Definido nomes para pleito, mas candidaturas dependem da Justiça Eleitoral

A situação mais grave é de Cláudia Regina. Ela foi cassada 12 vezes no Tribunal Regional Eleitoral (TRE)

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Ciro Marques

Repórter de Política

Uma nova eleição, os mesmos personagens. Foi assim que a campanha para o pleito suplementar de Mossoró começou no último final de semana (ainda não oficialmente), com a realização das convenções partidárias para a escolha dos candidatos. Destaque para Larissa Rosado (PSB) e, principalmente, de Cláudia Regina (DEM), que ainda estão ameaçadas pela Justiça Eleitoral, podem não conseguir o registro de candidatura para a disputa.

A situação mais grave é de Cláudia Regina. Ela foi cassada 12 vezes no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e precisará reverter todas essas decisões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para conseguir se candidatar. Nem o artifício da liminar é mais possível e, por isso, ela teria que esperar o julgamento do mérito de parte dos processos, o que ainda não tem data para acontecer.

Por isso, para especialistas em Direito Eleitoral, como o advogado Fábio Hollanda (ex-juiz do TRE), a situação é muito difícil e ela não deverá conseguir o registro de candidatura na Justiça Eleitoral, sobretudo, porque foi por causa de irregularidades praticadas por ela que o pleito suplementar está sendo realizado – e a Justiça Eleitoral veda a participação de causadores do pleito suplementar na nova eleição.

Ou seja: Cláudia Regina poderá pedir o registro e participar da campanha com a chamada “candidata sub judice”. Porém, dificilmente – para não dizer que é impossível – assumirá o cargo em caso de vitória. Sendo assim, poderá ser substituída na última semana por um candidato “apto”, fazendo o eleitor votar “enganado” – pensando que está escolhendo Cláudia Regina. Esse, inclusive, foi um artifício utilizado por muitos candidatos “ficha suja” nas eleições municipais de 2012. Como exemplo, o ex-prefeito de Tangará, Gija, que fez toda a campanha e, no final, foi substituído pelo filho, Alcimar, eleito prefeito.

LARISSA

A situação de Larissa Rosado é parecida, mas não idêntica. Ela também teve o registro de candidatura cassado após o pleito de 2012 – quando concorreu e perdeu para Cláudia Regina na reta final da disputa. A condenação foi confirmada no Tribunal Regional Eleitoral e, agora, Larissa aguarda o julgamento no TSE para poder concorrer. Segundo ela, caso não consiga, tentará uma liminar que anule a condenação e a permita registrar a candidatura.

Segundo o advogado Armando Hollanda, que defende a atual deputada estadual, não há nenhuma grave ameaça para Larissa Rosado nessa disputa. Porém, é fato que, além dessa condenação, que provocou a cassação do registro em 2012 e, consequentemente, a condição de “ficha suja” dela, Larissa tem outras condenações, por propaganda antecipada também no último pleito eleitoral.

CALENDÁRIO

Depois das escolhas dos candidatos, a curta campanha para a suplementar de Mossoró começa, oficialmente, no próximo dia 12, um sábado, e vai até o dia 1º de maio. Serão apenas 21 dias de “bloco na rua”, por isso, melhor é para aqueles candidatos que já são conhecidos – não é por acaso que dois seis candidatos lançados, apenas um não disputou o pleito de 2012.

A propaganda em rádio e televisão ocorrerá entre os dias 24 de abril e 1º de maio. São nove dias ao todo. Os candidatos poderão fazer movimentação até às véspera das eleições, dia 3 de maio, mediante alto falantes ou amplificadores de som entre às 8 e 22 horas.

 

CONHEÇA OS CANDIDATOS A PREFEITO EM MOSSORÓ

LARISA ROSADO (PSB) E ALEX MOACIR (PMDB)

A chapa entre a deputada estadual Larissa Rosado e o vereador Alex Moacir é a prova de que as relações partidárias mudam – e muito – de eleição para eleição. No pleito passado, o PSB estava junto com o PT. Inclusive, Larissa até conseguiu derrubar a candidatura do petista Josivan Barbosa, forçando-o a ser vice dela. O PMDB estava com Cláudia Regina, indicando o vice Wellington Filho, eleito e cassado por ações providenciadas pelo Diretório Municipal pessebista.

É claro que o apoio peemdebista não foi por acaso. Foi por conveniência política, uma vez o partido ainda tenta convencer Wilma de Faria a abrir mão da candidatura ao Governo e apoiar Henrique Alves, presidente do PMDB no RN, para isso. Consequentemente, não conseguiu garantir o apoio de todas as lideranças peemedebistas a Larissa. A ex-prefeita Fafá Rosado, por exemplo, vai apoiar a candidatura do prefeito interino, Francisco José Júnior, do PSD.

