Musical Cinderela entra em cartaz neste fim de semana no teatro

Peça vai atrair crianças e adultos com sua história simples que envolve amor, inveja e decepção

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

O próximo final de semana (16 a 18), promete ser movimentado para crianças curiosas por conto de fadas. Em formato de musical, uma nova versão de “Cinderela” lançará em cena 50 profissionais, (27 atores e 23 técnicos), mais de 180 figurinos, cinco trocas de cenários, 28 toneladas de equipamentos e efeitos visuais em 3D para mostrar o sofrimento da menina que vê sua casa dominada por uma madrasta perversa, após a morte de seu pai, um rico comerciante. Se as duas filhas da malvada são invadidas pela inveja, diante da beleza de Cinderela, a mãe carrasca transforma a convivência familiar em um verdadeiro inferno, com deboches e humilhações frequentes.

O restante da narrativa, com o baile organizado pelo Rei para escolher uma moça do reino para seu filho, o príncipe, e a batalha da madrasta e de suas filhas para encampar na corte é conhecida de todos. “A ‘tragédia’ de Cinderela começa a mudar quando ela resolve peitar a madrasta e ir ao baile, mesmo estando proibida. Toda aquela correria de ter de chegar a meia-noite, sob o risco de acabar o encanto que a deixou linda, toda produzida, aquilo exerce uma magia muito grande das crianças, principalmente nas meninas”, diz o psicólogo José Nilton Duarte. Com estudos sobre psicologia infantil, ele acredita que a inocência do clássico da literatura ainda tem forte apelo.

“Mas também é uma realidade difícil para uma criança atual acreditar, pois ela hoje é tão ligada na hiper-realidade e no mundo virtual, que pensar em castelos, príncipes, foge do mundo em que ela vive. O poder da fantasiar foi reduzido, mas Cinderela trata de preconceito, de pobre e rico, feio e bonito, problemas familiares, assuntos comuns a todos nós”, acredita José Nilton. A menina chega à festa como uma princesa, linda, elegante, radiante. Nem é reconhecida pela madrasta e as irmãs postiças. Já o príncipe, que não é besta, a convidou para dançar. O que fizeram durante toda a noite, olhos nos olhos, dentes à mostra. Logo percebem que a festa é em vão, que a escolha sobre a noiva foi consumada.

“A ira da madrasta e das irmãs é semelhante ao que ficamos sabendo que acontece no mundo atual, com uma disputa agressiva para ser bonita e bem sucedida”. Para o psicólogo, mais que uma simples fantasia infantil, os valores transmitidos pelo texto de Cinderela respinga nos adultos. “O episódio do sapato perdido, que leva o príncipe a uma busca desesperada pela dona, tem algo da paixão furtiva, aquela que sentimos por um verão, por uma noite ou mesmo por alguém que conhecemos rapidamente em uma atividade cotidiana”. Com diálogos e músicas cantadas em português, o espetáculo promete efeitos especiais em 3D.

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