Natal, então

As festas de fim de ano estão escondidas no menino teimoso resistindo dentro de mim. O menino tornado maduro mais…

As festas de fim de ano estão escondidas no menino teimoso resistindo dentro de mim. O menino tornado maduro mais cedo que os prognósticos razoáveis, porque a vida é como ela é. O ilhéu das lembranças inocentes do passado e arredio às confraternizações. Recolho-me ao silêncio quando chega dezembro e votos renovados de um tempo melhor são desmentidos pela crueza do tempo real.

Nunca terei o direito de contestar a euforia dos outros na expectativa da troca de gentilezas secretas, nas reconciliações temporárias e na bondade passageira igual ao trenó que nem sei se cheguei a esperar pela janela escura do quarto. Não, melancolia está longe de mim, tanto quanto a Dinamarca.

Estou entregue de verdade a um cansaço impaciente pela repetição de tudo nos brindes , nas frases e nas atitudes posteriores sempre iguais. Falta aos  publicitários internacionais um formato original para o período em que ninguém é malvado.

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A agressão gratuita em rede social contra a honra de alguém de ponto de vista diferente? Besteira, é Natal. O golpe traiçoeiro no amigo de confiança para tomar-lhe o emprego? Apaga, é Natal. O esporro público no garçom que demorou a trazer a cerveja? Frescura, é Natal. A comemoração campeoníssima pela desgraça do adversário? Que nada, é Natal. O grito no ascensorista que deixou a empregada doméstica usar o elevador social? Manera, é Natal.

Nasci, vivo e morrerei prático. Desprezo teorias, ensinamentos, consolações e olho de relance para a espera de milagres. Prefiro colher meus próprios frutos, do que houver plantado, buscando o firmamento das minhas ideias, a franqueza como mantra, a dissimulação como inimiga a ser morta da forma que ela nunca mata: de frente, combate testa com testa, cada qual com seu trabuco, sem tocaias ou armadilhas covardes.

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Resta-me na ceia que dispenso, recordar meus amigos de infância. De minhas traquinagens. Estão vivos quase todos, seguiram seus caminhos, é pecado sem desculpa não reuni-los, revê-los, abraçá-los, retemperar histórias e episódios da mais sadia e perdoável canalhice juvenil: os truques nas brigas contra as ruas adjacentes, o voyeurismo noturno nas árvores do posto de gasolina direto ao banheiro das domésticas, nossas inspirações sacras na descoberta do prazer ingênuo.

O ritmo do Natal é pendular, sobe e desce. Sobe para o frisson do consumo. Desce na parada para pensar. No jeito contemplativo de figuras que me aparecem imóveis e silenciosas, em aspecto blazé no rosto. Nada me dizem. Não há nada a falar ou a fazer.

Elas, as figuras pálidas, me surgem com olhar de absoluta indiferença, inertes, sem mover um músculo sequer. É a galeria exclusiva dos meus mortos que reabro sempre, seja ou não o Menino Deus o pretexto para tentar resgatá-la. Nela está a chave de minha inquietação solitária no maior grupo onde possa estar. É a tranca da saudade.

O menino vai desaparecendo como o barquinho plástico nas ondas da praia de Pirangi do Norte, ainda caiçara, casas de pescadores, sem luz elétrica, um deserto enorme vencido pelo calor humano e a alegria do largo alpendre.

Fica o homem observando preparativos, no tédio maior que o de tombadilho de navio distante do cais. injuriado de tanto ouvir Simone cantando “Então é Natal”, como se houvesse acabado de descobrir a roda. De uma bicicleta Caloi tão cobiçada somemos os anos derradeiros.
Que sejam todos felizes na graça por chegar do espírito natalino que seria perfeito durante 365 dias por ano. Muito mais do que uma noite de luzes, cordões, arrependimentos, abraços fraternos e ursos, contrições e ilusões embriagadas. Molhar os pés no mar, chutar conchas e enlaçar os sargaços.  A alma, de suas sombras e sobras, quem sabe, aquecerá o coração.

 

José Rocha
Fez aniversário ontem tocando o sonho concreto do Estádio Arena do Dragão, a casa própria dos rubros. O Presidente do Conselho Deliberativo do América faz parte da história dos maiores dirigentes do futebol potiguar.

Cartolas e cartolas
Ao analisar as peripécias do inglês que assumiu o Alecrim para sumir e transformar o clube num reino de súditos, é preciso evocar não apenas Zé Rocha, mas cartolas que são referências pelo trabalho e o amor sanguíneo aos seus clubes.

No América
Ninguém mais do que Jussier Santos é a imagem da boa articulação, elegância e competência para vencer. Dilermando Machado e Henrique Gaspar foram vitoriosos. Nenhum deles esqueceu ou usou o clube pelos seus interesses próprios.

No ABC
Aluizio Bezerra, Zeca Passos, Bira Rocha, Agnelo Alves, Leonardo Arruda Câmara, Judas Tadeu, Edson Teixeira, Rui Barbosa, José Prudêncio Sobrinho e  Ernâni Alves da Silveira fazem parte de uma escola iniciada pelo desapego material e o intensa paixão de um casal eternizado: Vicente e Maria Lamas Farache.

No Alecrim
Clóvis Motta, Bastos Santana, Orlandinho Caldas,  Demerval de Sá, Marcos Vinicius, Edmar Viana, todo o pessoal da FERA,  significam a dedicação verdadeira ao Alecrim, puro e simples como o bairro que deveria ser sua cidadela.

Especulações
Até a reapresentação dos clubes, o ritmo de noticiário será lento, gradual e seguro, como a distenção política anunciada e descumprida pelo ex-presidente Ernesto Geisel nos finalmentes da Ditadura Militar. O salseiro agita depois das festas de fim de ano.

Humberto
Surge um novo nome para revelação de treinador no Nordeste. É o ex-lateral, zagueiro e volante do ABC Humberto, bicampeão potiguar em 1999 e 2000 e também com breve passagem pelo América. Humberto assumiu o Central de Caruaru em crise e conseguiu um empate e uma vitória.

Moroni
Antes de Humberto, o treinador era o rodadíssimo Paulo Moroni, que passou por todos os clubes daqui. Moroni não deu certo e saiu queimado como  retranqueiro, segundo a imprensa pernambucana. O campeonato estadual de lá começou com os times interioranos lutando pela vaga às finais, onde entram Santa Cruz, Sport e Náutico.

Kaká
Felipão interrompeu sua viagem de férias para a Europa apenas para ver Kaká no San Siro, no clássico Milan x Internazionale. Kaká fez uma partida lamentável, como vem sendo o seu desempenho há pelo menos cinco anos. Felipão deve chamar Robinho para a Copa do Mundo, um mágico, que não terá feito nada em 2006 e 2010, quando novo, e ainda seria premiado na caduquice malandra de fim de carreira.

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