Na especulação, apartamento em Ipanema custa R$ 66 milhões

Imóvel tem 600 metros quadrados e fica no Edifício Cap Ferrat, na orla

O Edifício Cap Ferrat, em Ipanema, onde está sendo vendido o imóvel que tem 600 metros quadrados O Globo / Domingos Peixoto
O Edifício Cap Ferrat, em Ipanema, onde está sendo vendido o imóvel que tem 600 metros quadrados O Globo / Domingos Peixoto

A orla da Zona Sul sempre foi terreno cobiçado, mas o preço dos imóveis de altíssimo padrão subiu a patamares muito acima de qualquer gabarito da área. No trecho de Ipanema ao Leblon, o valor do metro quadrado ultrapassa os R$ 50 mil. Um apartamento com 600 metros quadrados no Edifício Cap Ferrat, por exemplo, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, foi anunciado no site James Edition por R$ 66 milhões. Na quarta-feira, no entanto, o imóvel não estava mais na página. Ninguém soube dizer se a venda foi efetuada. Com esse valor, seria possível comprar um apartamento em frente ao Hyde Park, em Londres, um dos dez locais mais caros do mundo.

Com esse dinheiro também, segundo fontes do mercado imobiliário, seria possível construir uma mansão, assinada por qualquer arquiteto renomado, no Jardim Pernambuco, no Leblon, uma área supervalorizada. Diante do preço nas alturas, os ganhadores da Mega-Sena da Virada — foram quatro apostas vencedoras e cada uma leva cerca de R$ 56 milhões — não poderiam bancar a compra do apartamento.

— Podem até pedir esse valor, mas dificilmente vão conseguir vender. Há diferença entre o que se pede, o valor real e aquele pelo qual se consegue vender realmente um imóvel — disse uma fonte que atua nesse setor exclusivo do mercado e que pediu para não ser identificada.

Segundo o vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), Leonardo Schneider, o valor do metro quadrado na orla de Ipanema e Leblon varia de R$ 40 mil a R$ 45 mil. No entanto, em alguns condomínios, como o Cap Ferrat e o Juan Les Pins, no Leblon, pode ser bem mais alto.

— Esse preço de R$ 66 milhões por um apartamento no Cap Ferrat é irreal. Mas no mercado a pessoa pede quanto quiser. O difícil é vender — disse Leonardo.

A transação de valor mais alto feita recentemente na cidade envolveu a venda de um apartamento, em meados de 2013, por R$ 32 milhões, no Edifício JK, em Ipanema, comprado por um nigeriano do ramo do petróleo. Por sinal, o JK é um dos mais cobiçados do Rio. Com projeto de Oscar Niemeyer, ele já foi endereço de Caetano Veloso. Paula Lavigne, sua ex-mulher, pôs o imóvel à venda por R$ 37 milhões.

Outra grande negociação foi a do nono andar do Juan Les Pins, vendido em 2011 por R$ 39 milhões, o valor mais alto pago até então por um apartamento no Rio.

Segundo um corretor, a disputa para se saber qual é o prédio mais caro da cidade fica entre o Cap Ferrat e o Juan Les Pins. Os dois são os edifícios mais altos da orla e foram erguidos numa época de flexibilização do gabarito.

O sigilo no mercado de imóveis de alto padrão é a alma do negócio. Segundo Leonardo Schneider, são poucos os corretores especializados:

— Eles (os corretores) têm acesso a informações privilegiadas e, por questão de segurança, precisam não aparecer. Quem aparece muito acaba não conseguindo trabalho.

.
Compartilhar: