Moradores denunciam retirada de abrigo de ônibus em Felipe Camarão

O líder comunitário João Maria Gomes diz parecer que o bairro de Felipe Camarão não é prioridade para Natal

Abrigo foi retirado há mais de um mês e ainda não foi reposto. Enquanto isso, usuários aguardam o transporte debaixo de sol forte. Foto: José Aldenir
Abrigo foi retirado há mais de um mês e ainda não foi reposto. Enquanto isso, usuários aguardam o transporte debaixo de sol forte. Foto: José Aldenir

Os moradores de Felipe Camarão estão indignados com a retirada de uma parada de ônibus na rua Nossa Senhora do Rosário. De acordo com o líder comunitário João Maria Gomes, há mais de um mês os usuários do transporte público convivem com a situação. “Disseram que iriam repor, mas até agora nada. Também temos um problema grave de falta de ônibus e não cumprimento de horários e itinerários. Já nos reunimos com a Semob [Secretaria Municipal de Mobilidade Urbano] e a empresa responsável, mas até agora nada foi feito. A empresa alega que os motoristas acabam desviando por causa dos buracos, mas a população não pode sofrer com isso”, disse.

A técnica de enfermagem Socorro Souza, que trabalha na maternidade em frente ao local que retiraram a parada, conta que todos os dias espera, no mínimo, meia hora pelo ônibus. “Saio de um plantão de 24 horas e tenho que ficar em baixo do sol. A sorte é que tem esse espaço que os comerciantes usam e é coberto porque se não fosse isso a gente estava derretendo aqui. É um absurdo. Tanto dinheiro gasto nesta cidade e nada para cá”.

Outro problema comum são os buracos espalhados pelas ruas do bairro. No cruzamento das ruas Joaquim de Castro e Professor Antônio Trigueiro, a população teve que colocar metralha para que o buraco não afundasse e comprometesse a galeria. “Este buraco vai acabar afetando o itinerário dos ônibus. Fica acumulando lixo e a gente mesmo é que limpa. Meu tio já fez a limpeza várias vezes”, disse a comerciante Adma Umbelino.

Cláudio Rodrigues, que possui uma casa na esquina da rua Tibiriçá, convive há mais de um ano com um buraco em frente à sua residência. “Havia uma cratera aqui e só eu já liguei três vezes para os órgãos competentes. Tive que colocar metralha para não afundar. Sem falar que esta água que passa é suja, com dejetos, por causa das ligações clandestinas. Teve uma vez que coloquei o meu carro aqui na frente e quando fui olhar o pneu estava afundando. A sorte é que temos lideranças comunitárias que lutam pela gente e conseguimos alguma coisa. Mas nos sentimos abandonados”, disse.

Já Sidney Ferreira, que possui um pequeno comércio localizado no cruzamento entre as ruas Sereia e Potiguaçu  e construído região em cima de um encontro de galerias – lamenta o que chama de descaso. “Aqui o bueiro entope e sai fezes pelas ruas. Nós é que temos que tapar os buracos colocando areia e metralha, fazendo um mutirão porque não podemos ficar assim. Quando chove é um Deus nos acuda. No máximo, o que eles fazem é colocar uma mangueira para o esgotamento, mas é tudo paliativo. Meus clientes reclamam do mau cheiro”.

O líder comunitário João Maria Gomes diz parecer que o bairro de Felipe Camarão não é prioridade para Natal. “Tem moradores que chegam para mim e perguntam se o bairro faz mesmo parte de Natal. É revoltante. Há dez anos estamos na luta, mas o nosso bairro está esquecido, seja na saúde, educação e segurança. Um das nossas maiores lutas, que é o saneamento, ainda não aconteceu de fato. O esgoto do bairro está indo para às margens da BR 226 e fica a céu aberto. É um esgoto que vem da maternidade de escolas, de posto de saúde. E já que o bairro não tem saneamento este esgoto é clandestino”.

Até o fechamento desta edição, a reportagem d’O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com os titulares da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi) e Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), mas as ligações feitas não foram atendidas.

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