestas. Temos consciência quando algo não está normal. Enquanto hoje eu espero mais de 40 minutos por um ônibus, diariamente, já houve dias em que eu esperava menos de 15 minutos. Já recebi muita reclamação por atraso no trabalho”, disse Simone, que trabalha em casa de família, no bairro de Candelária.

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