IV Mostra reúne inúmeras experiências sustentáveis na UFRN

Evento também incentiva a conscientização ambiental

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O desenvolvimento de pequenas ideias isoladas hoje podem fazer grande diferença num futuro no qual o desperdício e a reutilização serão fatores decisivos para a qualidade de vida. Na Mostra de Ecoprodutos e Ecodesign da UFRN é possível encontrar vários exemplos, como sabão ecológico, artesanato feito com produtos reutilizados e até a racionalização do uso de livros.

A quarta edição do evento começou na manhã desta terça-feira (2), no Centro de Convivência do Campus Central da universidade, e vai até amanhã às 16 horas. Um dos mais famosos mamulengueiros do Estado está expondo sua arte no local. Dessa vez, não são os bonecos que ganham vida com a mão humana.

Há cinco anos, Raul do Mamulengo começou a produção de pássaros e insetos tendo a cabaça como principal matéria prima. A cabaça é o fruto da cabaceira, tem formato de oito e também era muito usado como cantil no sertão nordestino. Mas também é comumente utilizada para a produção de artesanato e instrumentos musicais.

Porém, nem só de cabaça são feitos os pássaros e insetos coloridos de Raul do Mamulengo. Pedaços de cabo de vassoura, embalagens de desodorante, restos de metais, bilocas, mangueira, carretel de linha e até fibra de geladeira. “Com Raul do Mamulengo não tem nada perdido. Aquele nome que eu usava antigamente para essas coisas, lixo, eu não uso mais. É produto reciclável”, comentou o artista.

Ele leva até uma semana para produzir uma de suas peças. Raul também não dá definição nem nome para os pássaros. Nesses cinco anos, ele acredita já ter produzido cerca de 700 pássaros desse tipo e reutilizado uma quantidade incontável do que poderia simplesmente ter se tornado lixo. Contudo, ele reforça que a sua paixão são os mamulengos. “Tenho as duas coisas não posso parar, os bonecos são, como dizem os cantores, o meu carro-chefe”, enfatizou.

Reciclando ideias

O projeto Libertando Livros também ganhou espaço na Mostra. A ideia é capitaneada pelo bibliotecário Raimundo Muniz. Há três anos, ele criou o projeto com o intuito disseminar a possibilidade de leitura. Então Muniz colocou seus 355 livros do acervo pessoal para a livre troca. A sistemática do projeto se baseia na troca de livros. O interessado vai até o bibliotecário com um livro e troca por qualquer outro do acervo.

Dessa forma, o livro se transforma numa moeda de troca. “A ideia inicial foi realmente libertar os meus livros, libertar de uma forma que ninguém saia perdendo”, explicou. Segundo o bibliotecário, muitas pessoas tem se mostrado fieis a idéia e voltado mais de uma vez para fazer outras trocas. Para ele, a lógica do seu projeto tem muita relação com uso racional e consciente daquele material, tanto pelo conhecimento contido no livro nas conseqüências que a produção indiscriminada de lixo pode gerar no planeta. “O que eu observei nesse período é que as pessoas guardam, guardam até jogar fora. Dão uma destinação que poderia ser outra”, comentou.

O projeto de Raimundo Muniz, servidor da UFRN, já foi um projeto de extensão da universidade, mas agora ele está praticamente sozinho sustentando a idéia. No final deste mês, o idealizador do Libertando Livros vai para o Festival Literário Alternativo de Pipa para tornar o acervo mais diverso. “Quando vou à Pipa, venho com livro de outros idiomas”, disse. Para ele, libertar o livro é uma questão de amor ao livro e ao conhecimento. “As pessoas dizem que amam os livros e por isso não se separam deles. Aí eu digo ‘quem ama, liberta'”, finalizou.

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