Morre o argentino Alfredo Di Stéfano, o primeiro craque globalizado

Argentino naturalizado espanhol tinha 88 anos. Um jogador à frente do seu tempo, ex-atacante aliou como poucos o talento individual ao sucesso do grupo

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Presença certa em qualquer lista respeitável dos melhores futebolistas de todos os tempos, Alfredo Di Stéfano morreu nesta segunda-feira, aos 88 anos, no hospital Gregorio Marañón, em Madri, três dias após sofrer uma parada cardíaca quando saía de um restaurante onde comemorava o próprio aniversário. O ex-atacante permanecia internado na CTI do hospital em estado grave desde sábado. Maior jogador da história do Real Madrid, o argentino naturalizado espanhol foi um craque à frente do seu tempo: seu estilo de jogo técnico e eficiente já carregava características do que mais tarde seria chamado de futebol moderno. Polivalente, Di Stefano driblava, armava e finalizava com o mesmo brilhantismo e era um mestre em ocupar os espaços do campo. Além disso, sabia como poucos aliar o talento individual ao sucesso do grupo – coisa que seu compatriota Lionel Messi repetiria mais de cinquenta anos depois, só que no Barcelona.

O resultado dessa combinação rara foi uma trajetória repleta de títulos e de gols. Muitos gols. Em 21 anos de carreira, Di Stefano balançou as redes mais de setecentas vezes. Entre suas conquistas, se destacam as cinco taças consecutivas da Liga dos Campeões entre 1956 e 1960, responsáveis por dar ao Real Madrid uma hegemonia europeia que dura até os dias de hoje. Sem saber, o argentino também inaugurou uma nova era no futebol. Principal estrela da primeira geração de “galácticos” do time madrilenho – uma equipe que, muito antes da disseminação do termo “globalização”, reunia craques de todas as partes do planeta –, o argentino abriu caminho para as verdadeiras seleções mundiais que hoje compõem os elencos dos gigantes europeus.

Além do Real Madrid, Di Stefano também jogou – e fez história – no River Plate, da Argentina, e no Millonarios, da Colômbia. Dono de uma trajetória impecável em clubes, o argentino tem como única lacuna em sua carreira as Copas do Mundo. Naquela que seria sua primeira chance, em 1946, o torneio não foi realizado por causa da II Guerra Mundial. Em 1950, no Brasil, a Argentina não participou em protesto por ter sido preterida na escolha como sede. Quatro anos depois, Di Stefano até poderia ter tentado buscar uma vaga pela Colômbia, time que defendeu no período, mas o país foi vetado pela Fifa por abrigar uma liga de futebol paralela. Já naturalizado espanhol, o atacante amargou a desclassificação de sua seleção nas eliminatórias para a Copa de 1958. A última oportunidade seria no Chile, em 1962. Dessa vez, a Espanha garantiu a vaga – mas o atacante, então com 35 anos, se contundiu às vésperas do torneio e não conseguiu se recuperar a tempo. E, apesar de ter defendido três seleções diferentes, Di Stefano encerrou a carreira sem disputar um jogo sequer de Mundial. Azar da Copa.

 

Fonte: Veja

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