Náufrago salvadorenho conseguiu se comunicar graças a “Dora, a aventureira”

Vários elementos, incluindo o regime do náufrago e o fato de ele ter afirmado que não teve acesso a água doce, chamaram a atenção dos especialistas

O personagem "Dora, a aventureira", e seu cocriador, Chris Gifford em um evento em Paris, em 8 de novembro de 2010. Foto:Divulgação
O personagem “Dora, a aventureira”, e seu cocriador, Chris Gifford em um evento em Paris, em 8 de novembro de 2010. Foto:Divulgação

O náufrago salvadorenho José Salvador Alvarenga conseguiu explicar sua viagem às primeiras pessoas que encontrou nas Ilhas Marshall graças a algumas palavras de espanhol aprendidas pelos habitantes da ilha através da série de animação educativa “Dora, a aventureira”.

Alvarenga chegou às ilhas há duas semanas, depois de ficar 13 meses à deriva no Oceano Pacífico. Depois de chegar em terra, na noite de 29 de janeiro, muito cansado, ele dormiu na areia.

Os dois únicos habitantes da região em que ele desembarcou, Amy Libokmeto e Russell Laijedrik, viram o náufrago seminu e com uma faca na mão.

“Não ficamos com medo, mas estávamos surpresos”, contou Libokmeto, que acrescentou não entender nada que Alvarenga dizia.

Libokmeto e seu companheiro deram comida a Alvarenga e avisaram a prefeita do lugar sobre o náufrago. O filho da prefeita conhecia algumas palavras em espanhol porque aprendeu vendo com seus filhos o desenho “Dora, a aventureira”, que conta histórias ensinando outros idiomas.

Foi assim que a história de Alvarenga começou a fazer sentido. As autoridades foram avisadas.

Alvarenga, que virou herói nacional e uma espécie de símbolo de esperança, disse ter saído para pescar tubarões na costa mexicana do Pacífico no fim de 2012, e apareceu em 30 de janeiro nas Ilhas Marshall, depois de percorrer 12.500 quilômetros.

Ele relatou que para sobreviver foi obrigado a comer aves, peixes e tartarugas durante 13 meses.

O companheiro de viagem, Ezequiel Córdoba, de 23 anos, morreu quatro meses após o início da navegação, segundo Alvarenga.

A história, no entanto, deixou céticos alguns especialistas em sobrevivência no mar.

“Estou desconfiado desta história por sua duração”, afirmou Jean-Yves Chauve, médico francês que trabalha em regatas, acostumado a aventuras extremas no mar, que diz que alguns elementos da história o fazem duvidar de sua veracidade.

Vários elementos, incluindo o regime do náufrago e o fato de ele ter afirmado que não teve acesso a água doce, chamaram a atenção dos especialistas.

No entanto, um estudo da Universidade do Havaí, em Manoa, sobre os ventos e as correntes oceânicas no Oceano Pacífico durante o período em que Alvarenga afirmou ter estado no mar afirma que o relato do náufrago é compatível com os resultados obtidos.

As conclusões forma consequência da utilização de um modelo desenvolvido originalmente para investigar as variações da circulação das correntes e dos ventos na superfície do oceano.

Jan Hafner, um dos autores do estudo feito pelo Centro de Pesquisas Pacific International, da Universidade do Havaí, indicou que os parâmetros para este modelo foram extraídos dos padrões obtidos do acompanhamento dos restos de barcos à deriva no Pacífico, depois do tsunami que devastou o Japão em 2011.

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