Moradores transformam viaduto na Zona Norte de Natal em moradias improvisadas

Aproximadamente quatro pessoas, incluindo uma grávida, estão morando embaixo do Viaduto das Fronteiras

Família foi morar no local há cerca de sete meses. Sonho é conquistar uma casa própria e um emprego para tentar mudar de vida. Foto: Heracles Dantas
Família foi morar no local há cerca de sete meses. Sonho é conquistar uma casa própria e um emprego para tentar mudar de vida. Foto: Heracles Dantas

Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

 

O básico de uma casa comum o casal Luciano da Silva, de 34 anos e Angélica Cristiana, de 42, possuem. Sofá, cama, guarda-roupa e armário fazem parte dos móveis que ambos têm. Porém, a localização da “casa” mostra a frágil realidade dos dois.

Há aproximadamente sete meses, ambos passaram a morar embaixo do Viaduto das Fronteiras, que fica na zona Norte de Natal. “Nós nos conhecemos na rua mesmo. Moramos em alguns lugares até chegarmos aqui”, destacou Luciano, que virou morador de rua há quase quatro anos, quando teve uma briga com o pai e acabou expulso de casa. “Eu tenho problemas com o álcool. Bebo muito, mas não uso drogas. Meu pai usava, brigamos por isso e ele me expulsou de casa. Desde então tenho andado pelas ruas da cidade buscando um local para viver”.

Apesar da ajuda que o casal e mais duas pessoas que também vivem no local recebem toda semana de membros de algumas igrejas da região, que doam roupas e comida, o desejo é de um dia conseguir uma casa própria e um emprego, para tentar uma vida melhor.

“Ninguém gosta de morar nas ruas. Aqui é muito perigoso. Nem todo dia chega ajuda. Muitas vezes eu já apanhei de algumas pessoas que vieram usar drogas aqui. Ninguém merece passar pelo que nós passamos. A única coisa que quero é ter um lugar para morar junta com ela [Angélica]“, frisou Luciano, que ainda contou que perdeu a única maneira com a qual ainda conseguia ganhar algum dinheiro.

“Nós tínhamos um carrinho e coletávamos latas e algumas coisas do lixo para fazer reciclagem e conseguir algum trocado para não passar fome. Já tivemos uns três carrinhos para fazer a reciclagem, mas sempre alguém chega aqui e acaba roubando o nosso carrinho. Hoje realmente vivemos apenas da ajuda dos outros”.

A companheira de Luciano, Angélica, viveu uma situação parecida. Ela trabalhava como recepcionista em um supermercado, mas se envolveu com drogas e bebida e passou a morar nas ruas.

Durante toda a conversa com a reportagem, Angélica pouco falou e sempre que conseguia dizer algo, ela se mostrava bastante emocionada, sempre lamentando o caminho que sua vida tinha tomado. Ao final, chorando bastante, ela revelou que está grávida e teme pelo futuro do filho.

“Eu não quero ter meu filho em um lugar como esse. Quero ter minha casa, nem que seja um lugar apertado, com apenas um quarto. Qualquer coisa é melhor do que a situação que nós passamos aqui. Nós não somos pessoas ruins, apenas queremos uma ajuda para tentar uma vida diferente”.

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