Mossoró sangra

A cena política em Mossoró é uma ferida a céu aberto. E com uma infecção espalhada por todos os grupos…

A cena política em Mossoró é uma ferida a céu aberto. E com uma infecção espalhada por todos os grupos que dominam a cidade. Deslizes administrativos, crimes eleitorais e corrupção desenfreada compõem o quadro putrefato que empestou a capital oestana.

A terra que respira política está sufocada pelo mau cheiro exalado dos tantos inquéritos e processos que atingem suas lideranças mais expressivas, os partidos e as forças empresariais que dão suporte a todos. Nem precisa dizer que afeta e infecta todo o RN.

Caixa de ressonância da atividade política estadual, assim como Natal, a terra de Santa Luzia é parte essencial das costuras partidárias e isso acaba mexendo com o tecido eleitoral do estado inteiro, que vive a expectativa de uma eleição para governador.

A conjuntura mossoroense está fervendo a altíssimo grau desde a cassação da prefeita Claudia Regina (DEM), alvo de mais de uma dezena de ações na Justiça. Depois entrou em erupção com a perda do mandato da deputada estadual Larissa Rosado, do PSB.

Adversária direta de Claudia, quando perdeu a disputa municipal, Larissa deixou de ser a alternativa imediata à cadeira esvaziada pela cassação. Improvisado por força de lei, o prefeito em exercício, Silveira Junior (PSD), agora é denunciado pela Polícia Federal.

Suspeito de recebimento de propina na campanha eleitoral de 2012, ofertada por comerciantes de combustíveis, Silveirinha é protagonista de um inquérito com mais de 200 páginas, com direito a degravação de telefonemas, divulgado pelo Portal No Ar.

Para fazer aumentar a erupção do vulcão político em Mossoró, a investigação da PF envolve também o nome da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), seu irmão Gustavo e alguns vereadores. Tudo isso a trinta dias de uma eleição para prefeito, em fevereiro.

Além dos nomes mais conhecidos da cidade caindo em desgraça, há ainda o fato de que dois importantes personagens da iniciativa privada, tradicionais investidores de campanhas, saíram também do jogo; um por corrupção e outro por falência.

Até o setor dito progressista, que prega uma alternativa aos grupos tradicionais, está sem um nome importante para lançar à prefeitura. O do PT, Josivan Barbosa, também foi ferido na brejeira interna que confrontou Fátima Bezerra e Fernando Mineiro.

O vácuo é tão grande, o limbo tão evidente, que no fim de semana um nome que já havia se afastado da política para dedicar-se aos afazeres empresariais emergiu nas rodas de papos em Mossoró e ganhou as redes sociais do estado: Frederico Rosado.

O ex-deputado estadual, ainda filiado ao PMDB, foi lembrado como um nome para dirigir a prefeitura a partir da eleição de 5 de fevereiro. Isto é, se até lá uma liminar não suspender o pleito e devolver o gabinete do Palácio da Resistência à Claudia Regina.

Quando o nome de Frederico ascendeu à internet, ele estava com amigos na praia de Muriú, e recebeu o fato com espanto. Um amigo do ministro Garibaldi Filho telefonou-lhe e recebeu como resposta: “o PMDB ainda não discutiu a questão Mossoró”.

Garibaldi sequer sabia o que estava ocorrendo nas redes sociais e nas mesas de comensais em Mossoró, mas quando foi informado disse ao amigo: “eu quero um bem muito grande a Frederico”. Um comentário singelo, mas que deve ser relevado.

Outro nome possível, ainda no porta-restante da governadora Rosalba Ciarlini, é o de Kátia Pinto, sua secretária de infraestrutura. Mas que não é suficiente para empolgar o universo eleitoral tão afeito a radicalismos e fanatismo como o de Mossoró.

É preciso esperar até que a ferida feche, a infecção diminua e a temperatura dos ânimos atinja um grau de sanidade. A hemoptise política em Mossoró já inundou de bactérias as artérias partidárias do RN e não há especialista que saiba a melhor receita.

Qualquer boletim ou relatório – que não seja policial ou jurídico – estará caindo na especulação. Não há mãe de santo, cigano ou sociólogo que saiba apontar o futuro político da nossa Moscow. Nem adianta perguntar nas três lojas do Posto Ipiranga. (AM)

 

Mentira da Vanda
Dilma Rousseff apresentou ontem um balanço de como foi 2013 no Canadá. Ou na Bélgica. Vomitando texto publicitário de João Santana, a petista subiu no palanque eleitoral criando uma fantasia de campanha: uma “guerra psicológica” na economia.

Tendência
Aliás, o colunista aqui bombou no Twitter nacional com a piada do “balanço do Canadá” e durante vários minutos, por duas vezes, após o pronunciamento da petista, foi “tendência em todo o Brasil” com milhares de retuítes com a minha postagem.

Aécio em campanha
O senador Aécio Neves (PSDB) escolheu Curitiba para iniciar sua campanha à presidência da República, dia 12 de janeiro, quando se completam 30 anos do primeiro comício das Diretas Já e que um ano depois elegeu seu avô Tancredo Neves.

Prego batido
As conversas começaram no final de agosto, foram amadurecidas desde lá em diversas reuniões, e agora foram concluídas. O PMDB lançará Fernando Bezerra para o governo e apoiará Wilma de Faria (PSB) para o Senado. E o PT que reclame a Rui Falcão.

Investigação
E o ano de 2014 vai começar em Natal com a presença de enviados especiais de uma revista de circulação nacional. A pauta envolve personalidade política e deverá esquentar mais ainda o veraneio que começa, principalmente no litoral norte.

Verão voyeur
Piadinha que circulou na última resenha do ano numa praça de Petrópolis foi sobre a instalação de câmeras nas praias de Muriú e Jacumã por uma empresa privada: “É para saber quem está podendo no veraneio, quem recebe convidados mais poderosos”.

Elefantes brancos
A imprensa da Europa repercutiu no fim de semana a preocupação da FIFA com quatro estádios da Copa 2014 que correm sério risco de virarem elefantes brancos após o torneio mundial. E a Arena das Dunas é uma dos quatro campos de jogos.

Natal em destaque
Por outro lado, a revista norte-americana AP destacou em sua última edição três capitais brasileiras que serão sedes da Copa do Mundo, consideradas “fascinantes” para o turismo: Porto Alegre, Manaus e Natal. Citou inclusive o prefeito Carlos Eduardo.

Frederico
No sábado, quando o nome do ex-deputado Frederico Rosado começou a ser comentado nas redes sociais e em alguns points de Mossoró, um amigo do ministro Garibaldi Filho ligou para lhe falar do episódio: “Eu quero muito bem a Frederico”, respondeu ele.

Desastre francês
Com quase 80% de rejeição popular e já considerado um dos piores governos da França nos últimos 100 anos, o socialista François Hollande resolveu piorar o ambiente econômico no país com mais impostos. Milhares correm para a Bélgica e a Holanda.

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