De qualquer forma, Larissa Rosado ainda é considerada, por muitos, a favorita. Em 2012, para quem não lembra, ela liderou toda a campanha eleitoral com uma vantagem considerável sobre as adversárias. Levou a virada na última semana e acabou perdendo o pleito por 5 mil votos, graças a uma influência da governadora Rosalba Ciarlini, conforme a Justiça Eleitoral confirmou. E, agora, chega para a disputa com o apoio de outras siglas, como PTC, PR, PPS, PRB, PRTB, PPL, PTdoB, PHS, PEN, PRP e PROS.

CLÁUDIA REGINA (DEM) E CANINDÉ MAIA (DEM)

Causadora do pleito suplementar de Mossoró, Cláudia Regina reaparece como candidata do Democrata para a nova eleição. Contudo, é bem verdade que, de fato, o partido não estará com ela. Além do enfraquecimento popular que as 12 condenações na Justiça Eleitoral provocaram, a ex-prefeita mossoroense, afastada do cargo em novembro do ano passado, também sofre com o isolamento político.

Cláudia Regina não está sendo apoiada pelo senador José Agripino, presidente nacional do DEM e principal financiador da campanha dela em 2012 – recebeu mais dinheiro do Diretório Nacional do partido, mais de R$ 1 milhão, mais do que de qualquer outro doador. Além disso, perdeu também o apoio da ex-prefeita Fafá Rosado, que foi para o PMDB e decidiu apoiar Francisco José Júnior, do PSD, responsável por abrigar na atual gestão municipal boa parte dos aliados dela.

Cláudia Regina ainda tem Rosalba Ciarlini ao seu lado, mesmo depois que tentou atribuir a ela todas as condutas vedadas que foram responsáveis pela suas cassações na Justiça Eleitoral. E mesmo após duas dessas cassações resultarem, também, na decisão de afastamento da governadora Rosalba, mantida na chefia do Executivo Estadual graças a liminares do TSE.

FRANCISCO JOSÉ JUNIOR (PSD) E LUIZ CA. MARTINS (PT)

Francisco José Júnior, o popular Silveira, disputou a última eleição municipal como vereador. Foi eleito, se transformou em presidente da Câmara Municipal e foi dessa forma que ele chegou ao cargo de prefeito interino de Mossoró e lá teve tempo suficiente para se tornar ainda mais conhecido e ir como um dos principais nomes para a disputa.

Afinal, Silveira assumiu em novembro de 2013 e ficaria no cargo só até fevereiro deste ano, que era a data na qual o TRE marcou o pleito suplementar. O problema é que a defesa de Cláudia Regina conseguiu a suspensão dessa eleição e fez o prefeito interino ter mais tempo no cargo, para imprimir mais ações e ficar mais popular.

Até o novo pleito, marcado após novas condenações sofridas pela prefeita, Silveira conseguiu implantar programas e projetos, além promover uma reforma no secretariado (tirando dos cargos de primeiro escalão os indicados de Rosalba) e uma auditoria nas contas do município, alegando crise financeira nos cofres públicos – que teria sido provocada por Cláudia Regina.

Silveira também foi beneficiado pela nova conjuntura política do Estado. Ou seja: pelo apoio do PT e do PSD, que fez o Partido dos Trabalhadores, da pré-candidata ao Senado, Fátima Bezerra, se aliar ao do vice-governador Robinson Faria e, até, indicar o vice. Dessa forma, Silveira chega para o pleito também como um dos favoritos e com “a máquina nas mãos”.

CINQUENTINHA (PSOL) E RONALDO GARCIA (PSOL)

Candidato a prefeito em 2012 como uma das opções da “esquerda”, o servidor público Raimundo Nonato Sobrinho, conhecido por “Cinquentinha”. O vice, Ronaldo Garcia, é professor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).

JOSUÉ MOREIRA (PSDC) E AREMIR GONZAGA (PSDC)

 

Além de Cinquentinha, Josue Moreira é outra candidatura “de esquerda” que se repete no pleito suplementar. Josué Moreira a prefeito e Aremir Gonzaga a vice. Essa é a chapa com nomes próprios, que o PSDC definiu hoje em convenção municipal. Em 2012, ele conseguiu 1.932 votos, ou seja, 1,43%. Aremir é vice-presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Mossoró (ADEFIM) e servidor municipal.

GUTEMBERG DIAS (PCdoB) E NETO VALE (PCdoB)

Aos 39 anos, Gutemberg Dias disputará um cargo na Prefeitura de Mossoró pela segunda vez, desde que iniciou a sua carreira política – a primeira vez foi em 2008, compondo como vice a chapa que era encabeçada por Renato Fernandes (PR). Em 2010, concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa, atendendo a um pedido do partido. Dessa forma, Gutemberg é o único candidato na eleição suplementar que não disputou o pleito de 2012. Ele é geógrafo e técnico em geologia, com mestrado em Ciências Ambientais.

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