Município volta a distribuir fraldas geriátricas e insulina tipo Lantus

No entanto, quem precisa da insulina tipo Humalog terá que esperar, pois ainda não tem previsão de quando volta

Salete Pinheiro já chegou a gastar até R$ 1,2 mil/mês para comprar Lantus e Humalog. Foto: Heracles Dantas
Salete Pinheiro já chegou a gastar até R$ 1,2 mil/mês para comprar Lantus e Humalog. Foto: Heracles Dantas

Acabou a espera para os diabéticos que necessitam da insulina tipo Lantus. Desde segunda-feira (6), o setor do PROSUS, Programa de Assistência à Doenças Crônicas de Alto Custo, disponibiliza a insulina aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), na Policlínica José Carlos Passos, na Ribeira, zona Leste de Natal. As fraldas geriátricas que também estavam em falta chegaram desde ontem. No entanto, quem necessita da insulina tipo Humalog terá que esperar um pouco mais, pois ainda não tem previsão de quando deve voltar a ser distribuída, haja vista que a aquisição desse medicamento depende da abertura do orçamento municipal, prevista para o final deste mês.

A aposentada Salete Pinheiro disse que desde o mês de julho do ano passado vinha comprando dois tipos de insulina (Lantus e Humalog), com gastos que já chegaram à R$ 1,2 mil por mês. Ela conta que o filho, de 32 anos, necessita tomar a insulina do tipo Lantus diariamente, mas que em casos mais graves é necessário tomar a Humalog, que está em falta há meses na Secretaria Municipal de Saúde. Hoje, ela decidiu ir, pela terceira vez no intervalo de menos de um mês, à Policlínica em busca da insulina. “Graças a Deus que chegou, pois não estava aguentando mais comprar. Por mês, estava gastando mais de R$ 300, pois só estava comprando um tipo de insulina”, afirmou.

A dona de casa Maria das Graças de Azevedo, de posse de uma liminar judicial, foi a Policlínica em busca da insulina para o filho. Ela conseguiu levar todos os medicamentos, menos a insulina Humalog, pois ainda não havia chegado. A última vez que ela tinha conseguido pegar os medicamentos, sem precisar entrar na justiça, foi em agosto do ano passado. Desde então, só conseguiu os medicamentos por meio de decisão judicial. “Infelizmente foi necessário entrar na justiça para garantir a insulina ao meu filho. Sei que a Humalog é barata, mas mais de 30 anos pagando esse valor, não há barato que não se torne caro”, afirmou.

O farmacêutico Antônio Marcos Diniz confirmou que a insulina Humalog está em falta, no entanto a Secretaria disponibiliza a insulina do tipo Regular, que faz a mesma função, baixar a glicose quando o HGT está alto. “O efeito é o mesmo, mas as pessoas preferem a Humalog. Não entendemos porque os endocrinologistas receitam ela (Humalog) se a Regular faz o mesmo efeito”, destacou o farmacêutico. Antônio Marcos disse que já houve o empenho e a pesquisa de mercado para a aquisição da insulina Humalog, mas é necessária a abertura do orçamento para dar continuidade a aquisição da insulina.

O mesmo está acontecendo, segundo o farmacêutico, com os pacientes hipertensos, pois os médicos não receitam mais Captopril e sim Diovan, um medicamento de alto custo. “O resultado disso é a judicialização, pois eles se baseiam no artigo 188, que fala sobre o direito à vida, pois a saúde é um direito de todos e o dever do Estado”, explicou. O estoque da insulina Regular garante a distribuição durante todo o ano, bem como da insulina tipo Lantus, que chegou na segunda-feira. “Apesar da falta de alguns medicamentos, somos a única com atenção farmacêutica individual”, afirmou.

Ao todo, 10.495 pessoas estão cadastradas para receber medicamentos por meio do programa ProSUS, sendo 277 por meio de decisão judicial. O Programa atende pacientes com Doença de Parkinson (com todos os medicamentos à disposição), glaucoma (com todos os colírios em estoque), Diabetes especial (faltando as seringas e a insulina Humalog), Bexiga Neurogênica (falta sonda), além das decisões judiciais.

Compartilhar: