Mussum forévis: biografia tenta explicar mito do trapalhão após 20 anos

Biógrafo fala sobre livro e fenômeno de Mussum na internet vinte anos após a morte do humorista

Mussum forévis Samba, mé e Trapalhões, do jornalista Juliano Barreto. Foto: Divulgação
Mussum forévis Samba, mé e Trapalhões, do jornalista Juliano Barreto. Foto: Divulgação

Depois de 20 anos de sua morte, Mussum segue mais vivo do que nunca na memória e no dia a dia dos brasileiros, principalmente na internet.

Esta semana a editora LeYa colocou no mercado a biografia Mussum forévis – Samba, mé e Trapalhões, do jornalista Juliano Barreto, que conta a história da Antônio Carlos Bernardes Gomes muito além de sua fama no grupo Os Originais do Samba e nos Trapalhões. Barreto conversou com a reportagem e falou do projeto. Confira a entrevista:

Como surgiu a ideia de fazer a biografia do Mussum?

Juliano Barreto - Eu trabalhava na editora Abril e fui tomar uma cerveja com um amigo e ele tinha acabado de lançar um livro e que tinha entrado no top 20. Só que o livro era sobre economia. Então, eu disse que ele teria que fazer um livro mais popular, do Mussum, por exemplo. Foi um papo de boteco, estávamos no clima de imitar o Mussum. E ele disse: “a ideia é sua”. Então, me levou para a editora e começamos o projeto.

E o que mais te chamou a atenção durante a pesquisa?

Juliano Barreto - Foram muitas descobertas. Porque a gente pensa que conhece bem o Mussum pelo que viu na TV, mas é uma figura bem pouco explorada. A parte da infância é bem surpreendente, dos sofrimentos por que passou. Mas a fase de músico dele é muito mais rica que apenas o tempo dos Originais do Samba. Ouvir ele tocando com Elis Regina, Jorge Benjor e Baden Powell dá a ideia da qualidade dele como músico.

Coisas curiosas?

Juliano Barreto - Sim, o encontro dele com Garrincha. Saber que ele foi o primeiro a gravar uma música do Zeca Pagodinho. São coisas que fui descobrindo e que quero que as pessoas conheçam.

E como foi a sua relação com a família?

Juliano Barreto - Na verdade, foi bem tranquila. Quando cheguei perto da família, há três anos, ninguém estava se tocando que estava fazendo 20 anos da morte da dele. Eles participam dos royalties do livro, mas desde o primeiro dia uma exigência minha e da editora é que não poderia ter veto. Eles só leram o livro quando estava pronto. Mas eles não me deram nenhuma limitação e descobri o motivo: não tinha nada solto na vida dele. Até ex-mulheres e quem trabalhou com ele com quem conversei não tinham nada de ruim para falar. Sei que teve uma polêmica muito grande ano passado sobre biografias, mas que acho que ficou muito superficial. Sou contra qualquer tipo de censura. Biografias autorizadas não precisam ser chapa branca e nem as não autorizadas precisam ser polêmicas. Biografia sem falar com a família acho que fica sem sentido.

E com os “Trapalhões”, Renato Aragão e Dedé?

Juliano Barreto - Dedé e Mussum foram amigos muito próximos. Dedé conheceu o Mussum até antes dos Trapalhões. Ele foi no lançamento do livro no Rio, e foi um cara sensacional. Renato demorou bastante para eu conseguir falar, porque tem que passar por muita gente e ele tem uma agenda bem cheia. Não posso dizer que foi da mesma forma que o foi com o Dedé, mas quando falei com ele foi muito gentil. Confirmou muitas histórias que eu tinha descoberto e contou outras também.

E como você explica esse fenômeno Mussum na internet com memes relacionados ao jeito do personagem falar?

Juliano Barreto - Essa é uma biografia que não acaba quando o biografado morre. Tem um capítulo a mais sobre esse fenômeno na internet. É muito raro ter uma pessoa que 20 anos depois continua sendo tão lembrada. É bem difícil mensurar quantos memes já foram feitos na internet. Até a TV Globo, que detém os direitos de imagem dele, se quisesse tirar as imagens do ar seria impossível. O que aconteceu é que nos anos 90 volta ao ar alguns quadros do melhor dos Trapalhões. Muita gente gravou isso em VHS e guardou na gaveta.  Quando surge o You Tube as pessoas voltam a postar isso, e como os quadros do Mussum são mais curtos que os dos outros, com cerca de um minuto, fica mais fácil compartilhar e ver, mesmo na época em que  a internet era bem lenta. E por isso viralizou e ganhou essa dimensão que vemos.

Fonte: Terra

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