Morre aos 87 anos, Dosinho: o maior compositor potiguar de marchinhas carnavalescas

Autor dos hinos de América, Alecrim e ABC faleceu aos 87 anos

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Foto: José Aldenir

Fernanda Souza

fernandasouzajh@gmail.com

A cultura potiguar está de luto. Faleceu na manhã desta quinta-feira (13), vítima de complicações causadas por uma infecção generalizada, Claudomiro Batista de Oliveira, o Dosinho, o maior compositor do carnaval potiguar e o principal compositor de frevos no Brasil, fora de Pernambuco. O artista, de 87 anos, nascido em Augusto Severo, hoje Campo Grande, no interior do Estado, já estava internado e em estado de coma há algumas semanas.

Dosinho iniciou sua carreira no Rio de Janeiro, na década de 1940, época que trabalhou na Rádio Nacional e na Gravadora Copacabana. O potiguar, que era contemporâneo dos pernambucanos Capiba e Nelson Ferreira, já falecidos, gravou dezenas de discos e foi autor de sambas-canção, marchinhas carnavalescas, dos hinos de ABC, América e Alecrim, além de músicas para campanhas publicitárias, políticas. Seus principais sucessos foram as marchinhas “Não se faça de doido não”, “Dólar na cueca”, “Doido também apanha”, “Carnaval com Bin Laden” e o clássico “Eu não vou, vão me levando’, sucessos nas rádios do país na década de 1940, na interpretação da cantora Marlene, conhecidas até hoje. Artistas de renome nacional como Alceu Valença, Antônio Nóbrega e Agnaldo Rayol também gravaram suas composições.

Há quatro anos, ele anunciou o fim das gravações, alegando falta de reconhecimento e prestígio em Natal. O último CD gravado, intitulado Carnaval de Ontem e de Hoje, foi uma compilação de antigos sucessos e cinco composições inéditas.

O produtor cultural José Dias lamentou a partida do mais antigo compositor potiguar de marchinhas carnavalescas em atividade. “Dosinho foi o compositor mais importante para o Carnaval e principalmente, o tradicional, de Pernambuco, que ele era muito ligado. Mas não é porque o carnaval de Pernambuco não tem uma visibilidade nacional, que isso significa dizer que ele não tenha sido um dos grandes nomes do Carnaval do Brasil. Infelizmente não houve a repercussão que o trabalho dele merecia. Acredito que o maior mérito de Dosinho é que o disco comemorativo dos 100 anos de frevo tem uma música dele. Outro momento grandioso para Dosinho foi que no “Asas da América”, que é um projeto de resgate do frevo de Pernambuco entre os anos de 1970 e 1990, dos cinco discos que trazem nomes grandes do frevo mais moderno, aparece nomes como Alceu Valença e Dosinho, com uma música com a leitura de Silvério Pessoa”, contou.

Já em coma, Dosinho morreu após complicações causadas por infecção generalizada. Foto: Wellington Rocha
Já em coma, Dosinho morreu após complicações causadas por infecção generalizada. Foto: Wellington Rocha

O artista, coreógrafo e chefe do Núcleo de Danças de Natal, Dimas Carlos, lembrou o caráter poético das marchas carnavalescas do músico potiguar. “Acredito que Dosinho é aquele poeta que traduz a saudade, o conhecimento. Uma pessoa que poeticamente nunca deixou a desejar em suas canções. Suas músicas nos levam a cantar, se emocionar e vibrar. Suas canções, que não estão tão próximas do que é o carnaval de hoje, se perpetuam pelo lado poético. Mas é importante destacar que a valorização do artista tem que ser dada em vida. O que Natal tem de bom não se reconhece, só quando as pessoas morrem. A cidade é quem faz o artista da cidade. Pernambuco adora Ariano Suassuna, Capiba é um representante único. É preciso o apoio e a valorização em vida”.

O velório de Dosinho está marcado para às 13h, no cemitério Morada da Paz, em Emaús, Parnamirim, e sepultamento previsto para às 17h.

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