“Mulheres Alteradas” é baseada na série homônima da cartunista Maitena

Frias ou ciumentas, grudentas ou independentes, livres ou cobradas em excesso, elas esperam por você hoje à noite

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

“De mulher pra mulher, Maitena” seria um bom refrão para o jingle promocional da peça Mulheres Alteradas, atração desta noite (24) no Teatro Riachuelo. Maitena Inés Burundarena é uma cartunista argentina multipremiada, cujo principal trabalho em livro teve seu nome e conteúdo tomado emprestado pelo novelista André Maltarolli (morto em 2009), que o adaptou para a dramaturgia em parceria com Bernardo Jablonski. Vista por mais de 180 mil pessoas em todo o Brasil, a encenação é dirigida por Eduardo Figueiredo e traz no elenco Luiza Tomé, Flávia Monteiro, Giovanna Velasco e Marcelo Augusto. Se o foco da obra original está no sexo feminino (com idade entre 15 e 50 anos), nós outros, maridos, chefes, filhos e amantes também somos abordados nesse retrato contemporâneo da relação humana primal. Frias ou ciumentas, grudentas ou independentes, livres ou cobradas ao extremo, elas esperam por você, leitor (a), para trocar experiências pessoais e artísticas.

O espetáculo mapeia o discurso da feminilidade. Aparência física, roupas, homens, amores, família, prole, trabalho, prazer sexual, tudo que envolve a gama de interesses e tormentos da mulher moderna, sempre entre a cruz e a espada da subserviência e da autoafirmação. Maitena lançou cinco livros com a chancela Mulheres Alteradas. Nos cinco, a ‘sobrevivência’ psicológica em meio às agruras cotidianas ditam o ritmo das narrativas. Menos como autoajuda e mais como pura ironia fina, ela lista uma série de incômodos onipresentes – e que os homens negligenciam e debocham. ‘Seis atitudes a tomar para não se sentir um monte de banha na praia’, ‘Seis razões irrefutáveis de que você colocou o homem que tem ao lado no lugar do seu pai’, ‘Algumas razões que tem uma mulher de certa idade para se envolver com um jovem de idade incerta’, ‘Alguns motivos para você não ter sexo há um ano’. A metralhadora da portenha é abrangente.

“São questões que a mulher do tempo de minha avó, por exemplo, não tinham. Antigamente era casar, ter filhos e servir ao marido. Custasse o que custasse. Hoje temos muito mais liberdade de escolha na hora de procurar a felicidade, mas, por outro lado, somos muito mais cobradas. Temos que ser boa mãe, dona de casa, boa profissional, ganhar bem, sermos bonitas o tempo todo”, diz a estudante de artes cênicas Maria Rita Albuquerque, de 23 anos. Familiarizada com o traço de Maitena, a jovem recebe perguntas sobre o papel da mulher atual com atenção, ainda que conteste a quantidade de obrigações. “Não tem como fazer isso tudo. Por isso tanta gente separa hoje em dia e parte para outra mesmo”. Publicado em mais de 20 países, “Mulheres Alteradas” ganhou no Brasil sua primeira adaptação para o teatro – boatos negados pela cartunista falavam em direitos para o cinema através de Pedro Almodóvar. Mas por aqui, foi vendido para a O2 Filmes e em breve estará nas telonas.

Luiza Tomé (no papel de Norma, uma executiva sisuda, casada, com dois filhos e diante da terceira gravidez), Flávia Monteiro e Giovanna Velasco interpretam as três mulheres alteradas, cada uma com sua crise existencial, de acordo com a idade e fase da vida. Enquanto Marcelo Augusto reveza os papéis masculinos. A oportunidade de ver a transformação das personagens criadas pela argentina no palco anima Maria Rita. “Gosto muito desse tipo de adaptação. A Maitena é uma das artistas pop mais conhecidas na Argentina e aqui no Brasil tem tiras publicadas na Folha [de São Paulo]”. A relação de veículos que usam suas tiras como entretenimento também inclui os jornais franceses Le Monde e Le Figaro e o espanhol El País. Ela costuma dizer em entrevistas que o universo urbano feminino entra em cena da mesma forma em qualquer grande cidade – os problemas são os mesmos. “O que é verdade. Onde você for, a mulher está preocupada em estar bonita, satisfeita com o parceiro e realizada profissionalmente”, conclui a futura atriz.

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