Moradores reclamam de remoção de favela perto do Maracanã a meses da Copa

A favela Metrô-Mangueira está em processo de extinção

Casas habitadas da favela Metrô-Mangueira dividem espaço com entulhos de imóveis demolidos. Foto: Lucas Landau / Reuters
Casas habitadas da favela Metrô-Mangueira dividem espaço com entulhos de imóveis demolidos. Foto: Lucas Landau / Reuters

De algumas das casas remanescentes da favela Metrô-Mangueira, na zona norte do Rio de Janeiro, ainda se tem uma vista privilegiada da fachada do estádio do Maracanã. Ainda. Porque, no que depender da Prefeitura da capital fluminense, em breve já não haverá mais casa nenhuma naquela comunidade, nem vista do estádio.

Localizada a cerca de 700 metros da arena da final da Copa do Mundo de 2014, a favela Metrô-Mangueira está em processo de extinção. A maior parte de suas casas, que chegaram a abrigar mais de 600 famílias, já foi demolida pela administração municipal. As que ainda seguem de pé devem ser derrubadas dentro de um ou dois meses.

Segundo a Prefeitura, a remoção da comunidade vai abrir espaço para o Polo Automotivo da Mangueira, um centro comercial que vai reunir lojas de autopeças e borracharias que já funcionam na região. É justamente para a construção do polo que moradores estão sendo retirados de suas casas e transferidos para outras habitações.

No entanto, de acordo com o Comitê Popular da Copa e Olimpíada do Rio e quem ainda vive na favela, o motivo da remoção é outro: o Mundial de 2014, que começa daqui a 147 dias. “Aqui, tem fácil acesso para o Maracanã. O governo quer deixar tudo bonito para a Copa”, explicou Elaine Vita Paulino da Silva, 29 anos, moradora da Metrô-Mangueira. “Acontece que o Rio não é só isso que eles [os políticos] querem mostrar. Aqui também tem gente sofrendo, precisando de uma casa”, completou.

Elaine vive na favela com seus três filhos: um garoto de 14 anos, uma menina de 12 e a caçula, que tem cinco. A casa onde ela mora tem um banheiro, que não tem água, e dois cômodos: sala-cozinha e quarto.

A habitação foi construída em cima de uma borracharia, que dá de frente para a Avenida Radial Oeste, uma das principais vias de acesso ao Maracanã. O imóvel fica ao lado de um terreno cheio de entulho de uma casa recém-demolida pela Prefeitura.

“Na terça-feira passada [dia 7], eu saí para passear com as crianças. Quando eu voltei, vi que tinham demolido parte da minha varanda”, contou Elaine. “Agora, não posso nem mais sair para vender alguma coisa. Dá medo.”

Fonte: Uol

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