Natal terá protesto hoje contra gastos da Copa do Mundo e proibição de greves‏

Capital potiguar recebe o jogo EUA X Gana, em calamidade pública e com greve dos ônibus e da Guarda Municipal

Foto: Divulgação
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Natal terá hoje o primeiro protesto contra os gastos da Copa do Mundo, marcado para às 16h, no principal cruzamento da cidade, a 2,5 km do estádio Arena das Dunas, onde será realizada a partida entre Estados Unidos e Gana, às 19h. No evento do Facebook, 1.300 pessoas haviam confirmado a participação. O ato é convocado por 21 entidades e sindicatos, com o objetivo é denunciar a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e criticar as injustiças com a Copa do Mundo.

O ato ocorre um dia após as fortes chuvas que caíram sobre a cidade e que devem motivar a solidariedade e também críticas aos governantes. “A Prefeitura fez empréstimos para várias obras, em nome da Copa, mas priorizou aquelas voltadas para os turistas. As de drenagem sequer começaram e poderiam ter reduzido o alagamento da cidade”, afirma Rosália Fernandes, do Sindicato dos Servidores em saúde do RN (Sindsaúde). O sindicato irá recolher doações aos atingidos pela chuva, às 14h, em assembleia que será realizada no Hospital Walfredo Gurgel, para discutir os erros no ponto eletrônico.

Proibição das greves

A Copa do Mundo em Natal teve início com várias categorias paradas. Os servidores da saúde fizeram uma greve de 59 dias, encerrada no dia 13, após decisão judicial que impediu greves de servidores municipais durante o período da Copa do Mundo. Neste período, eles permaneceram 10 dias acampados em frente à Prefeitura, bloqueando a rua. O Sindsaúde-RN recorreu e promete retornar com a greve após a Copa.

A pedido do prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), a decisão também determinou a suspensão da greve dos guardas municipais, que permanecem em greve, pois o sindicato da categoria não foi notificado, e dos médicos. E, nesta segunda-feira, a Justiça também determinou a proibição da greve dos rodoviários, iniciada no dia 12.

Outra ação movida pela Prefeitura pede a proibição de qualquer protesto de rua durante a Copa do Mundo, como o de hoje, com multa de R$ 200 mil aos organizadores e de R$ 2 mil aos participantes, além do uso de força policial para reprimir os protestos.

“A Prefeitura está passando por cima da Constituição, em nome da Copa, para que não possamos protestar e nem fazer greves. É uma ditadura”, afirma Rosália Fernandes.

Crise nos serviços públicos

Um dos alvos das críticas dos manifestantes é o estádio Arena das Dunas, que foi alagado pelas fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias. O estádio custará R$ 1,33 bilhão, ao longo de 20 anos. Segundo o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) adotado pelo governo do estado, o Estado depositará parcelas mensais ao consórcio responsável pela administração do estádio. Como garantias de pagamento do governo estadual, estão terrenos públicos, incluindo até o Centro Administrativo, e parte dos royalties do petróleo.

Os organizadores do ato criticam os gastos assumidos pelos governos, diante do atual estado dos serviços públicos no estado. A saúde estadual e municipal tiveram situações de calamidade decretadas, respectivamente, em 2012 e 2013, e os principais hospitais funcionam com pacientes nos corredores e falta de medicamentos e pessoal. A principal maternidade do município completou neste sábado (14) um ano do fechamento para reformas, o que vem superlotando as demais maternidades, como a das Quintas, onde recém-nascidos tomam o primeiro banho com água fria.

A segurança pública também é um ponto crítico, que contribuiu para que a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) tivesse o pior índice de aprovação entre os governadores. Nesta segunda, às 09h, policiais civis e guardas municipais realizaram uma carreata pela cidade, denunciando o caos na segurança pública.

Segundo dados do Homímetro RN, o estado já contabilizou 800 assassinatos neste ano, até o dia da abertura da Copa, sendo que 100 deles em apenas 19 dias. O crescimento da violência no Rio Grande do Norte supera as médias nacionais, e contrasta com a situação dos policiais, que não possuem combustível para os carros e atuam com munição reduzida.

Ato contra as injustiças da Copa do Mundo

Segunda, 16 de junho

Concentração: 16h, no Shopping Midway (Rua Bernardo Vieira com Av. Salgado Filho)

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