A mordaça de Maduro

Por Caio Blinder   Perigoso e incompetente, Nicolás Maduro não decepciona. Seus 10 meses de governo na Venezuela seguem o…

Por Caio Blinder

 

Perigoso e incompetente, Nicolás Maduro não decepciona. Seus 10 meses de governo na Venezuela seguem o figurino que se esperava. Sempre se dizia que com ele era a vez do chavismo sem o “charisma” de Hugo Chávez.

No entanto, em pelo menos um ponto Maduro surpreende e vence na comparação com o antecessor e mentor: ele consegue ser ainda pior na intimidação e cerco do que sobrou de mídia na Venezuela.

Em meio a protestos estudantis (com mortes), a criminalidade disseminada e a rápida deterioração da economia, os meios de comunicação estão entretidos em dar voz estridente ao chavismo ou cobrir entretenimento (a Venezuela tem inflação econômica e também de telenovelas).

Os setores que ousam acompanhar a tensão política de uma perspectiva que não siga o oficialismo são amordaçados. O resultado é uma combinação de docilidade, autocensura e indiferença.

A intimidação é especialmente virulenta na televisão, onde existe uma alarmante e crescente redução da liberdade de expressão. Emissoras que se pautavam por uma cobertura crítica já tinham sido domesticadas, como foi o caso da Globovisión, adquirida no ano passado por empresários leais ao chavismo, integrantes da “boligarquia”. Na semana passada, jornalistas da Globovisión pediram demissão em protesto à falta de cobertura nos protestos dos últimos dias.

A mesma coisa aconteceu com a empresa proprietária do jornal Últimas Noticias, o de maior circulação no país. Era um conglomerado independente e na expressão delicada do Financial Times foi vendido em 2013 para um “grupo não identificado de investidores locais”.

Nas redes sociais, a liberdade de expressão também sente o golpe. Houve interrupção, por exemplo, no Twitter na semana passada, com suspeita de que tenha sido iniciativa da Cantv, a empresa de telecomunicações estatal que controla a maior parte do tráfico de internet no país.

A velha mídia, para lá de madura, através de um punhado de jornais independentes, está à frente de uma cobertura crítica e independente no país do podre successor de Hugo Chávez.

No entanto, a vida é ingrata para este setor, não apenas em função do cerco chavista, mas dos desafios comuns nesta era de transição da mídia. Nas últimas semanas, 11 jornais deixaram de ser publicados e o mesmo poderá acontecer com mais 15.

O regime interefere inclusive na cobertura feita de fora. Uma estação privada, baseada na Colômbia, a NTN24, mas muito popular na televisão por assinatura na Venezuela, foi tirada no ar na semana passada no auge dos protestos estudantis. O próprio Maduro veio a público com a desculpa de que era preciso “defender o direito à tranquilidade”.

Estamos intranquilos. (CB, no site da VEJA)

 

Assassinatos

Por que a senhora Izânia Maria Bezerra Alves não recebeu proteção logo após ser agredida e ter um braço quebrado? Como pivô do assassinato do lutador de MMA, era para ter sido protegida enquanto o inquérito rolava. Hoje, talvez estivesse viva.

 

Ditadura

O psicopata Nicolás Maduro, que preside a Venezuela por hereditariedade demagógica, colocou na programação da TV estatal uma mensagem de Luiz Inácio, o capo do PT, prestando solidariedade ao governo que está sequestrando e torturando estudantes.

 

Povo nas ruas

As multidões não abandonam as ruas das cidades venezuelanas, exigindo o fim da ditadura comunista implantada com apoio de milicianos cubanos que entraram no país disfarçados de médicos e enfermeiros. O movimento é chamado de “Resistência”.

 

Fakes

Desde a noite de domingo, um exército de perfis falsos passou a agir no Twitter defendendo a ditadura na Venezuela e agredindo quem defende a democracia no país. É fácil identificar os fakes, todos não ultrapassam 200 seguidores na timeline.

 

Sininho

A ativista (o termo é apropriado para adultos sem profissão e sem emprego) Elisa Quadros pode ter um bom futuro se partir para ações mais radicais, como assalto a banco, sequestro e roubo de cofre. Pode até virar presidente do Brasil em 2034.

Exemplo

O governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), vai conseguindo para seu candidato Pezão o que Henrique Alves tenta por aqui. Já reuniu as siglas PMDB, PSD, PDT, PP, PTB, PMN, PSC, PTC, SDD, PSDC, PSL, PHS, PTN, PRTB e PRP. E falta o PV.

 

Exemplo II

O problema da grande aliança de Cabral é que o candidato não saiu do canto, continuando em quarto lugar atrás de Lindbergh Faria (PT), Marcelo Crivella (PRB) e do líder em todas as pesquisas, Anthony Garotinho (PR). Pezão é “pezado”.

 

Federal

É melhor o PMDB desistir de buscar aliança com o PT propondo que Fátima Bezerra se mantenha deputada federal e oferecendo a vice-governadoria na chapa. Os companheiros decidiram pelo Senado e lançarão Fernando Mineiro a deputado federal.

 

Estaduais

Um fracasso retumbante em âmbito nacional o público dos campeonatos estaduais. Os estádios estão às moscas e até um duelo radical como Vasco x Flamengo só consegue 13 mil pagantes. Para que serve ser campeão carioca, paulista, baiano ou potiguar?

 

Torcidas

Há muito tempo que ABC e América perdem feio no colorido das ruas, onde jovens cada vez mais usam camisas de clubes paulistas e cariocas, e até estrangeiros, como Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Liverpool e, pasmem, Boca Juniors.

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