“Natal está no vermelho”, diz a Gol Linhas Aéreas sobre São Gonçalo

Há possibilidade do Aeroporto Aluizio Alves não operar durante a Copa 2014

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Danilo Sá

e Marcelo Hollanda

O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, já havia avisado, no começo desta semana, que o aeroporto de São Gonçalo do Amarante – o Aluizio Alves – não estava 100% seguro para ser a porta de entrada para os jogos da Copa do Mundo em Natal.

Ontem, durante um workshop organizado pelas companhias aéreas em São Paulo para examinar esse e outros gargalos, as próprias empresas se encarregaram de preparar o terreno para a possibilidade, cada dia mais real, de São Gonçalo não ser o aeroporto da Copa, conforme alertou O Jornal de Hoje esta semana.

A cúpula executiva da Gol Linhas Aéreas, uma das principais operadoras do país, foi clara a respeito: a situação de “Natal está no vermelho”.

Organizado para mostrar a jornalistas de todo o país os desafios do mundial de futebol do ponto de vista das companhias aéreas, os principais diretores da Gol não esconderam a preocupação com o futuro do terminal potiguar.

Mas, manteve o posicionamento de que também acredita no início das atividades até o mês de maio, como disse o ministro da Aviação Civil, Moreira Franco na recente visita ao Rio Grande do Norte.

Diante de incertezas que nem elas podem resolver nesse momento, as previsões pessimistas eram sempre alternadas com palavras de esperança, o que confirmava a situação de inteira indefinição. “Natal está no vermelho, mas vai acontecer”, disse André Lima, diretor de aeroportos da Gol.

Ao ser perguntado sobre as palavras do ministro, que considerou sua maior preocupação o tempo que as companhias levarão para transferir seus equipamentos do aeroporto Augusto Severo para São Gonçalo, o executivo concordou, mas não respondeu. “Imagine levar tudo de um equipamento para o outro, em um piscar de olhos. As empresas estão tendo que duplicar seus investimentos”, completou.

Antes de abordar o andamento das obras no RN, o próprio André manteve o tom dúbio, pouco determinado. Disse ele: “Muita coisa não será entregue antes do mundial no Brasil. As inaugurações acontecerão enquanto alguém estará apertando um parafuso, com um passageiro em cima da esteira”.

Ainda conforme o diretor de aeroportos da Gol – frase que não melhorou muito as coisas – ‘pior do que São Gonçalo só a reforma do aeroporto de Cuiabá’, considerada pela companhia aérea em estado crítico pela lentidão do projeto.

Depois de André, foi a vez do capitão Junqueira, diretor de segurança operacional da Gol, falar sobre o assunto.

“É preciso fazer uma análise de segurança e decidir se é viável ou não o equipamento. Não basta simplesmente abrir o aeroporto e pousar lá”, disse o especialista. Para depois confirmar que também acredita no início das atividades do aeroporto até meados de maio, principalmente após uma reunião das companhias aéreas com o Ministério da Aviação Civil, esta semana, quando todos os personagens envolvidos se comprometeram a trabalhar pela inauguração do projeto o quanto antes. Vai entender.

“Ficará um aeroporto muito bonito e será bom para todos, empresas e passageiros, que também serão beneficiados”, disse Junqueira, para logo depois acrescentar que serão necessários de 30 a 45 dias para que todos os testes de segurança sejam realizados. Prazo que só deve se extinguir após o dia 10 de maio, última data prevista para o aeroporto receber seus primeiros voos. A grande pergunta a ser respondia é esta: vai dar tempo?

Estado respira aliviado e livra-se da responsabilidade pelo atraso

A declaração, esta semana, do ministro chefe de Aviação Civil da presidência da República, Moreira Franco, de que estava mais tranquilo em relação à conclusão no prazo do acesso Norte ao aeroporto Aluizio Alves, mas não com o tempo das companhias aéreas para se transferirem e começarem a operar ali, tirou um ‘Air Bus’ das costas da governadora Rosalba Ciarlini e do secretário da Copa, Demétrio Torres.

O temor deles é que a conta de uma possível manutenção do aeroporto Augusto Severo para a Copa do Mundo fosse debitada na conta do Estado por causa de um atraso na finalização do acesso Norte ao aeroporto Aluizio Alves. Ao sobrevoar as obras na última terça-feira, durante a inspeção ao terminal, as declarações do ministro Moreira Franco soaram como música para o governo.

Mais do que isso: o ministro deu o verdadeiro endereço do problema – a impossibilidade das companhias aéreas resolverem toda a sua transferência, que implica em tecnologia de rede e capacitação de mão de obra, um espaço de tempo exíguo demais para ser sensato. E, é claro, nesse caso não há otimismo ou frase de feito que resista.

A governadora e o seu secretário da Copa andam ressentidos com o comportamento da imprensa em relação aos acessos. Em artigo publicado esta semana num blog s obre temas políticos locais, o secretário de do Estado, jornalista Paulo Araújo, desabafou todo o ressentimento por estar falando para as paredes quando informava que o acesso Norte iria sair – e que o secretário Demétrio tinha razão por andar chateado com os jornalistas.

Nesse exato momento, certo mesmo é que ainda não se sabe se o aeroporto de São Gonçalo terá condições de operar pousos e decolagens durante a Copa do Mundo. (MH)

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