“Não tinha qualquer informação”, diz Marina sobre compra ilegal de jato

Candidata nega que discurso da velha política é apenas retórica e se irrita com jornalista: “Você não conhece minha trajetória”

Na noite desta quarta-feira (27), a presidenciável PSB, Marina Silva, participou de entrevista no Jornal Nacional. Foto: Divulgação
Na noite desta quarta-feira (27), a presidenciável PSB, Marina Silva, participou de entrevista no Jornal Nacional. Foto: Divulgação

Marina Silva (PSB) negou nesta quarta-feira (27) que seu discurso de governar sem o que chama de “velha política” tenha apenas a intenção de angariar votos do eleitorado descontente. Irritada com uma pergunta da apresentadora Patrícia Poeta sobre seu desempenho eleitoral no Acre em 2010, Marina retrucou a apresentadora. Antes, negou qualquer conhecimento sobre a “ilegalidade” envolvendo os proprietários do jato Cessna que caiu na cidade de Santos (SP) há duas semanas, matando o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

A entrevista, de 15 minutos, começou com uma pergunta sobre as investigações da Polícia Federal, segundo a qual o dinheiro usado para a compra de venda do avião teria passado por escritórios em Brasília, São Paulo e uma peixaria abandonada em uma favela do Recife.

A ex-senadora respondeu que as revelações da imprensa e as informações prestadas pelo partido são insuficientes para chegar a qualquer conclusão e que, por isso, é necessário aguardar as investigações da Polícia Federal. Sobre seu conhecimento a respeito da transação, disse que a única informação que tinha era que o avião havia sido emprestado e que o dinheiro seria ressarcido depois da campanha. Quanto aos verdadeiros proprietários, disse: “Eu não tinha qualquer informação de ilegalidade sobre os proprietários do avião.”

Willian Bonner, então, colocou em xeque a promessa da candidata de governar de forma diferente da politica tradicional ao dizer que seus argumentos sobre o uso do jato repetia a negativa de qualquer político. “Não uso dois pesos e duas medidas”, respondeu. “A regra que meço os adversários eu uso comigo.”

Marina só perdeu a paciência quando Patrícia Poeta insinuou que a candidata não é bem aceita no Acre, sua terra natal, em razão de seu terceiro lugar no Estado na campanha presidencial de 2010. “Não seria como se os acreanos dissessem ‘quem não conhece que vote em você?’” Marina retrucou em seguida: “Talvez você não conheça minha trajetória.

De acordo com a socialista, suas dificuldades no Acre se deveria aos interesses que ela teria enfrentado na região ao lado de figuras como Chico Mendes. “Fiquei quatro anos sem poder andar em metade do meu Estado. E eu não podia trocar o futuro das próximas gerações pelas minha eleição.”

Bonner voltou a colocar em dúvida a coerência de Marina, que critica as coligações entre partidos e políticos de diferentes ideologias, mas firma aliança com Beto Albuquerque, seu vice, favorável aos transgênicos e experiências com células-tronco, bandeiras combatidas pela socialista. “O que há de novo nessa política, candidata?” Ela respondeu dizendo que os dois já trabalharam juntos no passado, quando ele a ajudou a criar o Serviço Florestal e a aprovar a lei da Mata Atlântica quando ela era ministra. “Eu sempre trabalhei com diferentes.”

Sempre olhando para a câmera, Marina concluiu sua participação afirmando que não está na política pelo poder. “Como presidente eu quero que você me ajude a ser a primeira a assumir o compromisso de governar sem buscar uma nova eleição.”

Fonte: IG

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