Morre menina de 6 anos queimada em ataque a ônibus no Maranhão

Ana Clara teve queimaduras em 95% do corpo. Mãe e irmã da criança continuam internadas em hospital de São Luís

Ônibus incendiado por criminosos nesta sexta-feira, em São Luís. Foto:Divulgação
Ônibus incendiado por criminosos nesta sexta-feira, em São Luís. Foto:Divulgação

A menina Ana Clara Santos Souza, de 6 anos, morreu às 6h45 desta segunda-feira (6) no Hospital Estadual Infantil Juvêncio Matos, em São Luís, segundo a Secretaria de Saúde do Maranhão. Ela teve 95% do corpo queimado em um ataque a um ônibus na última sexta-feira (3), na capital maranhense. O ônibus onde a menina estava com a mãe, Juliane Carvalho Santos, e a irmã, Lorane Beatriz Santos, na Vila Sarney, foi um dos quatro veículos invadidos e incendiados por homens armados

A menina de 6 anos foi a primeira vítima fatal de uma onda de ataques realizada após medidas adotadas pelo governo para combater a criminalidade nas unidades prisionais da capital. A operação do Estado conta com o reforço da Polícia Militar desde o fim de dezembro.

A irmã de Ana Clara, de 1 ano e 5 meses, permanece internada no Hospital Estadual Infantil Juvêncio Matos, com queimaduras em 20% do corpo. O quadro da menina é considerado estável e ela está fora de perigo. A mãe das duas crianças, de 22 anos, também teve 40% do corpo queimado e permanece internada no Hospital Geral Tarquínio Lopes Filho.

O sistema prisional do Maranhão é alvo de uma crise que veio à tona em outubro, após rebelião no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o maior do Estado. No local, somente este ano, duas mortes foram registradas.

Na sexta-feira (3), quatro ônibus foram queimados e cinco pessoas ficaram feridas. No mesmo dia, uma delegacia do bairro São Francisco também foi atingida a tiros.

A Polícia Militar anunciou na manhã de hoje que prendeu mais seis suspeitos de participar dos atentados. Com estas novas detenções sobre para 17 o número de acusados de participar das ações criminosas. Dois dos acusados presos são adolescentes. Os seis detidos durante uma operação policial na Vila Sarney estavam escondidos em um matagal e são apontados como os criminosos que organizaram e executaram o único ataque que deixou vítimas.

Outras vítimas

Outros dois adultos estão internados em outro hospital da capital, Tarquínio Lopes, que é a unidade hospitalar de referência para tratamento de queimados na capital.

Abiancy Silva dos Santos, de 35 anos, está internada na enfermaria, com queimadura segundo grau em membro superior direito e abdômen, quadro clínico estável. Já Márcio Ronny da Cruz Nunes, de 37 anos, tem queimaduras em 72% de seu corpo e está internado em UTI em estado grave. Márcio é apontado como um herói por ter sido ele quem retirou a menina de seis anos de dentro do ônibus incendiado na Vila Sarney.

Segundo as testemunhas e parentes da vítima, Márcio Ronny, que é pai de cinco filhos, voltava do trabalho, onde atuava como entregador de frango abatido, quando o ônibus em que estava foi parado pelos bandidos. Ele teria tido tempo de sair do coletivo antes dos bandidos atearem fogo ao veículo, porém ficou para ajudar Juliene e as filhas a sair do coletivo.

“A calça que ele vestia estava encharcada de gasolina. Ele me falou que só demorou a sair porque estava tentando salvar as crianças. Uma delas ele retirou do ônibus. Acho que foi a menina de 6 anos. Ele sempre cuidou bem dos filhos e acho que, por isso, agiu assim. Se não tivessem as crianças, ele teria saído logo”, conta a irmã, Maria da Conceição Nunes, que é cobradora de ônibus.

Operação

Nesse domingo, a polícia maranhense montou uma grande operação na cidade, envolvendo 400 PMs e 150 policiais civis, para conter a onde de ataques e atentados. Segundo a Polícia Militar, as ações também são uma resposta aos argumentos do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, que, alegando falta de segurança, impediu a circulação de ônibus em São Luís nas noites de sábado e domingo, o que deixou a cidade sem transporte coletivo desde as 18h nos dois dias.

Na manhã de hoje, apesar dos coletivos retornarem ás ruas a partir das 6h da manhã , a volta ao trabalho não foi fácil. Muitos ônibus passaram foram do horário e houve briga entre passageiros para conseguir um lugar entre os ônibus que passavam.

“Todas as vezes que ônibus atrasado é uma disputa para quem precisa bater ponto. É uma guerra para embarcar. Tem gente que puxa outros passageiros, tem empurra-empurra na hora de embarcar. Muito difícil. No retorno para casa será a mesma coisa, porque os cobradores e motoristas disseram na viagem que vão parar as 18h hoje também”, cotou a doméstica Cláudia Nascimento, que precisa tomar duas conduções para chegar ao trabalho.

Nesta terça-feira (7), uma reunião entre representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Maranhão (STTREM), Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de São Luís (SET) deve avaliar a possibilidade de retorno da circulação da frota à noite.

Fonte:IG

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